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Quinta-feira

9 de Julho de 2020

Doria recua e Baixada Santista poderá abrir comércio a partir da semana que vem

Após três dias de discussões, Governo de São Paulo e prefeitos da região entraram em acordo. Secretário de Desenvolvimento Regional pede cautela e coloca a situação como indefinida

A Baixada Santista poderá ser reclassificada pelo governo de São Paulo e ter uma maior flexibilização da quarentena. Se os números de ocupação de leitos se mantiverem como estão atualmente, a região deve ser colocada dentro da Fase 2 Laranja no Plano São Paulo. Com isso, atividades como escritórios, imobiliárias, concessionárias, shoppings e o comércio poderão retomar as atividades, mas com restrições.

O governo João Doria recuou após três dias de discussões com representantes da Baixada Santista. O entendimento entre o Palácio dos Bandeirantes e os prefeitos da Baixada Santista veio nesta sexta-feira. O oficialização da mudança se dará na quarta-feira (3), após consolidação dos dados sobre ocupação de leitos na região.

De acordo com o secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, a população deve ficar atenta e evitar falsas expectativas. Segundo ele, a situação pode mudar até a próxima terça-feira (2). Nesta sexta-feira (29), porém, com a inclusão de novos leitos de UTI, a região já teria condições de ir para a fase laranja.

Vinholi, porém, afirma que o anúncio oficial será feito apenas na próxima terça-feira (2) e que, até lá, as coisas podem não evoluir. “Todos os dias os índices vão evoluindo, tanto positivamente, quanto negativamente. A intenção é essa, que os prefeitos possam incluir mais leitos. Eles vieram hoje, apresentaram leitos, isso entra na nossa base de dados para aferição de terça-feira. Mas é impossível cravar o que vai dar, porque são cinco itens avaliados. Não sabemos quantas pessoas vão precisar de UTI nesses próximos dias”, diz Vinholi.

Reconhecimento

O prefeito de Itanhaém, Marco Aurélio (PSDB), esteve nesta sexta em reunião na sede do Governo do Estado, na Capital, junto com os prefeitos de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), e de Peruíbe, Luiz Maurício (PSDB). Para Marco Aurélio, a reconsideração com os atuais foram o reconhecimento do trabalho das cidades durante a pandemia.  

"Hoje a região não se encontra na fase vermelha. Na próxima terça-feira será a consolidação e estamos trabalhando para manter isso. O monitoramento é permanente e todas as regiões podem avançar ou regredir. Lógico que se amanhã triplicar as internações, precisaremos recuar, mas nosso trabalho é manter sob controle”.

O prefeito de Peruíbe, Luiz Maurício, acredita que foi uma conquista mostrar ao Estado que região merece estar na faixa laranja de retomada das atividades econômicas. “Agora vamos aguardar o anúncio oficial, na próxima quarta-feira, e o decreto dando essa regulamentação para implantarmos o plano em Peruíbe. Os cuidados continuam”.

Discussões

Na quarta-feira (27), os representantes do Condesb se reuniram com o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, para pedir pela alteração na classificação da região dentro do Plano São Paulo de retomada econômica. O plano estadual mantinha a Baixada Santista na primeira (vermelha) das cinco etapas, com a restrição máxima. 

Além da região, somente o Vale do Ribeira e a Grande São Paulo foram classificados na zona vermelha (para os locais que registram altas taxas de ocupação de UTI e evolução na contaminação pelo coronavírus) e deverão manter as mesmas regras de isolamento social em vigor desde o dia 24 de março. 

No encontro virtual com Vinholi, os prefeitos apresentaram números que mostravam que a Baixada Santista se encontrava em uma condição melhor do que a apresentada pelo estado. “Nos critérios estabelecidos pelo Estado, há um conflito dos números estaduais com os dos municípios. Colocamos os argumentos técnicos, com base na matemática, e não há motivos para que a Baixada esteja na zona vermelha e a Capital na zona laranja. Procuramos demonstrar o equívoco e aguardamos a reclassificação em caráter imediato”, disse o prefeito de Santos e presidente do Condesb, Paulo Alexandre Barbosa, após a reunião.

Uma nova rodada de debates foi feita na quinta-feira (28). Desta vez, além de Vinholi, também participaram o o coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus, Dimas Covas, e o secretário estadual de Turismo, Vinicius Lummertz. O prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (PSDB), disse que a reunião foi bastante tensa e que os representantes estaduais se mostraram irredutíveis, mesmo com todos os números demonstrando, segundo ele, que a Baixada não está no vermelho.  

“Peguei a planilha, fiz os cálculos com eles, mostrei, mas não adiantou. Falam que temos 80% dos leitos (de UTI) ocupados, o que não é verdade. Não dá para entender o motivo de permanecermos nessa fase vermelha, se os números dizem o contrário”, ressalta Mourão.  

Presidente do Condesb, Barbosa iria tentar uma nova negociação nesta sexta-feira (29), pessoalmente, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

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