Covid-19 adia vacinação de cães e gatos contra raiva no Estado

Medida visa a segurança da população e foi definida em conjunto com os municípios para evitar aglomerações

A secretaria estadual da Saúde adiou a campanha de vacinação contra a raiva para cães e gatos de 2020. A suspensão do calendário em todo o Estado de São Paulo foi definida em conjunto com os municípios paulistas, como ação restritiva de circulação e de proteção contra a Covid-19. 

A campanha de imunização de gatos e cachorros ocorre, anualmente, entre os meses de agosto e setembro. A ação poderá ser reprogramada a depender do cenário epidemiológico do novo coronavírus, e qualquer definição será discutida com os municípios. 

Segundo a pasta, o adiamento das doses para os pets foi discutido entre técnicos da secretaria estadual e as cidades da Comissão Intergestores Bipartite (CIB). A suspensão segue recomendações do Ministério da Saúde, órgão do Governo Federal, que prevê a reprogramação da campanha antirrábica para redução do risco de contágio da pandemia.  

Devido ao risco de transmissão do novo coronavírus em locais que geram aglomeração, as equipes técnicas de saúde estadual e municipais optaram por manter apenas a imunização de rotina. Desta forma, as doses estarão disponíveis apenas nos serviços de saúde municipais ou estabelecimentos médico-veterinários privados, sendo responsabilidade do tutor ou proprietário zelar pela saúde do animal de estimação.   

"Em São Paulo, as ações de vigilância, prevenção e controle da raiva são constantes, e há mais de duas décadas foi eliminada a circulação da variante canina”, explica a diretora do Instituto Pasteur, Luciana Hardt.  

Sem casos 

De acordo com a diretora, o Estado de São Paulo não registra casos de raiva em humanos provocadas pela variante canina desde 1997. A partir do ano seguinte, também não houve mais casos da doença em caninos e felinos. 

Contudo, ela reconhece que casos esporádicos podem ocorrer pela variante de morcego, sendo o último registro de 2018 após contato direto da vítima com morcego infectado (vivo ou morto). “Por isso, é fundamental que esses animais não sejam manipulados caso sejam encontrados nas residências, quintais e áreas com vegetação. O cidadão que encontrar um morcego caído, por exemplo, deve acionar os profissionais de saúde do município, para que recolham e encaminhem devidamente para diagnóstico laboratorial”, complementa.  

Os morcegos são animais silvestres protegidos por lei, e contribuem com o meio ambiente porque agem na polinização de flores, dispersão de sementes, controle da população de insetos. Portanto, não devem ser exterminados em qualquer hipótese.  

Prevenção e atendimento médico  

A prevenção da raiva ocorre por meio do controle da doença nos animais domésticos e da profilaxia no ser humano. Assim, as pessoas ou cães e gatos que tiverem contato acidental com morcegos devem ser prontamente encaminhadas para tratamento profilático. Também é imprescindível procurar um serviço de saúde se a pessoa for arranhada ou mordida por um animal mamífero desconhecido.  

Não há cura para a raiva e é uma doença quase sempre fatal, que pode provocar paralisia, debilidade e outros quadros motores. 

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