Antes, ouviam-se a professora explicando matéria e o giz riscando a lousa. Agora, meninos e meninas escutam o mundo em novas possibilidades (Divulgação) No dicionário, o verbo sentir significa perceber, por meio dos sentidos ou de intuição, experimentar emoções ou sensações. Para aguçar os sentidos de crianças de 4 e 5 anos, o projeto Musicalizar, em Cubatão, trabalha com alunos das unidades municipais de Educação (UMEs) Amazonas, Goiás e Minas Gerais. A iniciativa é da Escola Técnica de Música e Dança (ETMD) Ivanildo Rebouças da Silva, que leva atividades com instrumentos no contraturno escolar de unidades em período integral. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O projeto chegou às escolas em fevereiro. “Cubatão tem uma escola técnica de música e dança. (...) Então, qual foi a ideia? Criar um projeto desde a creche para eles. Lá, eles já têm aulas de musicalização. (...) Quando vão para o Ensino Fundamental, já têm idade para frequentar o conservatório (da ETMD), onde vão aprender aulas de canto e instrumento, como piano e violão”, explicou Lucia Peralta, diretora de Departamento de Ensino do Município. Participam das aulas 375 alunos. As atividades ocorrem toda semana, em dias diferentes, nas escolas. Uma das que conduzem o projeto é Daniela Cristina, professora da rede, que trabalha há 22 anos com música. Anália Cristiane também é professora atuante na ETMD. A história dela na música começou por volta dos 7 anos, quando dava os primeiros toques no teclado do piano, que virou um companheiro de vida. Em 2011, virou inspetora de escola. Estudou Pedagogia e entrou na escola técnica de música. Giz, lousa, som Em cada batida ou palma, ecoam novos sons. Antes, ouviam-se a professora explicando a matéria e o giz riscando a lousa. Agora, meninos e meninas escutam o mundo em novas possibilidades. “Existem coisas que exploramos durante as aulas, como movimentação corporal, aspectos motores, controle do movimento e lateralidade também. Os limites, também, de quando é a vez deles de participar”, diz Daniela. Cada aula tem atividades específicas, com os alunos em roda. “Por fim, o relaxamento, para acalmá-los e entregá-los para a professora que virá.” Além de tocar instrumentos, as educadoras criam sons por meio de itens que poderiam ser descartados, mas ganham outra utilidade. “Já levamos lenços coloridos, copos e pratos de plástico. Tudo para trazer dinâmicas diferentes. Às vezes, a gente consegue produzir um som parecido com o original que imaginamos. Assim, trabalhamos os parâmetros sonoros com eles”, menciona Anália Cristiane. Movimentação corporal e o respeito à vez de cada um integram aulas (Divulgação) “Ferramenta essencial” deve ir para mais escolas da rede A diretora Lúcia Peralta relata que, devido ao projeto Musicalizar, os alunos se concentram mais nas aulas. “A música estimula memória, linguagem e, até, matemática, porque trabalha com ritmos, repetições e contagens. Essa se tornou uma ferramenta essencial na sala de aula. Queremos ampliar (a iniciativa) para todas as UMEs de Educação Infantil.” O projeto também melhora a socialização entre os alunos. “Tem criança que é tímida, que não consegue cantar. E os professores trazem estímulos para eles, que vão socializando e se encontrando. A música também respeita o limite deles, promovendo integração entre todos. O aluno atípico, que é não verbal, por exemplo, acompanha o ritmo.” “Na parte linguística, a gente vê criança que antes só balbuciava, que tinha dificuldade de fala. Um exemplo é que damos aula para uma criança de abrigo. A gente já vê que ele quer falar as palavrinhas da música. Isso é muito legal. Tem uma professora que acompanha só o caso dele, e ver o avanço dele é maravilhoso. O de todos é”, diz Anália Cristiane.