Dia dos Pais gera otimismo para restaurantes e bares na Baixada Santista

Setor sobreviveu por meio de delivery e drive-thru durante a quarentena

Quase um mês após a reabertura de bares e restaurantes na Baixada Santista, o setor encara com otimismo o fim de semana do Dia dos Pais. Durante a quarentena, os serviços de delivery e drive-thru foram fundamentais para manter a receita. Agora, os estabelecimentos podem ficar abertos até as 22h, conforme decreto estadual nº 65.110, publicado no Diário Oficial nesta quinta-feira (6).

Essa medida vale apenas para cidades que estão na fase amarela do Plano São Paulo há, pelo menos, 14 dias. É o caso da Baixada Santista. Os locais precisam atender às medidas de segurança de combate ao novo coronavírus, como limitação do público em 40% da capacidade total e horário de funcionamento reduzido (seis horas por dia). 

“Dia dos Pais sempre traz um movimento muito bom", afirma o presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sinhores) da Baixada Santista, Heitor Gonzalez. "Esperamos grande movimento nos restaurantes e principalmente no delivery, onde ficamos muito experientes nesses cinco meses". 

A reabertura de bares e restaurantes aconteceu no dia 13 de julho. Os estabelecimentos ficaram fechados por mais de três meses, segundo as normas de quarentena no estado. Nesse período, os serviços de delivery e drive-thru foram de extrema importância para manter receita. 

Segundo Gonzalez, até a reabertura, alguns restaurantes da região chegaram a ter metade dos rendimentos vindo de delivery. Já os locais que não tinham o serviço precisaram de até um mês para desenvolvê-lo. "Você tem que comprar e desenvolver embalagens e assinar contratos com aplicativos, que podem demorar 15 dias", explica. 

Antes do decreto, os estabelecimentos só podiam ficar abertos até as 17h e tinham que fazer as seis horas de forma consecutiva. Agora, bares e restaurantes da Baixada Santista começam a intercalar horários, ficando abertos por três horas à tarde e à noite, por exemplo, e podem abrir no Dia dos Pais para almoço e jantar.  

Mas, para Gonzalez, o ideal seria que os locais pudessem abrir por oito ou dez horas no dia, dividindo em dois períodos, o que traria maior conforto e divisão de público. “A diminuição do horário só atrapalha. Acaba se criando aglomerações, porque tem pouco tempo de restaurante aberto. Assim as pessoas vão ao restaurante todas ao mesmo tempo, fazendo aglomeração na sala de espera ou calçada”. 

Governo do Estado

Em entrevista coletiva nesta quarta (5), o governador João Doria disse que “fica a critério de cada estabelecimento determinar se fará seis horas corridas ou três e três horas ou como julgar conveniente, desde que no limite de seis horas diárias”. 

O mesmo não se pode dizer da cidade de Santos. Segundo apurou ATribuna.com.br, a prefeitura discute pontos jurídicos do decreto com o governo estadual e, por isso, não autorizou bares e restaurantes da cidade a funcionarem em horários fracionados. 

Proprietária do restaurante Pedra Baiana, no bairro Aparecida, em Santos, Angélica Carregosa conta que trabalhou 13 horas por dia no delivery durante a quarentena, todos os dias, entre 11h e 0h. No Dia das Mães, precisou se organizar para atender os pedidos confirmados. Ela vê o Dia dos Pais com boa expectativa, mas ressalta a preocupação do público. 

“Tem que trabalhar com muito cuidado. Evitar aglomeração em uma data como essa é muito complicado. As pessoas estão eufóricas, querem sair e acabam se aglomerando na hora de esperar. Por outro lado, elas também ficam inseguras, mesmo tomando todos os cuidados”, afirma Angélica. 

Já Vivian Brum Cantarelli, presidente da Comissão de Comerciantes da Tolentino Filgueiras, vê com bons olhos o fracionamento de horários. “Você acaba dividindo melhor o seu público. Alguns preferem almoçar, outros preferem a janta. Não só para o Dia dos Pais. Para este, a expectativa é na hora do almoço e também de crescimento no delivery”, destaca.

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