Ao apresentar a transformação histórica de Cubatão, o prefeito César Nascimento garantiu que a cidade hoje vive novos tempos e falou do avanço da Cidade na agenda climática (Divulgação) Durante a COP30, realizada em Belém (PA), Cubatão reafirmou seu papel como referência na recuperação ambiental, no planejamento urbano sustentável e na transição ecológica. A delegação municipal apresentou a trajetória que converteu o antigo “Vale da Morte” em “Vale da Vida”, detalhou programas de restauração e anunciou parcerias internacionais para acelerar ações climáticas. Única cidade da Baixada Santista presente no evento, a comitiva, liderada pelo prefeito César Nascimento e pela vice-prefeita Andrea Castro, participou de painéis, mesas técnicas e reuniões bilaterais que ampliaram a visibilidade da experiência local. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A cidade lembrou seu passado marcado por níveis extremos de poluição industrial nas décadas de 1970 e 1980, período em que as emissões chegaram a patamares críticos e a tragédia da Vila Socó, em 1984, tornou evidente a necessidade de transformação. A partir desse momento, governos, indústria e sociedade civil firmaram um pacto de recuperação que culminou na redução de até 98% dos poluentes industriais, na recuperação de áreas degradadas e na modernização do Polo Industrial. Em 2025, o reconhecimento internacional veio com o selo Cidade Verde do Mundo, concedido pela FAO/Arbor Day Foundation, marco que colocou Cubatão em um seleto grupo global. De acordo com o secretário de Comunicação, Claudio Barazal, um dos integrantes da comitiva municipal no Pará, a notoriedade mundial de Cubatão é fruto de uma trajetória de sucesso construída ao longo de décadas. “A chegada desordenada das indústrias causou muito sofrimento à população. Foram necessárias diversas medidas e protocolos de mudança para reverter a situação, que causou até a morte de muitas pessoas”, menciona. Nesse contexto, o secretário de Meio Ambiente, Segurança Climática e Bem Estar Animal, Cleiton Jordão Santos, que também integrou o grupo, apontou os avanços recentes e o papel da Cidade na agenda climática. “Cubatão tem avançado significativamente no engajamento ambiental e no fortalecimento das políticas públicas, especialmente as voltadas às mudanças climáticas. A cidade também discute a justiça climática, reconhecendo a importância da Serra do Mar como patrimônio natural”, destacou. Experiência de Cubatão mostra que é possível unir desenvolvimento industrial, justiça social e preservação, como ações de saneamento e recuperação de manguezais (Divulgação) Para Andrea, a presença de Cubatão no evento reforçou o seu papel como referência mundial em responsabilidade ambiental. Ela reitera a seleção do município como um case de sucesso, sendo modelo para algumas cidades, principalmente asiáticas, que estão passando por um processo intenso de industrialização e enfrentam altos níveis de poluição. “Essa é a nossa grande lição ao mundo: mostrar que o desenvolvimento só acontece de forma duradoura quando há um grande pacto social entre as indústrias, o poder público e a sociedade civil organizada”. Entre as reuniões realizadas, a vice-prefeita destacou encontros com o governo francês, o Ministério das Cidades, a ONU-Habitat e a ISA, entidade que atua no Hemisfério Sul em projetos de energia solar. “Conseguimos agendar reuniões bilaterais e aproximar Cubatão de fundos de financiamento ambiental. A visibilidade que o município teve foi inédita. E quando apresentamos Cubatão, levamos conosco toda a região. É uma chance de valorizar nossas boas práticas e fortalecer parcerias que gerem benefícios coletivos”, disse. Os resultados que levaram a Cidade a Belém Na COP30, os avanços apresentados por Cubatão foram concretos: mais de 3 milhões de metros quadrados de manguezais recuperados, ações de saneamento que vão barrar o despejo de milhões de litros de esgoto no estuário, e programas de urbanização socioambiental capazes de retirar milhares de famílias de áreas de risco e entregar moradias dignas. Estudos conduzidos em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para alcançar a neutralidade de carbono e projetos de adaptação baseados na natureza, como o conjunto de casas flutuantes da Vila dos Pescadores, também integraram o portfólio de soluções exibidas pela cidade. César Nascimento partilhou soluções e trocou conhecimento com dirigentes de outros países durante painel (Divulgação) A delegação manteve agendas com representantes da China, Coreia do Sul, França, Argentina e Peru, além de encontros com bancos e fundos ambientais, contatos que abriram espaço para cooperações técnicas e investimentos. Cidades industriais demonstraram interesse em replicar o modelo cubatense, e estão previstas visitas de delegações estrangeiras para formalizar protocolos de intercâmbio. “A disposição deles é grande, especialmente pelas nossas ações ambientais e pela recuperação dos ecossistemas locais. Ficaram encantados ao conhecer o símbolo do Guará-Vermelho e o que ele representa para nossa comunidade”, contou a vice-prefeita. Vale ressaltar que o polo industrial de Cubatão já opera com diesel 100% renovável e querosene verde, e há projetos em curso para transformar o município em centro de produção de hidrogênio verde. “Não é sobre se adaptar, é sobre ser protagonista”, reforçou o prefeito César Nascimento, que participou de painel na Blue Zone, no Pavilhão Brasil. Durante a sua apresentação, ele destacou que, no passado, o impacto da poluição deixava marcas profundas. “Toda a riqueza produzida não chegava à população, que era empurrada para as palafitas e morros, vivendo em condições subumanas”. No entanto o cenário social é outro atualmente, garantiu Nascimento ao exibir os resultados de um dos maiores projetos de urbanização socioambiental da América Latina com a retirada de 5.300 famílias de áreas de risco, a recuperação de mais de 1 milhão de m² de Mata Atlântica e a entrega de milhares de moradias e obras de saneamento que vão eliminar o despejo de 2 milhões de litros de esgoto por dia no estuário. E todos esses avanços foram conquistados sem apoio de fundos internacionais. “O que fizemos pela Mata Atlântica e pelos manguezais merece a mesma atenção e o mesmo nível de investimento global. É um pleito por justiça climática”, disse, ao explicar a pauta levada por Cubatão à COP30. Para ele, a experiência de Cubatão mostra que é possível unir desenvolvimento industrial, justiça social e preservação. “Nossa cidade venceu a etapa da poluição extrema. Hoje, Cubatão é a cidade verde do mundo, a cidade vale da vida”. Para a vice prefeita, a presença de Cubatão na COP reforça o seu papel como referência em responsabilidade ambiental (Divulgação)