Prefeito César Nascimento (à esquerda) liderou grupo que expôs questões para o vice-presidente (centro) (MDIC/Divulgação) O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), anunciou nesta terça-feira (3) um incentivo de R\$ 2 bilhões para a indústria química brasileira. A medida é considerada estratégica para o Polo Industrial de Cubatão, que enfrenta uma crise e sofreu com a recente paralisação da produção na Unigel Estireno, com a demissão de cerca de 100 trabalhadores. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O anúncio foi feito nesta terça-feira (3) à tarde, durante audiência na qual recebeu uma comitiva que tinha à frente o prefeito de Cubatão, César Nascimento (PSD), que lidera um movimento pela manutenção de empregos na indústria local. O estímulo constará de uma medida provisória (MP) a ser enviada ao Congresso na próxima semana. O dinheiro se somará aos R\$ 1 bilhão já anunciados em incentivos para o setor. A MP foi citada após o grupo tratar dos impactos dos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq). Transformado em lei, o projeto previa R\$ 3 bilhões em incentivos, mas, como havia dito para A Tribuna no dia 23 o relator do projeto na Câmara, deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), o montante não constava no Orçamento da União. A MP reequilibrará o valor do estímulo. “Esta notícia traz alívio ao setor químico e às indústrias de Cubatão. É um fôlego que garante a continuidade do funcionamento das empresas”, disse o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), André Passos Cordeiro, que também esteve em Brasília. “Este incentivo será fundamental para manter as indústrias funcionando. O Polo de Cubatão precisa ser cada vez mais pujante, pelo bem da Baixada Santista e do Brasil”, disse o deputado federal Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), que intermediou o encontro com Alckmin. O secretário de Indústria de Cubatão, Fabrício Lopes, afirmou que, “quando há união de esforços entre o setor produtivo, trabalhadores e Poder Público, o debate evolui e conseguimos avançar, isso também demonstra que Cubatão está na vanguarda na defesa da indústria brasileira”. “A indústria sempre foi o coração de Cubatão. Como prefeito, tenho o dever de defender que elas continuem operando, gerando tributos que garantem a prestação de serviços públicos pela prefeitura e a renda dos trabalhadores”, destacou César Nascimento. Em parte O presidente do Sindicato dos Químicos da região, Herbert Passos Neto, avaliou que a postura do Governo Federal foi proativa. “Embora não tenhamos todo o retorno que queremos, atingimos uma parte da expectativa. Mas não estamos nem na metade do caminho”, disse. Segundo ele, a reivindicação imediata do setor foi atendida, com o compromisso do governo de editar a MP na próxima semana e enviar um projeto de lei complementar, para evitar que a medida perca a vigência e ocorram prejuízos à indústria. Passos disse ter havido forte pressão política durante a ida a Brasília, com a presença de representantes da Prefeitura e da Câmara de Cubatão. Pela manhã, César esteve com Luiz Marinho (à esquerda). Entre os temas, preparação de mão de obra local (Reprodução/Facebook) Qualificação terá apoio Pela manhã, houve reunião com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Ele pôs à disposição do Sindicato dos Químicos e da Prefeitura um grupo que poderá ajudar a fomentar ações de qualificação profissional. Assim declarou o presidente do órgão sindical, Herbert Passos Filho, após uma audiência na qual foram discutidos a perda de postos de trabalho em Cubatão, o fechamento de atividades industriais e os impactos econômicos decorrentes dele, como a redução de arrecadação de impostos e consumo no Município. Apoio à formação Passos também destacou a preocupação com o fato de que empresas que deixam a região não retornam e com a possibilidade de surgirem novos postos de trabalho em outros setores, como a ampliação do porto privado e a construção do túnel Santos-Guarujá, sem que haja mão de obra qualificada disponível. “A gente precisa de um apoio, um projeto de qualificação, uma formation com todo apoio, para que o nosso pessoal possa migrar para outras atividades”, explicou. A estruturar Ainda segundo Passos, a comitiva também levou ao Governo Federal a preocupação com a ausência de uma política industrial estruturada para o setor químico e com a dependência externa de materiais. Como exemplo, mencionou a redução da produção nacional de insumos para a produção de itens como fertilizantes.