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Segunda-feira

20 de Janeiro de 2020

Tatuador de Cubatão oferece tatuagens gratuitas para cobrir cicatrizes de automutilação

Integrante do projeto Meu Recomeço, ele realiza os trabalhos de forma voluntária

Apagar memórias ruins é o sonho de muitas pessoas, e a possibilidade de fazê-lo com tatuagens tornou-se profissão para o tatuador de 23 anos Matheus Barros da Silva. O jovem, morador de Cubatão, integra um núcleo de 91 tatuadores de todo o Brasil que participam do Projeto Meu Recomeço. O objetivo é oferecer tatuagens gratuitas a vítimas de automutilação, a fim de cobrir as cicatrizes.

Matheus conta que não tinha conhecimento sobre o projeto, que foi algo novo para ele. O primeiro contato foi através de uma cliente, moradora de Cubatão, que tinha interesse em participar. 

O tatuador Matheus Barros da Silva faz parte do projeto Meu Recomeço, e tatua gratuitamente vítimas de automutilação (Foto: Reprodução/Instagram @_Martte)

Ele ainda diz que cobrir cicatrizes não exige técnicas diferenciadas. “A pele pode ficar um pouco mais fina, mas a técnica é igual para toda tatuagem. A ideia da cobertura é não cobrir totalmente, mas dar uma nova cara para o local que tenha mutilações”, explica o tatuador.

Primeira cliente

O artista diz que enxerga a ação como forma de devolver autoestima. Foi o caso de Vitória Barrada Gomes, de 19 anos, que foi a primeira pessoa a ser tatuada por Matheus através do ‘Meu Recomeço’, depois de apresentar o projeto a ele. 

Vitória conta que conheceu o projeto pelas redes sociais: “Assim que eu vi, mandei para o Matheus. Depois, ele disse que iria tatuar uma pessoa por mês, que tivesse vindo desse projeto, e era justo começar comigo porque fui eu quem apresentei o projeto para ele”, explica.

A história da jovem com a automutilação é de superação. Ela diz que desde 2015 cometia o ato como uma válvula de escape para seus problemas. “Se ninguém prestar atenção, isso continua e pode piorar”, alerta.

Vitória escolheu símbolo religioso para cobrir cicatriz (Foto: Arquivo pessoal/Vitória Barrada Gomes)

A jovem escolheu cobrir as marcas com um símbolo religioso, o Hamsá. “Eu decidi fazer a tatuagem porque as cicatrizes já fazem parte do meu passado. Alguém sempre perguntava o porquê das marcas, e isso me fazia lembrar de um passado ruim. A tatuagem em si é religiosa, mas para mim significa também um escudo de proteção”.

Recomeço

Criado pela tatuadora Heloise Helena Sutil, de Curitiba, no Paraná, o Projeto Meu Recomeço foi inspirado em outro, que prevê tatuagens realistas de mamilos para pacientes submetidas a mastectomia, a cirurgia de retirada da mama após um câncer. Para abordar um outro problema, ela teve a ideia de oferecer auxílio às pessoas que se automutilam.

Interessados em fazer tatuagens através do projeto para cobrir cicatrizes ou tatuadores que queiram participar devem se inscrever pelo site do Meu Recomeço.

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