Algumas espécies de dinossauros viveram no litoral de São Paulo no passado (Felipe Alves Elias) No passado, o litoral de São Paulo foi habitado por dinossauros durante milhões de anos, segundo o paleontólogo, paleoartista e museólogo Felipe Alves Elias, de 45 anos, que atua no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Felipe conta que, durante boa parte do auge dos dinossauros, entre 233 e 150 milhões de anos atrás, a América do Sul era conectada à África, formando o supercontinente Gondwana. Naquele tempo, a região da Baixada Santista não tinha mar, mas era ocupada por desertos, dunas e oásis, que sustentavam pequenas populações de animais, incluindo dinossauros. Naquele período, a área onde hoje está a Baixada Santista era diferente. “O Atlântico ainda não existia, e a área ficava bem no meio desse grande continente, a milhares de quilômetros distante do oceano mais próximo. A umidade quase não chegava por aqui, e por conta disso, era um território muito seco, dominado por extensos desertos de dunas. Mas em alguns pontos havia lagos que alimentavam oásis de vegetação. Ambientes como esses sustentavam pequenas populações de animais, incluindo dinossauros”, detalha o paleontólogo. Fósseis Segundo o especialista, por volta de 145 milhões de anos atrás, a separação entre a América do Sul e a África provocou intensa atividade geológica, destruindo registros fósseis na região. “O litoral de São Paulo tem baixo potencial de oferecer evidências diretas da presença dessas criaturas, para a frustração de muitos. Mas no interior de São Paulo, como também em zonas litorâneas do nordeste brasileiro, encontramos condições mais favoráveis que revelaram fósseis incríveis desses animais, que provavelmente também habitaram a nossa região no passado”. De acordo com Felipe, os fósseis são formados em rochas sedimentares, resultado da compactação de sedimentos como argila, areia e pedriscos. Muitas vezes, os primeiros achados não vêm de cientistas, mas de moradores locais, que identificam restos preservados em cortes de rodovias, pedreiras ou terrenos naturais, e acionam universidades e museus. Curiosidades na Baixada Santista e Vale do Ribeira Apesar da dificuldade de encontrar fósseis de dinossauros na Baixada Santista, outra região no litoral de São Paulo guarda surpresas. “Uma dessas regiões é o Vale do Ribeira. Ali temos um sistema de grutas e cavernas que no passado recebia restos de animais mortos trazidos pelas enxurradas. Esses ossos foram se acumulando no fundo dessas cavidades e se fossilizaram. Entre as espécies já identificadas estão o famoso tigre-dentes-de-sabre e a preguiça-gigante, astros da série de animação A Era do Gelo”, observa. Além disso, na Bacia de Santos existem registros de fósseis marinhos, como peixes e invertebrados, depositados em camadas de rocha a centenas de quilômetros sob o leito oceânico, acessíveis apenas por sondagens profundas, afirma Felipe. Com o lançamento de seu livro, chamado Animais Pré-Históricos do Brasil: O Guia Ilustrado, Felipe busca popularizar a paleontologia e aproximar o público da pré-história brasileira. “As pessoas conheciam tudo sobre espécies que jamais viveram por aqui, como o Tyrannosaurus rex e o Velociraptor, mas não sabiam nada sobre o nosso passado e nossos fósseis”. Veja o dinossauros que habitavam o litoral de São Paulo "Embora seus fósseis só tenham sido encontrados no Vale do Ribeira, o tigre-dentes-de-sabre vagava por toda a nossa região até cerca de 8 mil anos atrás. Era um predador poderoso, que podia pesar mais de 400 quilos, sendo maior do que qualquer leão ou tigre atual". O tigre-dentes-de-sabre podia pesar mais de 400 quilos (Felipe Alves Elias) "A ave-do-terror era uma parente distante das atuais seriemas. Seus fósseis foram encontrados apenas no Vale do Paraíba, em Tremembé, mas ela com certeza também habitava nossa região entre 22 e 24 milhões de anos atrás. Podia atingir quase dois metros de altura e pesar mais de 250 quilos". Esse animal é conhecido como ave-do-terror (Felipe Alves Elias) "Os pterossauros foram répteis voadores que conviveram com os antigos dinossauros, tendo sido extintos há cerca de 66 milhões de anos. Fósseis desses animais foram encontrados no Nordeste do país, mas eram criaturas que no passado podiam ser avistadas em todo o nosso litoral. Alguns pterossauros ultrapassavam cinco metros de envergadura, entre uma ponta da asa e a outra". Os pterossauros eram comuns no litoral de São Paulo e do restante do Brasil (Felipe Alves Elias) "Os espinossauros foram os maiores dinossauros carnívoros que já existiram - sendo que algumas espécies chegavam ao comprimento estimado de um ônibus. Eram comuns na África e também na América do Sul. No Brasil, seus fósseis foram encontrados principalmente no Maranhão e Ceará. Eram como garças gigantes, vivendo perto da água à procura de peixes e outras criaturas aquáticas". Ilustração do espinossauro (Felipe Alves Elias)