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Quinta-feira

13 de Agosto de 2020

Coronavírus deve trazer legado à rede de Saúde

Autoridades da região trabalham para manter parte da infraestrutura criada na pandemia

A Covid-19 já matou mais de 70 mil pessoas no Brasil em quase quatro meses, mas vem registrando, nas nas últimas semanas, queda nos números de casos e óbitos em algumas pontos do País, incluindo a Baixada Santista. Diante disso, surge a pergunta: qual o destino da estrutura montada para atender pacientes que contraíram a doença? Na região, a expectativa é incorporar as aquisições de equipamentos às unidades da rede pública de saúde.

O Governo do Estado preferiu não se pronunciar sobre o pós-pandemia e ressalta o foco no enfrentamento à doença. Em 22 de junho, porém, em resposta para A Tribuna, o governador João Doria (PSDB) ressaltou um legado em meio ao momento que classificou como de “tristes memórias e tristes registros”. 

“O sistema de saúde pública sairá robustecido após essa crise, com mais respiradores, mais profissionais, maior estrutura, melhor conhecimento, detalhamento, operacionalidade e sistema de telemedicina. Tudo isso acelerado em 90 dias”, disse, na ocasião. 

Terras santistas

Em Santos, a Administração Municipal é enfática ao garantir, em nota, que “todos os investimentos na compra de leitos e aparelhos serão aproveitados na rede municipal pós-pandemia”.

Desde março, foram abertos na Cidade 449 leitos para covid-19, sendo 300 clínicos e 149 de UTI. A definição sobre quantos deles serão mantidos ocorrerá conforme a demanda e “manutenção dos repasses de custeio pelo Ministério da Saúde”.

Após a pandemia, os hospitais de campanha serão desativados, mas 120 leitos deles devem se tornar permanentes na rede santista, sendo 91 no Complexo Hospitalar dos Estivadores e 29 no Complexo da Zona Noroeste. Outro benefício é a manutenção de 24 respiradores comprados pela Prefeitura, que diz ter a expectativa de que 30 aparelhos do tipo enviados pelo Estado sigam no Município.

Por sua vez, as prefeituras de Praia Grande, Guarujá e Cubatão dizem que o planejamento delas previam que parte dos equipamentos e leitos adquiridos na pandemia fossem incorporados posteriormente.

Demais cidades

Em Praia Grande, ao final da pandemia, os dois hospitais de campanha (que somam 188 leitos) serão desativados e as novas alas do Hospital Irmã Dulce acabarão equipadas”. No mesmo hospital, onde 30 leitos de UTI foram instalados, haverá um “estudo de viabilidade e adequação ao projeto e às obras de ampliação do hospital”. “O Município recebeu 30 respiradores do Estado, que continuarão sendo utilizados”.

Já o Comitê Estratégico Municipal Covid-19 de Cubatão aponta que, desde o início da pandemia, levou em consideração a ampliação de leitos e serviços como um legado para a Cidade, investindo em estruturas permanentes como o Hospital Municipal. É a mesma linha de Guarujá.

“Todos os equipamentos da estrutura do hospital de campanha (na Base Aérea) acabarão incorporados ao patrimônio da Prefeitura e usados na rede municipal de saúde. Serão mantidos 10 novos leitos de UTI no Hospital Santo Amaro. Na UPA Rodoviária, permanecerão 24 leitos de enfermaria e quatro de UTI, além de 16 em fase de finalização”. 

Peruíbe promete uma reorganização, ao final da pandemia, para oferecer mais qualidade à saúde do Município. “Nossa UPA hoje tem mais condições de atendimento do que antes”, admite a Prefeitura. A Cidade passou de três para nove leitos de emergência, com mais 12 de enfermaria e 11 respiradores, sendo seis emprestados pelo Estado. A ideia é manter o máximo disso. 

SV fará análise em ‘momento oportuno’

Por sua vez, a Prefeitura de São Vicente informou que avaliará “em momento oportuno” como será aproveitada a estrutura montada para atender aos pacientes com coronavírus e na incorporação dos leitos criados para a pandemia: 24 de UTI e 45 de enfermaria. O mesmo ocorrerá com os dez respiradores alugados e 15 comprados. 

“Entre os demais equipamentos adquiridos de forma emergencial para enfrentar a pandemia e que devem ser incorporados, estão monitores, camas hospitalares, oxímetros de pulso, termômetros infravermelhos, escadinhas, armários, carrinhos de emergência e suportes de soro, entre outros”.

São Vicente ainda destacou que, antes da covid-19, os equipamentos eram suficientes para atendimento à demanda. Porém, disse que os respiradores, sozinhos, não são suficientes para o serviço, sendo necessária equipe multiprofissional e demais equipamentos e insumos.

Bertioga demonstra interesse na manutenção da estrutura criada, o que segundo o Executivo será tema de discussões e articulações por parte da gestão municipal. Foram viabilizarmos na pandemia dez leitos de UTI e outros 10 de retaguarda. São 14 respiradores para atendimento, sendo dez deles alugados e quatro cedidos pelo Estado. 

Menor estrutura

Em Itanhaém, a mudança estrutural ocorreu no Hospital Regional Jorge Rossmann, do Estado. Três respiradores também foram emprestados pelo Governo de São Paulo e, segundo a Prefeitura, serão mantidos na UPA. A Administração Municipal espera a manutenção do atendimento na unidade estadual. 

Sem leitos de UTI e com 12 vagas de enfermaria, Mongaguá teve ainda quatro respiradores cedidos pelo Estado e esses equipamentos vão permanecer na Cidade.

Rede Privada

A Santa Casa de Santos e o Hospital Ana Costa atendem grande parte da demanda de casos na região. 

De acordo com a primeira entidade, não houve investimento para a ampliação de leitos, mas a adequação de uma unidade com recursos próprios, pois o hospital já dispunha de todos os equipamentos.

É ressaltado pela Santa Casa, ainda, que a Prefeitura de Santos contratou o custeio de 69 leitos, sendo 39 de UTI. “Ao término desta contratualização, estes leitos serão desativados, pois a instituição já possui uma estrutura adequada de enfermarias e UTIs para os atendimentos do SUS”.

O Hospital Ana Costa, por sua vez, aponta ter alugado respiradores e feito a redistribuição de leitos já existentes para atender a demanda de pacientes com covid-19. “Essas medidas temporárias fazem parte de um plano de contingência que prevê a normalização dos fluxos do hospital conforme o arrefecimento da pandemia”.

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