Carrinhos, brinquedos elétricos, de madeira, bonecos... Tudo está em um galpão, mantido pelo colecionador, de 45 anos, na Vila Nova (Sílvio Luiz/AT) Não há idade para ser criança. A frase se encaixa no antiquário Paulo de Carvalho, de 45 anos. Ele coleciona brinquedos: mais de 5 mil deles, tanto do século passado quanto atuais — carrinhos, brinquedos elétricos, de madeira, bonecos. Tudo está em um galpão na Vila Nova, em Cubatão. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Já perdi as contas de quantos tenho. Antigamente, eu guardava um pouco na casa da minha mãe e na minha. Só que aí, como foi crescendo, peguei um espaço no depósito que tenho com meu pai para guardá-los”, diz. Entre as raridades, um brinquedo de 1907, “uma peça que funciona a carbureto (composto químico inflamável). E ainda está funcionando”. Todas as peças recebem o mesmo cuidado. Explica que gosta de comprar brinquedos usados e dar uma nova vida para eles. “Eu tento comprar e preservar a memória deles, deixar mais próximo possível de quando foram lançados. Muita gente doa, outros jogam fora. Encontro muitos em feiras de carrinheiros. Tem uma que encontro na região do Mercado Municipal, em Santos.” Mas há um que mexe com o coração dele. “Uma espada dos Thundercats Premium era um sonho de consumo que eu tinha. Projetava o fecho de luz dos símbolos dos personagens na parede branca. Meus pais não tiveram condições de comprá-la na época. Mas eu consegui, há alguns dias.” Paulo gosta de comprar brinquedos usados e dar nova vida para eles (Sílvio Luiz/AT) De família Carvalho conta que a paixão pelo colecionismo começou por causa do avô, Benedito Rosalino de Carvalho, também colecionador, mas de cédulas e moedas antigas. Em um passeio, em 1993, o avô lhe apresentou esse hobby, na feira da Praça Benedito Calixto, em São Paulo. “Lá, eu comecei a trabalhar e me interessar pelo negócio, pois ganhei dinheiro e fiz minha vida com as antiguidades. Então, é uma herança de família.” Em 2004, Carvalho abriu uma loja no Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai. O local estava fechado há mais de 20 anos. Mas, lá dentro, se abriu um verdadeiro tesouro de brinquedos. “Estavam todos lacrados. Foi como se eu tivesse voltado no tempo quando eu era criança. Daí, eu pensei: vou juntar o útil ao agradável” — colecionar brinquedos. Agora, Carvalho tenta passar aos dois filhos, Arthur, de 13 anos, e Elena, de 7, sua paixão por colecionar. Eletrônicos, como videogames em caixas, também estão no acervo (Sílvio Luiz/AT) E quer mais Apaixonado desde a infância por histórias de ficção, o colecionador pensa no próximo item que deseja: um Vlix, personagem da série de filmes Star Wars, que se juntará aos outros itens que ele tem da saga. Um Vlix lacrado, original, é considerado um item de colecionador que pode valer US\$ 5 mil (cerca de R\$ 27 mil). “Na época em que o lançaram, foi um fiasco. Porém, hoje é um dos brinquedos mais desejados no mundo. Um item na caixa vale até quatro vezes mais do que fora dela porque ninguém brincou com ele ainda. Quem sabe, um dia, eu ganho na loteria e compro o Vlix lacrado.”