Cidades da Baixada Santista adaptam estrutura para aulas on-line

Prefeituras adotam plataformas virtuais para superar o desafio de levar ensino a alunos que estão em casa

Como garantir acesso ao material digital e organizar o calendário escolar em meio à pandemia? O que fazer com o aluno que não tem internet para o ensino remoto? Como ajudar a família a tirar as dúvidas dos estudantes em casa? Se a Educação sempre foi movida a perguntas, nessa época de isolamento social por causa do novo coronavírus não faltam problemas a serem resolvidos.

Após a suspensão das aulas, as redes educacionais pública e privada começaram a se organizar para retomar as atividades de forma remota. Na Baixada Santista, as prefeituras implantam plataformas digitais para levar conteúdo pedagógico à casa dos estudantes. Porém, escolas e famílias ainda se adaptam. 

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“Estou trabalhando em casa, no mesmo horário que minha filha faz aula on-line. Então, tive que deixar o meu celular com ela, porque uso o computador. Não tem sido fácil, porque ela tem 10 anos. Então, toda hora vem perguntar alguma coisa”, conta a auxiliar administrativa Sonia Nascimento, moradora de Praia Grande e mãe de uma aluna de colégio particular.

Por outro lado, mesmo para os alunos mais velhos, a mudança não tem sido fácil. Monique Cristina Cardoso da Silva, de 17 anos, é da rede pública de Praia Grande e conta que o momento tem sido de ajustes. “Ainda estamos em processo de adaptação”.

Ela diz que as aulas acontecem de segunda a sexta-feira, mas dar conta de todo o conteúdo de casa tem sido difícil. Principalmente para ela, que também faz as aulas do curso técnico. “São muitas atividades. Espero que tudo volte ao normal o mais rápido possível. Nenhuma tecnologia substitui um professor”.

José Henrique Pereira dos Santos, de 18 anos, concorda. Ele também é estudante da rede pública, mas em São Vicente, e também se prepara para o vestibular. “Com o conteúdo on-line, percebemos a importância de um professor nos auxiliando. Por mais que seja possível mandar mensagem, não é a mesma coisa”.

A escola, segundo ele, ofereceu plataforma virtual e material impresso, mas o aplicativo trava com frequência. Outra preocupação é o processo seletivo para as universidades – em especial, segundo José Henrique, para os estudantes que têm dificuldades para acesso à internet.

Conectividade

A questão do acesso é uma preocupação geral. Conforme o movimento Todos Pela Educação, para evitar a ampliação de desigualdades ao lançar mão de estratégias de ensino remoto, é fundamental entender que a disposição de recursos tecnológicos é diferente entre os distintos perfis socioeconômicos dos alunos, e quem já tem desempenho acadêmico melhor tende a se beneficiar mais. 
“As estratégias de ensino a distância são importantes para redução dos efeitos negativos do distanciamento temporário, mas lacunas de diversas naturezas serão criadas sem a interação presencial. Por isso, as redes de ensino devem planejar desde já ações para a volta às aulas”.

Hora de discutir participação de pais e adoção da tecnologia

O isolamento social trouxe à tona duas polêmicas discutidas há anos na Educação: a participação dos pais na vida dos filhos e a formação de profissionais de ensino para atuar com tecnologia. A esperança é que, no pós-pandemia, o trabalho dos professores seja ainda mais valorizado e as famílias possam ficar mais próximas da escola.

A especialista em Educação Roberta Bento – também fundadora do portal SOS Educação, que traz dicas sobre como lidar com os estudos das crianças – explica que é preciso separar os papéis no dia a dia em quarentena. “O pai não tem que ser professor”.

Quando o filho tiver uma dúvida, a sugestão é que o pai o oriente a procurar um amigo para discutir a questão. Isso, além de fazer a criança trocar experiências sobre o conteúdo, mantém vínculos sociais e estimula a autonomia. Também é possível ouvir o aluno.

“Às vezes, ao formular a pergunta, ele entende melhor o conteúdo. Se não resolver, a orientação é anotar a dúvida e entrar em contato com o professor”.

O outro lado

Nesse cenário, os professores também têm dúvidas. “Colegas me pedem ajuda para utilizar a tecnologia no planejamento de suas aulas”, afirma Mariane Regina Kraviski, mestre em Educação e Novas Tecnologias e professora da Escola Superior de Educação do Centro Universitário Internacional Uninter. 

“Participar desse momento em que os professores têm que readequar prática, estratégias e metodologias para dar aulas reforça a importância da formação do profissional de ensino para usar as tecnologias”.

Assim, depois que tudo passar, será o momento para dar mais valor para a educação a distância (EaD) e oferecer a professores formação complementar voltada à tecnologia. 

Estado investe em plataforma digital e divulga aulas na TV

O Governo de São Paulo adotou o ensino remoto, com internet gratuita para acessar a plataforma, para 3,5 milhões de alunos e mais de 180 mil professores da rede pública.

Por outro lado, além dos dois aplicativos e da produção de manuais de orientações de estudo e da distribuição de kits, a secretaria de Educação fechou parceria com a Fundação Padre Anchieta, que administra a TV Cultura, e as aulas são transmitidas no canal 2.3 pela TV Educação (para os anos finais do Ensino Fundamental e o Ensino Médio) e no canal 2.2 na TV Univesp (para creche, pré-escola e anos iniciais do Ensino Fundamental).

O controle de frequência é feito após o estudante realizar o acesso ao aplicativo com login e senha. Caso ele tenha dificuldade no acompanhamento dos conteúdos, a Secretaria de Estado da Educação oferecerá ações de reforço escolar para garantir a aprendizagem.

O Centro de Mídias de São Paulo teve, até o final da última semana, mais de 1,6 milhão de acessos e 700 mil seguidores nas redes sociais.

 

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