EDIÇÃO DIGITAL

Sábado

8 de Agosto de 2020

Usiminas pretende reativar setor de laminação de Cubatão na 2ª quinzena de agosto

Informação consta no balanço operacional da siderúrgica, divulgado aos investidores na manhã desta quinta-feira (30). A retomada das atividades no local deve manter empregos e gerar novos postos de trabalhos

A Usiminas revelou planos de reativar parte ociosa da usina em Cubatão a partir da segunda quinzena de agosto. O setor de laminação da companhia mineira do complexo industrial cubatense terá a produção retomada, após anúncio de desligamento de 900 funcionários em maio passado, conforme estima do sindicato da categoria. A informação consta no comunicado ao mercado, divulgado na manhã desta quinta-feira (30), obtido por ATribuna.com.br.  A retomada das atividades no local deve manter empregos e gerar novos postos de trabalhos. Sindicato da categoria fala em precarização das relações trabalhistas (veja abaixo),

No documento, a empresa sustenta ter revertido o lucro líquido de R$ 171 milhões registrado no segundo trimestre do ano passado em prejuízo de R$ 395 milhões entre abril e junho deste ano. A empresa já havia registrado no primeiro trimestre prejuízo de R$ 424 milhões. 

Contudo, as expectativas para o segundo semestre que devem ser de recuperação gradual da atividade industrial no país, conforme entidades do setor, fizeram a empresa mineira rever os planos da siderúrgica cubatense.  

Conforme o documento direcionado aos acionistas da empresa mineira, a alta cúpula do complexo industrial aprovou o retorno das atividades da Usina de Cubatão, na segunda quinzena de agosto de 2020. Também foram aprovadas a reativação do Alto-Forno 1 e das atividades da Aciaria 1, ambos em Ipatinga (MG) e datado para a primeira quinzena de agosto. 

“Adotamos uma série de ajustes que nos permitiram passar pelos momentos mais críticos da crise sem, contudo, comprometer o nosso caixa e nossa capacidade de atender de maneira rápida à expectativa de melhoria da demanda para os próximos meses. E é isso que estamos fazendo agora ao anunciarmos a retomada gradual das operações do Alto-Forno 1 e da Aciaria 1 da Usina de Ipatinga e das laminações em Cubatão, na Baixada Santista”, afirma o presidente da empresa, Sérgio Leite. 

Segundo a empresa, a reativação dos setores tem por objetivo adequar o “ritmo de produção da companhia à recuperação esperada dos níveis de demanda” dos mercados consumidores de aços. “O retorno dos equipamentos não implicará realização de investimentos”, diz o comunicado. Entretanto, a empresa garante “uma elevação no seu plano de investimentos para o ano, de R$ 600 milhões para R$ 800 milhões”.  

Os aportes devem ser destinados em iniciativas de meio ambiente e na implantação do projeto de empilhamento a seco (dry stacking) da Mineração Usiminas.  

Leite afirma que, conforme dados divulgados nesta semana pelo Instituto Aço Brasil, a indústria siderúrgica no país enfrentou seu pior momento em abril, com indicadores que voltaram ao patamar de 15 anos atrás. No primeiro semestre de 2020, a produção de aço bruto no país teve uma queda de 17,9% e o consumo aparente retraiu 10,5%.  

“Como toda a indústria do setor, sobretudo para o segmento de aços planos, nós na Usiminas estamos confiantes que o pior já passou e que a trajetória agora é de retomada, apesar dos enormes desafios que temos pela frente”, afirma.   

Precarização

O vice-presidente do Sindicato dos Siderúrgicos e Metalúrgicos da Baixada Santista, Sérgio César de Oliveira, teme que a reativação dos setores da planta cubatense seja uma tentativa de precarizar as relações de trabalho. Segundo ele, maior parte das contratações será dos colaboradores desligados no passado. "E eles vão receber 40% dos vencimentos anterior ao corte (de funcionários) realizado em 2015", destaca.

Segundo ele, menos de 30% dos postos perdidos devem ser recuperados com a reativação da laminação da Usiminas. "Isso não vai gerar novos empregos, apenas repor parte dos postos que foram fechados. Vamos lutar para manter os direitos dos trabalhadores".

Balanço  da Usiminas

O comunicado ao mercado sustenta que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado atingiu R$ 192 milhões no segundo trimestre, queda de 67% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, o Ebitda ajustado é 66% menor. 

Outros eventos com efeito negativo no Ebitda da companhia no trimestre foram a provisão para contratos onerosos de insumos e serviços na Unidade de Siderurgia, relacionados aos efeitos da pandemia da Covid-19 no montante de R$ 51 milhões, dos quais R$ 34 milhões impactaram os custos e R$ 16 milhões impactaram outras receitas (despesas) operacionais.

A companhia também cita provisão para créditos de liquidação duvidosa em R$ 19 milhões na Unidade de Siderurgia e a provisão para reestruturação na Unidade de Bens de Capital no montante de R$ 19 milhões.  

A receita líquida do segundo trimestre foi de R$ 2,4 bilhões, valor 36,3% inferior em relação ao primeiro trimestre (R$ 3,8 bilhões). Esta queda decorre, principalmente, do menor volume vendido no período, também em função da retração da atividade econômica desencadeada pela pandemia do novo coronavírus. 

Tudo sobre: