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Quinta-feira

9 de Julho de 2020

Especialistas preveem crise econômica de longo alcance

Expectativa é que tormentas na economia se estendam até o final do ano por causa da pandemia do novo coronavírus, dificultando a vida dos comerciantes

A crise econômica no Brasil deve perdurar até o final deste ano. Segundo economistas e sindicalistas, mesmo após a retomada de atividades hoje não consideradas essenciais, o que se espera é um fluxo menor de dinheiro pela perda de receita das famílias por conta da redução de salários, suspensões de contratos e demissões.

“Essa retomada se dará com a renda e a confiança em queda, além de desemprego e famílias endividadas. Assim, a reação será praticamente nula nos últimos meses do ano. Não há espaço para visão positiva”, diz Altamiro Camargo, assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

De acordo com o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Santos e Região (Sincomércio), Arnaldo Biloti, demitir tem sido a última opção dos empresários, mas ainda assim o movimento tem acontecido em grande número. Camargo avalia da mesma forma.

O sindicalista, no entanto, ainda não tem um levantamento que aponte as perdas de empregos motivadas pela crise, pois, assim que anunciada a pandemia, colocou os empregados do sindicato para trabalhar em casa.

“Nesse período, liberamos as empresas de fazer a homologação no sindicato. Também orientamos aos trabalhadores que, ao final da pandemia, nos procurem para fazer os cálculos e confirmar se está tudo certo (com os direitos rescisórios). Então, perdemos um pouco o controle”.

As notícias sobre os desligamentos acontecem via WhatsApp e redes sociais. “Quando começa a ter corte, as pessoas procuram o sindicato. Nosso sentimento é que ninguém quer fechar as portas. Além disso, hoje, para atender bem o cliente, é preciso manter um mínimo de profissionais. O que tinha para enxugar foi feito antes da crise”.

Impactos

O assessor econômico da FecomercioSP destaca que o segmento varejista no Brasil é responsável por 8,5 milhões de empregados e 1,4 milhão de empresas, sendo 1,3 milhão delas pequenas e médias. Ele explica que, primeiramente, o fechamento do comércio impactou esse grupo, que dispõe de pouca reserva para bancar funcionários e custos fixos.

“Não se avisou com uma semana de antecedência para que pudessem aliviar estoques, fazer caixa e se preparar para o período de faturamento reduzido”.

À medida que os estabelecimentos permanecem fechados, “maiores e mais graves serão os impactos na economia”. Camargo explica que as empresas de médio e grande porte, inclusive, começam a sentir problemas. “Fizemos uma estimativa, que hoje consideramos otimista, de que em março, abril e maio, houve prejuízo de R$ 45 bilhões (no Estado)”.

Segundo ele, em vez de um crescimento de 4% na venda do comércio, este ano, o mais provável é um tombo de 15% a 16% “em relação ao potencial que haveria se não ocorresse o fechamento das atividades”.

Ele teme que o comércio passe mais tempo fechado devido ao aumento dos testes para covid-19 e o conhecimento de mais casos confirmados. Como a retomada das atividades está atrelada a uma série de metas, entre elas a queda nos números, Camargo entende que os empresários possam ser prejudicados pela subnotificação do começo da crise.

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