Estudo concluiu que praticamente todas as praias do Brasil têm plástico (Reprodução/Youtube) Praticamente todas as praias do Brasil têm poluição por plásticos. Isso é o que concluiu o relatório da expedição Ondas Limpas na Estrada, uma pesquisa sobre resíduos plásticos realizada pela Sea Shepherd Brasil e Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Odontoprev. As praias de Mongaguá e São Vicente, no litoral de São Paulo, chamam a atenção por estarem no topo da lista das mais contaminadas por plástico no país. (Veja listas mais abaixo) Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Baixada Santista destaca-se por liderar o ranking nacional em concentração de macrorresíduos, macroplásticos e microplásticos. Em São Vicente, foram encontrados dez resíduos por metro quadrado nas praias. Em Mongaguá, o cenário é ainda mais alarmante, com a presença de 83 fragmentos de microplástico por metro quadrado. Para se ter uma ideia, a média das praias brasileiras é de 4,5 microplásticos por metro quadrado e 0,5 macrorresíduo por metro quadrado. A Praia das Vacas e Itaquitanduva, ambas localizadas em uma área de proteção integral em São Vicente, são as segundas mais afetadas no ranking de macroplásticos. Macroplásticos são pedaços visíveis a olho nu, geralmente maiores que 5 mm, como garrafas e sacolas (Reprodução/Youtube) Veja abaixo o ranking de cidades com praias mais contaminadas: Microplástico (5 cidades com a maior densidade de microplástico por m²): Mongaguá (SP) - 83 Florianópolis (SC) - 59 Conceição da Barra (ES) - 44 Arroio do Sal (RS) - 43 Natal (RN) - 39 Macroresíduos (5 cidades com a maior densidade de macrorresíduo por m²): São Vicente (SP) - 10 Extremoz (RN) - 6 Baía Formosa (RN) - 5 Natal (RN) - 4,9 Cabedelo (PB) - 4,7 Macroplástico (5 cidades com maior densidade de macroplástico por m²): São Vicente (SP) - 9,6 Extremoz (RN) - 5,6 Natal (RN) - 4,4 Baía Formosa (RN) - 4,3 Cabedelo (PB) - 4,2 Sem nenhum resíduo: Apenas 10 das 306 praias não apresentam microplástico: Farol de São Tomé (RJ), Ilha de Maracá (AP), Ilha do Atim (MA), Praia da Ponta das Gaivotas (BA), Praia das Pedrinhas (RJ), Praia de Atalaia (BA), Praia de Cações (BA), Praia do Amor (MA), Praia do Coqueiral (ES) e Praia do Martins (ES). O que são Microplásticos são partículas de plástico menores que 5 mm, originadas pela decomposição de plásticos maiores. Macroplásticos são pedaços visíveis a olho nu, geralmente maiores que 5 mm, como garrafas e sacolas. Os macrorresíduos, por sua vez, incluem materiais grandes, como pneus e redes de pesca, que não se decompõem facilmente. Esses resíduos afetam o ambiente de formas diferentes, com microplásticos sendo particularmente prejudiciais à vida marinha. O estudo percorreu 306 praias brasileiras durante 16 meses (Reprodução/Youtube) O estudo Foram 306 praias brasileiras visitadas durante 16 meses, de abril de 2022 a agosto de 2023, o que possibilitou o primeiro levantamento. O relatório foi atualizado em outubro de 2024. A pesquisa concluiu que 93% dos resíduos encontrados nas praias são plásticos, independentemente do tipo de praia, urbanização ou nível de proteção do local. Também foi possível concluir que 60% do plástico encontrado é de uso único. Perigo para o homem Os microplásticos representam uma ameaça crescente tanto para o meio ambiente quanto para a saúde humana. Eles são ingeridos por organismos marinhos, entrando na cadeia alimentar e podendo afetar diversas espécies, incluindo os seres humanos. Esses plásticos muitas vezes contêm substâncias químicas tóxicas, como pesticidas e metais pesados, que podem prejudicar os sistemas nervoso, reprodutor e imunológico. Além disso, os microplásticos estão presentes em solos agrícolas, impactando ecossistemas terrestres e a qualidade do solo.