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Quinta-feira

6 de Agosto de 2020

Decisão para retorno de aulas presenciais no estado de São Paulo deve ocorrer na quarta-feira

Expectativa é que governo divulgue calendário e defina parâmetros para os municípios da Baixada Santista

O setor da Educação vive a expectativa de que o Governo do Estado apresente na próxima quarta-feira (24) um calendário para o retorno das aulas presenciais no Estado. Esse plano deverá servir de norte para o ‘novo normal’ que passará a vigorar também nas redes municipais de ensino. Na Baixada Santista, enquanto aguardam a posição estadual e possíveis diretrizes de projetos que tramitam no Congresso, algumas cidades formam comissões para estudar a situação e possíveis protocolos. 

A volta às aulas presenciais, porém, estará longe do que ocorria antes das medidas de isolamento social. A retomada deverá ser escalonada, ainda dependerá de horários de atividades remotas e exigirá muito esforço para superar desafios como abandono escolar, recuperação de conteúdo e garantia da saúde mental de alunos e professores. 

O Estado vem articulando um plano para a Educação há semanas. Anúncios mais efetivos no setor, porém, foram adiados durante a recuperação do secretário da pasta, Rossieli Soares, que foi diagnosticado com Covid-19. Contudo, o governador João Doria (PSDB) adiantou que, na próxima quarta-feira, Soares divulgará um calendário escolar presencial.

A pandemia avança e nenhum dado, de fato, mostra que o País caminha para o seu fim. Apesar disso, e com a flexibilização de parte das atividades econômicas, começa um movimento para reorganização do retorno de uma das atividades mais complexas diante da possibilidade de contágio de alunos, professores e funcionários pelo novo coronavírus. Doria afirmou que o retorno não será rápido e acontecerá no momento seguro. 

Novidades 

Se as datas ainda serão divulgadas, algumas medidas já são quase certas. “As crianças terão um tempo presencial na escola, mas contarão com oportunidade de ampliar conhecimento em suas casas com o apoio do Centro de Mídias”, diz o secretário executivo de Educação de São Paulo, Haroldo Rocha.

Isso significa que o ensino híbrido deverá ajudar não apenas a dinamizar as aulas – como era esperado dele antes da pandemia-, mas garantir que seja possível haver turmas menores nas classes. 

Dentro das diretrizes em desenho para a área, está a retomada com atendimento presencial progressivo. “No primeiro momento, voltaremos com 20% dos alunos, depois 50% dos estudantes e, por fim, 100%”, detalha Rocha. 

A Secretaria Estadual de Educação é responsável pela coordenação setorial da área dentro do Plano São Paulo e vem realizando reuniões com instituições públicas e privadas para organizar a retomada planejada das aulas presenciais.

Pausa exigirá recuperação de conteúdo e atenção ao abandono escolar

“A pandemia ressignificará tudo, principalmente a Educação”. É assim que o secretário de Educação, Esporte e Lazer de Guarujá, João José de Oliveira Pecchiore, visualiza o cenário pós-pandemia no setor. Ele acredita que será necessário um trabalho intenso na recuperação de conteúdo e uma atenção à saúde mental de alunos e, principalmente, professores. Ainda assim, enxerga um lado positivo e aposta que, enfim, a Educação irá se apropriar das metodologias ativas de ensino. 

“Em Guarujá, preparamos uma comissão mista para estudar a retomada das atividades. E isso é importante porque as escolas vão se deparar com grandes desafios”. Entre eles, destaca, os impactos emocionais que a pandemia poderá causar nos servidores. Uma questão que exigirá atenção e atuação da escola. 

Temor

Por outro lado, entre as famílias mais vulneráveis, o risco de estudantes abandonarem a escola é grande. “Até por isso, nós já estamos intensificando um trabalho de busca ativa”. Neste caso, ele explica, o foco são os jovens que não acessaram a plataforma de aulas on-line e nem retiraram o material impresso durante o período de aulas remotas. 

Pecchiore analisa também que a pandemia vem escancarado o que um projeto realizado antes do isolamento social já havia mostrado a professores e gestores do Município.

“Tivemos um projeto em que os docentes percorriam as comunidades no entorno da escola. E percebemos que, às vezes, cobramos a participação de famílias que não têm condições de participar”. 

Olhar acolhedor

Entender a complexidade de casas em que mal há espaço para viver, quanto mais estudar, é uma lição que ficará e exigirá um olhar mais acolhedor da Educação, diz o secretário guarujaense. 

“Por outro lado, vimos uma resposta muito rápida dos nossos professores para defender o aprendizado dos alunos e isso é muito importante”, destaca.

As mudanças que a pandemia exigiu poderão fazer com que a Educação incorpore novidades que vinham sendo ensaiadas há tempos, todavia nunca aconteceram com efetividade, como o uso da tecnologia no dia a dia e as metodologias ativas de aprendizagem. 

O termo se refere a um cenário amplo, mas que trata, principalmente, de ter o aluno como protagonista do próprio aprendizado, seja em sala de aula ou dentro de sua casa. “Eu sou amante do ensino híbrido, por exemplo, que estamos sendo obrigados a utilizar agora. E ele veio para ficar”, encerra Pecchiore. 

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