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Quinta-feira

13 de Agosto de 2020

Vereadores acusam colapso na saúde de Cubatão; Ademário nega

Parlamentares cobram hospital de campanha para ampliar vagas a pacientes; prefeito rebate a diz que modelo facilita desvio de recursos

Vereadores da oposição de Cubatão apontam eventual colapso na rede pública municipal de saúde para o tratamento de pacientes com sintomas suspeitos de Covid-19. Pelas redes sociais, o grupo relata a falta de vagas aos moradores da cidade – que são direcionados para unidades de referência em Santos e Guarujá –, defendem um hospital de campanha no inacabado teatro municipal e questionam a instalação da "carreta" para o atendimento dos casos suspeitos da pandemia.  

Segundo os parlamentares, as estruturas cubatenses atingiram, na última semana, taxa total de ocupação de leitos. “Funcionários do hospital nos garantem que 100% das vagas estão cheias. Ou seja, se Cubatão precisar hoje de internações, vai ter que pedir apoio para as cidades da região. Vou repetir: informações do hospital são de que estamos com zero vagas”, afirma, pelas redes sociais, o vereador Toninho Vieira (PSDB). 

Como uma possível alternativa ao colapso na rede cubatense, o também vereador Rafael Tucla (Progressista) indica usar as estruturas do inacabado teatro municipal para abrigar uma ala emergencial voltada ao tratamento da Covid-19. O espaço está em fase de adaptação para se tornar uma unidade de referência oncológica, sendo custeada pelo Estado. “(O local) seria um hospital de campanha já pronto, bastaria complementar as instalações, contratar RH (médicos, enfermeiros) para se ter um combate ao coronavírus mais eficiente”, diz.

O prefeito Ademário Oliveira (PSDB) também usou as redes sociais para rebater as críticas. Ele acusou de “interesses particulares” pela defesa de estruturas provisórias a fim de se abrigar pacientes com Covid-19. E garantiu a entrega de mais leitos públicos na cidade para ampliar a oferta local para o combate do novo coronavírus.

“Hospital de campanha é importante, mas por trás de empresas não idôneas, pegam-se oportunistas. O Rio de Janeiro demonstra a toda hora atos de corrupção. E, aqui, me aprece que alguns estão conectados com essa mesma empresa que estão tocando no Rio de Janeiro. (Eles) não querem resolver o problema da Covid-19, mas as suas vidas”, desabafa o tucano. 

Os parlamentares também questionam o uso de contêiner no Pronto-Socorro (PS) Central. Segundo eles, a unidade demonstra a saturação da rede municipal. ATribuna.com.br recebeu, ao menos, dois relatos de pacientes de Cubatão que aguardavam encaminhamento a uma unidade de saúde para tratamento (ambos já devidamente encaminhados a hospitais da região, segundo a prefeitura).

De acordo com a Secretaria de Saúde, o uso do modelo tem a "função de dividir o fluxo” no complexo hospitalar, para “não misturar pacientes com sintomas respiratórios com os demais pacientes”. 

Em nota, a pasta afirma estar ciente das reclamações e ter emodelado o espaço, que passará de duas para três salas de atendimento (dois consultórios e triagem) e terá mais um médico por plantão, além de sala de medicação, sala de hidratação, sala de coleta e recepção. Os atendimentos são realizados 24 horas. A carreta tem atendido uma média de 110 pessoas por dia. 

Mais vagas 

No hospital cubatense são destinados dez leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e 25 de enfermaria. Os vereadores afirmam quem todas vagas estão ocupadas. Com isso, pacientes com sintomas da Covid-19 aguardam no contêiner até serem encaminhados para hospitais estaduais de referência – Guilherme Álvaro, em Santos, e Emílio Ribas, em Guarujá.

Contudo, a prefeitura promete a abertura de mais leitos de UTI e enfermaria para atendimento a pacientes com sintomas de Covid-19 

Segundo a Secretaria de Saúde, do Hospital Municipal de Cubatão terá 20 novos leitos de UTI e 33 de enfermagem (clínicos) exclusivos e em isolamento para atender pacientes com a doença. Com a medida, o complexo hospitalar terá uma capacidade de 30 leitos de UTI e 58 leitos de enfermagem exclusivamente para Covid-19.  

A primeira ampliação de leitos ocorreu no início de abril, quando foram abertos 10 leitos de UTI e 25 de enfermaria, além da capacidade de rotina do hospital. As ampliações de leitos fazem parte do Plano de Contingência de Cubatão aprovado pelo Comitê Estratégico Municipal. 

Ainda segundo a administração cubatense, o complexo hospitalar tem "espaço físico para novas ampliações, com capacidade para no mínimo mais 100 leitos, sendo desnecessário nesse momento um hospital de campanha".

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