Recentemente, o biólogo resgatou duas cobras, uma jararaca e uma coral falsa, nas casas de vizinhos e as recolocou em seu habitat na Baixada Santista (Arquivo pessoal) As cobras fazem parte da fauna natural da região metropolitana da Baixada Santista e do litoral de São Paulo e, embora não sejam comuns nas áreas mais urbanizadas, podem eventualmente surgir em quintais, garagens ou terrenos próximos à mata. A presença desses animais costuma gerar medo, mas entender por que as serpentes aparecem e como agir corretamente é essencial para evitar acidentes. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O biólogo Bruno Lourenço, morador de Peruíbe, no litoral de São Paulo, costuma ser acionado por vizinhos quando surgem cobras em suas residências. Na foto acima, estão duas serpentes entre as que foram resgatadas por ele no próprio bairro onde mora. Entre elas, a jaracuçu (Bothrops jararacuçu), espécie peçonhenta de grande porte que pode medir até 2,2 metros, é a maior jararaca do Brasil e se alimenta principalmente de anfíbios e roedores. Jararacas lideram os registros em casas Segundo Bruno, a cobra mais comum de ser encontrada dentro de residências, e que oferece risco, são as jararacas. “Eu já retirei umas jararacas em residências que tinham muito lixo”, afirma. O acúmulo de entulho, restos de materiais e a proximidade com áreas de mata são fatores que favorecem a presença desses animais. "Essas duas que resgatei recentemente tinham acabado de se alimentar de ratos”, completa. As serpentes que costumam aparecer em imóveis da região, explica o biólogo, normalmente têm entre 90 centímetros e um metro, tamanho considerado típico para jararacas jovens ou subadultas. Registros recentes O biólogo costuma registrar em seu perfil no Instagram as solturas dessas cobras. Recentemente, no último dia 10, foi o caso da soltura de uma cobra coral falsa (Erythrolamprus aesculapii) em uma área de mata nativa, após encontrar o animal no jardim de sua própria casa. Mais recentemente, no dia 12, em Bertioga, uma jaracuçu apareceu na residência do supervisor comercial Mauro de Oliveira Matos, que foi ‘alertado’ por sua cadela ao perceber algo estranho no viveiro de sua calopsita. Ele entrou em contato com o Corpo de Bombeiros, que chegou rapidamente à sua casa e realizou o resgate da jararaca. Por que não são comuns em áreas urbanas Apesar dos episódios de captura, Lourenço reforça que ver uma cobra em regiões mais centrais não é habitual. “Há muitos fatores que impedem as serpentes de aparecerem, mas principalmente fatores urbanos e falta de um habitat adequado para elas, além das ações de controle de pragas realizadas na região”, explica. De acordo com o biólogo, cobras procuram abrigo, água e alimento. “Na orla de Santos, nos jardins, por exemplo, não se encontra isso com facilidade”, afirma. Terrenos baldios Locais com mata próxima, terrenos baldios e áreas onde há acúmulo de lixo funcionam como pontos de atração de cobras. “Se for uma área com mata próxima pode aparecer sim”, diz Bruno. Esses ambientes oferecem esconderijo e presença de presas, como ratos, sapos e outros, o que pode levar serpentes a se aproximarem de casas, especialmente no período mais quente do ano. O que fazer O biólogo destaca que a primeira atitude deve ser sempre evitar qualquer tipo de aproximação. “Primeiro passo: manter a distância, se possível não perder contato visual, e acionar os órgãos competentes. Bombeiros, Polícia Ambiental, GCM ou qualquer outro órgão que atenda esse tipo de ocorrência”, orienta. Ele reforça que nunca se deve tentar capturar, tocar ou manipular uma cobra, mesmo que pareça dócil ou esteja imóvel. Outro cuidado fundamental é com crianças e animais domésticos: “Tentar ao máximo deixá-los isolados do local onde estiver a cobra. O fator curiosidade pode ser bem perigoso e eles se aproximarem da serpente”. A recomendação geral é manter afastamento, garantir que ninguém se aproxime e aguardar o atendimento especializado. Como reduzir o risco de aparecimento Embora evitar totalmente o aparecimento de cobras não seja possível em áreas próximas à mata, algumas ações reduzem bastante as chances de serpentes se aproximarem das residências: Manter quintais limpos e sem acúmulo de entulho; Evitar lixo acumulado e controlá-lo adequadamente; Fechar buracos e frestas em muros; Reduzir presença de roedores, principal atrativo para serpentes. O trabalho de prevenção é determinante, mas, quando o encontro ocorre, agir com calma e seguir as orientações do biólogo são o caminho mais seguro, tanto para as pessoas quanto para o próprio animal, que cumpre importante papel ecológico no equilíbrio ambiental.