Coopercub existe desde 2001 e evita que materiais vão para aterros (Divulgação) No Sítio Cafezal, em Cubatão, um movimento silencioso, mas de grande impacto, está transformando o destino de milhares de toneladas de resíduos sólidos. A Cooperativa de Trabalho de Catadores de Materials Recicláveis de Cubatão (Coopercub) restaura itens que muitos não querem e é uma alternativa de trabalho para catadores de materiais recicláveis. Com isso, contribui diretamente para a redução da quantidade de resíduos destinados aos aterros sanitários, diminuindo o impacto ambiental. Criada em 2001, a Coopercub nasceu com dois amigos, Carlos Araújo e Denil da Silva. Ambos estavam desempregados e viram na coleta de lixo uma forma de ganhar dinheiro. De início, chamava-se ABC Marbas e ficava em um quarto na Vila Natal. A dupla puxava carroças e comprava material de carrinheiros. Depois, virou a cooperativa, na Rua Tenente-Coronel PM Geraldo Aparecido, no Sítio Cafezal. Hoje, o equipamento é um dos 200 que fazem parte do programa Mãos pro Futuro, iniciativa da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosmético (Abihpec). Existe há 18 anos e é considerado o maior programa de logística reversa do Brasil. Durante a trajetória, recuperou cerca de 1 milhão de toneladas de resíduos sólidos, e a unidade de Cubatão é um dos pilares desse sucesso. Filha de Denil, Cátia Aparecida Rodrigues da Silva é presidente da Coopercub. “Ainda existe muito preconceito, mas esse trabalho suado é como qualquer outro. (...) Além disso, estamos ajudando o meio ambiente. Conseguimos conquistar um sonho do meu pai, que era atuar em conjunto com a coleta seletiva. Me sinto muito feliz.” Além de ajudar na renda de quem trabalha, a Coopercub também capacita os funcionários, em conjunto com a Abihpec. Reciclagem é Renda Em parceria com a coleta seletiva da Prefeitura de Cubatão, a coleta de resíduos ocorre duas vezes por semana em todos os bairros da Cidade. Para recolhimento de grande quantidade, agenda-se pelo telefone 3361-3177. No ano passado, foram recicladas 100 toneladas de lixo por mês, ou 1,2 mil no ano. Segundo Cátia, desde o início, foram transformadas 1,9 milhão de toneladas de materiais que não serviam para quem jogou fora. O material mais valioso são as garrafas PET, de refrigerante. “O caminhão chega, pega o material e traz para nós. Aqui, o colocamos na esteira, onde separamos cada item. Depois, ele é prensado e vendido. Toda a renda é dividida igualmente para os funcionários e a empresa”. Cada um dos 43 cooperadores recebe R\$ 1,6 mil na maioria dos meses. Na maioria dos meses, cada cooperado recebe por volta de R\$ 1,6 mil; Ana Beatriz, de 21 anos, conheceu o marido ali; esperam um filho (Divulgação) Cooperada quer pagar faculdade A Coopercub reúne trabalhadores de várias idades. Há quem já trabalha ali faz bastante tempo e quem está na primeira oportunidade no mercado de trabalho. É o caso de Ana Beatriz, de 21 anos, moradora do Jardim Costa e Silva, que atua como cooperada. “Foi meu primeiro emprego depois que terminei os estudos. Com ele, consegui comprar minhas coisas. Tenho muito orgulho de trabalhar com isso e quero fazer minha faculdade de Pedagogia trabalhando aqui”, relata. No emprego, Ana conheceu seu marido, Felipe. Esperam um filho para outubro. “Acho que as pessoas deveriam olhar com outros olhos (o que fazemos) e ver que ajuda a Cidade que moram. Nem tudo que as pessoas veem como lixo é lixo. Também é dinheiro para a gente”, diz Ana. Conscientização Além de atuar na coleta e na reciclagem, a cooperativa atua na conscientização, em ações como entregas de panfletos em feiras e bairros movimentados, pelo menos uma vez ao mês. “Levamos de 10 a 15 pessoas para fazer esse serviço. Tem também o dia que o caminhão passa nos bairros e deixa ímãs de geladeira. Também fazemos esse trabalho nas escolas, com uma brincadeira: os alunos trazem materiais recicláveis e, em troca, fazemos uma sessão de cinema. Na última dessas, foram arrecadadas quatro toneladas”, afirma Cátia Aparecida. A próxima atividade será no sábado que vem, no Bolsão 8.