Coronavírus mata mais homens na Baixada Santista

Quase 60% das vítimas da doença na Baixada Santista são do sexo masculino

O novo coronavírus tem matado mais homens do que mulheres na Baixada Santista. De cada dez óbitos ocorridos devido à Covid-19, praticamente seis são do sexo masculino. O índice não é exclusividade da região. De acordo com infectologistas, a mesma proporção se repete no Estado, no País e ao redor do mundo, de acordo com estatísticas e diversas pesquisas desenvolvidas durante a pandemia.

“Não há resposta definida. Na verdade, o que a gente sabe é que a mortalidade dos homens é maior do que a das mulheres desde o início da epidemia. Todos os trabalhos têm mostrado isso, na proporção de 60% para eles e 40% para elas”, resume o infectologista Sérgio Feijoo Rodriguez.

Médicos e cientistas tentam bater o martelo sobre as causas que deixam a ala masculina mais propensa a vir a óbito ao contrair a covid-19. Até o momento, os estudos apontam para influência da genética, de hormônios e do próprio estilo de vida como possíveis causas das mortes. “Talvez exista uma relação com a testosterona, que os pacientes do sexo masculino têm mais”, avalia o infectologista Evaldo Stanislau.

Possibilidades

O estrogênio, hormônio sexual feminino, por exemplo, teria um papel importante nisso, uma vez que estimula o sistema imunológico, ajudando no combate a agentes causadores de doenças. 

“Homens possuem um metabolismo mais acelerado e têm um ciclo da testosterona maior, um cenário que leva ao estado pró-inflamatório. Pelo fato de a mulher ter estrogênio, ela acaba mais protegida, o metabolismo é mais lento e tem o corpo menos inflado do que o do homem. Por isso, ela fica menos exposta a infartos e doenças infecciosas, por exemplo”, explica a infectologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo, Lina Paola.

Existem ainda teorias que falam que o sexo feminino procura mais assistência médica de forma preventiva, no dia a dia, enquanto eles protelam mais a ida ao médico. “Se isso tem consequência nessa taxa de mortalidade, é uma possibilidade. Mas ainda não temos como provar que dois mais dois é igual a quatro”, destaca Rodriguez.

>O estilo de vida também consta como um componente importante para essa taxa de mortalidade. “Os homens têm mais pressão alta, mais problemas cardíacos e diabetes. No momento em que a mulher adquire hábitos dos homens, como sedentarismo, vida estressada, alimentação ruim e falta de exercício físico, ela também acaba tendo as chances elevadas. Mas o homem tem mais esse estilo de vida ruim que elas”, informa o médico da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Renato Grinbaum. 

Futuro

De acordo com os especialistas, para se chegar a resultados concretos, será necessário ainda um longo caminho. “Muitos fatores que agora estão sendo atribuídos à covid-19 podem ser um viés, mas precisam de investigação mais apurada, com um número maior de pessoas, com características diferentes e comparando grupos populacionais para chegarmos a uma conclusão”, diz Lina.

Rodrigues finaliza com uma reflexão que diz muito sobre o momento que vivemos. “No caso do coronavírus, cada vez que a gente se aprofunda, a gente tem mais pergunta do que respostas”.

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