Especialistas dizem que há gargalos a serem superados (Alexsander Ferraz/AT) A necessidade de melhora dos acessos rodoviários e ferroviários não é restrita ao Porto de Santos. O Polo Industrial de Cubatão também depende disso. “O tema da mobilidade e a garantia de acessos ao Polo é uma prioridade do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo-Cubatão (Ciesp), que tem trabalhado na articulação com os principais envolvidos nessa questão, visando discutir ações que permitam atender não só situações pontuais, como também o planejamento de médio e longo prazo. Isso beneficia toda a cadeia e ajuda a promover desenvolvimento”, afirma o órgão, em nota. O consultor portuário Ivam Jardim aponta que os principais gargalos estão relacionados à sobrecarga da infraestrutura rodoviária que serve não apenas ao Polo, mas também ao fluxo de cargas entre as margens direita e esquerda do Porto de Santos. “Grande parte desse fluxo, para acessar os pátios reguladores de caminhões, precisa obrigatoriamente passar por Cubatão, o que intensifica ainda mais o volume de veículos pesados nas vias locais”, alerta. Além disso, o especialista lembra que a região também absorve o tráfego de veículos originários da Grande São Paulo com destino ao Litoral Norte, compondo um cenário de alta complexidade logística. “Essa sobreposição de fluxos industriais, portuários e turísticos gera uma deterioração acelerada do pavimento, exige manutenções constantes e aumenta o tempo de deslocamento, comprometendo a eficiência das operações industriais e logísticas”, afirma. Outro ponto crítico, segundo Jardim, “está na falta de rotas alternativas eficientes e em questões estruturais, como drenagem deficiente e sinalização precária, que impactam diretamente a segurança viária e a previsibilidade no transporte de cargas. Problemas e observações Engenheiro especialista em infraestrutura de transportes, Marcos Vendramini analisa os problemas causados pela existência de apenas duas faixas de tráfego/sentido na Cônego Domenico Rangoni. “Elas se mostram insuficientes, especialmente em períodos de alta demanda aos pátios de espera e nos fins de semana com o acréscimo do volume elevado de veículos de passeio. Esta rodovia – especialmente no trecho Anchieta – no inicio da Rio-Santos já deveria ter sido duplicada. Outro problema existente há anos e sem qualquer iniciativa por parte das autoridades é o trecho Baixada da Via Anchieta, que possui as mesmas duas faixas/sentido de trafego há pelo menos 40 anos, ou seja, desde quando o Porto de Santos movimentava menos de um terço da movimentação atual. Este trecho precisa ser duplicado urgentemente com os veículos de passeio segregados do tráfego de carga”, sugere. Com relação ao acesso ferroviário, ainda que o Polo Industrial de Cubatão seja responsável por uma parte bem menor desse tráfego - quando comparado com o Porto de Santos -, Vendramini afirma que o gargalo, basicamente, é a capacidade de tráfego das vias. “É expressa em ‘janelas de tráfego’ e que somente pode ser expandida com o acréscimo de mais uma via ou a duplicação das existentes, soluções que demandam investimentos vultosos”, completa. Diálogo tem ajudado, afirma Ciesp O Ciesp-Cubatão observa que as indústrias que compõem o Polo de Cubatão estão localizadas às margens da Rodovia Cônego Domenico Rangoni, mas se servem também do Sistema Anchieta-Imigrantes para receber seus insumos e matérias-primas, além de escoar seus produtos acabados. Com o passar do tempo, nessa região, também foram desenvolvidas atividades retroportuárias e de pátios reguladores de carga para o complexo portuário santista. “Dessa forma, houve a necessidade de se criar um fórum de comunicação envolvendo principalmente os poderes públicos estadual e municipal, concessionária do sistema rodoviário, Autoridade Portuária de Santos (APS), representantes das atividades industriais, retroportuárias e de transportes, para planejamento e gestão das ações conjuntas garantia da mobilidade na região”, afirma. O órgão cita como exemplo o Programa Cubatão Mais Sustentável, desenvolvido pela Prefeitura, que introduziu melhorias na Avenida Plínio de Queiroz, situada no coração do Polo, fazendo segregação de faixas e regramento de estacionamento. “O diálogo segue com todos os envolvidos buscando soluções práticas para eliminar gargalos, diminuir impactos e garantir a fluidez no Polo”, lembra o órgão. “Não há uma alternativa específica. Há, sim, um conjunto de ações que permitam que todas as atividades que se servem dos acessos da região possam operar em harmonia”, finaliza. Terceira pista da Rodovia dos Imigrantes vai ampliar a capacidade de circulação de veículos pesados (Alexsander Ferraz/AT) Terceira pista da Imigrantes: ganhos diretos A construção da terceira pista da Rodovia dos Imigrantes, com previsão de entrega para 2031 e com foco no tráfego de veículos pesados, trará ganhos diretos para o Polo Industrial de Cubatão, ao ampliar a capacidade de circulação de veículos pesados e melhorar a fluidez no acesso entre a Capital e o Litoral, afirma o consultor portuário Ivam Jardim. “Com essa nova conexão, haverá maior previsibilidade nos deslocamentos, o que é fundamental para o abastecimento do Polo e para o escoamento de sua produção. Também será possível diluir melhor os fluxos de veículos entre as pistas existentes, reduzindo a frequência de congestionamentos e facilitando o deslocamento até os pátios reguladores e os terminais portuários”, argumenta. Jardim também analisa que essa melhoria viária tem potencial para fomentar o desenvolvimento de áreas estratégicas próximas, como a Ilha dos Bagres, na Área Continental de Santos. “Ela se posiciona como possível vetor de expansão para um novo complexo portuário, reforçando ainda mais a integração logística entre indústria e Porto”, completa. Por sua vez, o engenheiro especialista em infraestrutura de transportes Marcos Vendramini projeta que, para o Polo Industrial de Cubatão, a terceira pista poderá reforçar ainda mais a vocação logística do município. “Isso permitirá que seja mais explorada, dada a existência de grandes áreas”, afirma. Desenvolvimento e Organização O Ciesp-Cubatão lembra que a terceira pista irá colaborar com o crescimento das principais atividades locais: industrial e portuária. “O desenvolvimento de outros modais alternativos, como o ferroviário, também irá auxiliar o balanceamento da movimentação logística”, completa. Refinaria da Petrobras, em Cubatão (André Motta de Souza / Agência Petrobras) Refinaria: 70 anos A Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão, completou 70 anos ontem e segue cumprindo papel fundamental na economia do Município. Cubatão recebeu quase R\$ 98 milhões em impostos municipais pagos pela Petrobras, segundo a empresa. A cidade foi a segunda do Brasil que recebeu mais recursos de tributos da companhia. Primeira grande refinaria brasileira construída pela Petrobras, em 1955, a RPBC produz, por dia, 8,2 mil m³ de gasolina, volume que daria para abastecer 140 mil carros, e 14,4 mil m³ de diesel, quantidade suficiente para encher o tanque (120 litros) de quase 120 mil caminhões. A produção diária de GLP, o gás de cozinha, possibilita o abastecimento de 108 mil botijões residenciais de 13 quilos. A RPBC tem capacidade de processar 180 mil barris de óleo por dia, sendo responsável por 11% da produção de derivados da Petrobras. A refinaria tem produção exclusiva de gasolina de aviação, gasolina Podium Carbono Neutro, gasolinas especiais (primeiro enchimento, padrão e competição) e solventes (benzeno, xilenos e tolueno). A unidade produz ainda gasolina A, diesel S-10, gás de cozinha e outros derivados. A maior parte da produção é destinada ao mercado da Grande São Paulo e uma parcela abastece também a Baixada Santista e regiões Norte, Nordeste e Sul do País.