Superlotação, brigas de passageiros e pessoas que passam mal e até desmaiam pelo calor e falta de ar-condicionado são as principais reclamações dos usuários de ônibus intermunicipais em Santos (Reprodução/ Redes sociais) Passageiros que utilizam ônibus das linhas intermunicipais da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) entre Cubatão e Santos, na Baixada Santista, no litoral de São Paulo, afirmam viver um caos para ir trabalhar e estudar. A reportagem de A Tribuna ouviu usuários que relataram superlotação nos horários de pico, ausência de ar-condicionado em grande parte dos veículos, demora nas viagens e disputas para embarque. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As queixas de lotação são unânimes. Um trabalhador, que pediu para não ser identificado, conta que utiliza diariamente as linhas 906, 917 e 936, e descreveu a volta do trabalho como “um inferno” em dias de chuva e trânsito. Segundo ele, a combinação de superlotação e calor torna a viagem ainda mais difícil. “O 906 tem ar-condicionado e acaba sendo menos mau, mas é disputado – isso quando vem”, afirma. O passageiro relatou ainda episódios de estresse e brigas entre usuários por conta da falta de conforto e do tempo de espera. Há passageiros que usam o sistema há mais de uma década. Edvaldo Junior, de 27 anos, conta que começou a utilizar os ônibus para estudar e hoje depende deles para trabalhar. Ele relata que, de manhã, sai de Cubatão às 7h para chegar ao Centro de Santos por volta das 8h40. Na volta, sai do trabalho às 17h30 e chega em casa por volta das 19h30. Em dias de chuva, o trajeto pode ser ainda mais demorado. Edvaldo também afirma ter presenciado pessoas passando mal dentro dos coletivos. “Uma vez, o ônibus não se encontrava tão lotado, mas estava um calor insuportável e um rapaz acabou passando mal. Outra vez, o ônibus estava superlotado e uma moça acabou desmaiando bem ao meu lado”, conta. Estudantes também sofrem Para estudantes, as dificuldades começam pela quantidade de ônibus à disposição e pela falta de linhas que atendem pontos estratégicos em Santos. Um universitário que utiliza as linhas 918 e 919 para ir e voltar da faculdade denuncia que a frota oferecida “não comporta todo o contingente de pessoas que precisam desse meio de transporte”. Segundo ele, a superlotação é mais intensa pela manhã e ao final da tarde, quando todos voltam para casa. A situação é agravada pela falta de ar-condicionado em veículos que cumprem trajeto diário sob temperaturas elevadas. Outra estudante relata que, além da lotação, há falta de pontos estratégicos em Santos. Segundo ela, quem precisa ir a regiões como as avenidas Ana Costa ou Conselheiro Nébias depende de integrar o trajeto com um ônibus municipal, aumentando o tempo total da viagem. O percurso, de acordo com ela, se torna ainda maior no horário de pico por causa do trânsito na saída da cidade. Preocupação para o futuro A assistente financeira Lyara Porto Sousa, que utiliza as linhas de ônibus intermunicipais para ir trabalhar, expressa preocupação com a quantidade de ônibus circulando no bairro Jardim Casqueiro, em Cubatão. Segundo ela, o aumento populacional da região demanda uma ampliação na frota. “Hoje, tem muito mais gente do que tinha antigamente”, diz, destacando a construção de novos conjuntos habitacionais na cidade da Baixada Santista. “Imagina quantas famílias vão vir? E aí vai continuar deixando a quantidade de ônibus que tem? Não comporta”, afirma. Posicionamento A reportagem solicitou posicionamento à Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) sobre as reclamações. Em nota, a agência respondeu que "monitora e fiscaliza todas as linhas intermunicipais para garantir o cumprimento contratual e o atendimento ao cidadão". A Artesp finalizou o texto informando que os passageiros podem registrar solicitações, sugestões ou reclamações nos canais oficiais de atendimento, como a Ouvidoria pelo 0800-727-8377 e o site fala.sp.gov.br.