Entregadores já sentem efeitos da crise do coronavírus e diminuição nas vendas por delivery

Motoboys e bikeboys dizem que comércio fechado fez pessoas pedirem menos comida em casa

Motoboys e bikeboys já sentem os efeitos do fechamento de comércios e afirmam que os pedidos de delivery caíram drasticamente nesta semana. Em pleno horário de almoço, a Reportagem verificou que, no Gonzaga, um dos locais mais movimentados de Santos e que concentra boa parte dos restaurantes e bares da região, havia vários deles parados, esperando entregas.  

“A essa hora, eu jamais estaria aqui para conversar com você”, pontuou o bikeboy Carlos Henrique. Ele leva a profissão como um bico, pois tem outro emprego, em farmácia. Mas também sentiu a queda de movimento lá também.  

Trabalhando neste ramo há cerca de três meses, ele está preocupado com a queda no movimento. Segundo o bikeboy, na semana passada ouve um pico alto de pedidos, mas agora já decaiu muito. “Tínhamos a expectativa de que aumentasse bastante, mas não foi tudo isso. Estou vendo muita gente na rua ainda e também quem está em casa deve estar com medo de ficar pedindo comida para o dinheiro não acabar”, afirma o rapaz. 

Daniel Rezende, que trabalha com as entregas há oito meses, diz que sua cunhada, que trabalha com comida, já está sentindo a queda. Ele acredita que o setor de comércio alimentício vai sofrer muito ainda com a crise gerada pelo coronavírus. “Acho que com essa quarentena um monte de gente ficou apavorada e foi para o supermercado também, comprar diversas coisas. Não precisava de tudo isso”, diz. 

Outro fator que leva aos problemas é que, na visão dos três, o brasileiro está levando a quarentena como “férias”. “Semana passada eu fiz uma entrega de um açougue para a pessoa. Eram pedaços de carne grandes. Pensei: caramba, a pessoa vai fazer um churrasco em plena pandemia?”, diz Sérgio Luís, que está no ramo de entregas desde agosto do ano passado. 

Nas contas dele, o movimento tem caído cerca de 50%. Na hora em que conversamos, por volta de meio-dia, eles já teriam feito, ao menos, cinco entregas. Daniel Rezende tinha entregado só dois pedidos até aquela hora. Outros dois motoboys, por quem passamos e saíam para entrega quando fomos abordá-los, também disseram que o movimento está fraco. “É a primeira do dia”, afirmaram os dois.  

“Antes, fazíamos R$ 100 por dia facilmente, trabalhando das 10 às 22h. Hoje, vai ser bem mais difícil fazer isso. Antes, a entrega vinha atrás da gente. Agora, a gente é que vai atrás da entrega”, conclui Rezende.  

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