Um dos pontos visitados foi o resultado do projeto Freestyle Camp, com grafites e painéis feitos nos muros da vila por artistas locais e do bairro (RODRIGO RIBEIRO/INSTITUTO ELOS) No coração da periferia de Cubatão, onde mais de 20 mil pessoas se entrelaçam entre a ferrovia e os manguezais, vive uma comunidade quase invisível a quem chega ou parte da região pelo Sistema Anchieta-Imigrantes: a Vila dos Pescadores. Com grafites e arte que contam histórias, sabores que vêm de todos os estados que formaram aquele bairro e sons que nascem da juventude, o local começa a descobrir no turismo de base comunitária não só uma chance de geração de renda, mas um caminho para se reconhecer como território de riqueza cultural e autoestima. A Vila dos Pescadores surgiu na década de 1960 como um assentamento informal de pescadores artesanais e catadores de siris e caranguejos, inicialmente chamada de Vila Siri. Localizada entre o Rio Casqueiro e a Via Anchieta, a comunidade se expandiu nas décadas seguintes devido à migração de trabalhadores atraídos pelo polo industrial da região. Com a escassez de moradias populares, resultou em ocupações precárias sobre áreas de manguezal e palafitas. Os desafios vão de melhor infraestrutura urbana à preservação ambiental. Está em curso um projeto de urbanização e regularização fundiária, com previsão de entrega de 1.339 moradias, 800 lotes urbanizados e um conjunto habitacional. Festival Integra a Vila foi a segunda iniciativa do projeto e reuniu mais de 30 visitantes para fazer o roteiro (Rodrigo Ribeiro/Instituto Elos) Turismo Enquanto espera pelas melhorias, a comunidade se organiza para explorar um pilar econômico ainda pouco conhecido: o turismo de base comunitária, que tem por objetivo mostrar ao visitante as riquezas cultural, gastronômica e ambiental que existem na vila. “Há um potencial invisibilizado aqui, mas muito rico. O que queremos é que eles se reconheçam como protagonistas desse território e criem caminhos para geração de renda com esse turismo”, explica Thaís Polydoro Ribeiro, diretora do Instituto Elos, que há mais de um ano, por meio de parcerias, capacita moradores da vila a criar o circuito turístico por meio do projeto Ativa a Vila. No último sábado, um dos desdobramentos desse projeto ocorreu pela segunda vez: o Festival Integra a Vila, um roteiro de pontos turísticos para mostrar aos convidados as belezas da vila e suas riquezas desconhecidas. Sete projetos sociais capacitados pelo Elos e apoiados financeiramente pelos parceiros comerciais se transformaram em pontos de visitação: o Projeto Sai da Rua e Vem pro Fundão, de gastronomia, preparado pelas alunas do Tempero Periférico; o projeto Voa Guará apresentou uma coleção de bolsas produzidas ao longo deste ano; o projeto Eco Canoe, que mostrou as belezas da natureza, e o Freestyle Camp, que apresentou os grafites e painéis dedicados à cultura hip hop. Os visitantes também conheceram o Nois das Palafitas, que exibiu em primeira mão o curta documentário produzido nas oficinas de audiovisual Visão de Perifa. A finalização da caminhada foi com uma apresentação da Banda Vipe (Vila dos Pescadores), com crianças tocando instrumentos musicais. Roteiro programado Renato Marchesini, turismólogo e responsável pela organização do roteiro e capacitação dos guias locais, explica que a intenção do projeto é que a própria comunidade reconheça suas capacidades, a importância que tem para a região e saiba fazer desse potencial uma fonte de renda. “A Baixada Santista ainda explora pouco o turismo de base comunitária. Assim como a Vila dos Pescadores, há muitos outros territórios com esse potencial”, diz.