Empreendimento do Minha Casa, Minha Vida em Santos: programa é dividido em faixas de renda, com o governo subsidiando parte das prestações (Vanessa Rodrigues/AT) Lançada no último dia 8, a faixa 4 do programa Minha Casa, Minha Vida incluiu a classe média, com renda familiar mensal de R\$ 8.600,01 a R\$ 12 mil, no programa habitacional, destinado originalmente à baixa renda. A iniciativa garante o acesso a condições mais vantajosas – a boa notícia é que a mudança já está em curso na Baixada Santista. Na faixa 4, as famílias poderão financiar imóveis que tenham um valor total de até R\$ 500 mil. Entre as condições, estão o financiamento em até 420 meses (35 anos) e taxa de juros de 10% ao ano, mas sem subsídio do governo – a família paga o valor integral do imóvel. De acordo com os ministérios das Cidades e do Trabalho e Emprego, a nova categoria deve beneficiar até 120 mil famílias apenas este ano. “Ainda é prematuro dizer que tivemos algum reflexo local com a nova faixa, principalmente em Santos. Entretanto, em nível nacional, os últimos números da pesquisa promovida pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Sinduscon-SP e realizada pela Brain Inteligência Estratégica, aponta que o programa ampliou sua participação no mercado imobiliário em 15%. Entre janeiro e março deste ano, foram vendidas 102.485 unidades residenciais na amostragem de 221 cidades do País que fazem parte da pesquisa”, diz o presidente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob), Mateus Teixeira. Ele lembra que, por conta principalmente do valor dos terrenos em Santos, ainda há poucas opções que se enquadram nessa faixa. “É um mercado que deve ganhar força especialmente com a renovação urbana de áreas um pouco mais distantes da orla, mas, que já possuem excelente infraestrutura”, acrescenta. Para Teixeira, o primeiro orçamento da faixa 4 ainda é pequeno, mas significa uma sinalização importante que o programa comece a expandir para outros públicos. “À medida que a faixa 4 vai ganhando corpo e orçamento, com certeza teremos mais ofertas para esse nicho de mercado que hoje tem dificuldade de adquirir um imóvel”, afirma o presidente da Assecob. Setor prevê mais empreendimentos em Santos O diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Lucas Teixeira, entende que o mercado de Santos é muito restrito ao Minha Casa, Minha Vida por questões de custo de construção, mas com a alteração de limites, é provável que haja mais empreendimentos. “Como a mudança ainda é muito recente, não temos novos lançamentos. Teremos uma reunião em junho com a Caixa e outras associações, e a gente tem perspectiva que agora com os novos níveis e uma diferenciação para retrofit (modernização de imóveis antigos), vai aquecer um pouco este mercado, que praticamente não existe”, diz ele. Já o diretor regional do Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Administração de Imóveis (Secovi-SP), Carlos Meschini, avalia que o mercado já sente reflexos, embora ainda pequenos, da nova faixa. “Na prática, demora um pouco. Deve travar na parte financeira, porque foi liberado pouco, R\$ 15 bilhões vão rapidinho, mas depois vai se ajustando. O programa novo é muito bom para a classe média”. Para ele, o momento é ideal para quem tem renda de até R\$ 12 mil, um público que tem carência, apesar do poder de compra razoável. “O grande lance vai ser as incorporadoras conseguirem fazer a conta fechar como foi com as faixas 1, 2 e 3. Mas é uma demanda que cobre bem Santos”. A correspondente bancária Carolina Felippe Monezi, que possui escritório em Praia Grande, ao lado da mãe, Rosemery Felippe de Andrade, já atua na comercialização de imóveis na faixa 4 do Minha Casa. “A dificuldade de fazer aprovação de crédito nessa faixa é a mesma em comparação com as outras. Cliente com apresentação de renda informal diminui o gargalo e, se o engenheiro avaliar o imóvel com valor maior, também acaba prejudicando o enquadramento”, diz Carolina. FAIXAS DO PROGRAMA Faixa 1 Renda familiar: até R\$ 2.850,00 Subsídio: até 95% do valor do imóvel Faixa 2 Renda familiar: de R\$ 2.850,01 a R\$ 4,7 mil Subsídio: até R\$ 55 mil e juros reduzidos Faixa 3 Renda familiar: de R\$ 4.700,01 a R\$ 8,6 mil Subsídio: sem subsídios, mas com condições de financiamento facilitadas Faixa 4 Renda familiar: de R\$ 8.600,01 a R\$ 12 mil Subsídio: com juros de 10,5% ao ano, 420 parcelas e limite de financiamento de até R\$ 500 mil, de imóveis novos e usados Fonte: gov.br