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Sexta-feira

10 de Julho de 2020

Chuva deve diminuir, mas tempo continua ruim na Baixada Santista

Depois do caos registrado na região, Defesa Civil diz que previsão é de situação melhor, sem grandes enchentes nos bairros

A chuva intensa que provocou o caos na Baixada Santista nesta segunda-feira (10) vai diminuir, segundo técnicos da Defesa Civil do Estado e de Santos, e a terça-feira (11) não deve registrar grandes alagamentos. Além de enchentes em todas as cidades, o volume de água deixou desabrigados, invadiu prédios, impediu pessoas de chegarem ao trabalho e em escolas, causou queda de árvores e deslizamentos.

Boletim da Defesa Civil de Santos prevê uma terça-feira com muitas nuvens e chuva persistente, mas com intensidade fraca, alternando com períodos de trégua. O volume esperado é de 30 a 70 milímetros (mm). No meio de semana, a chuva perde força, diz o documento.

O diretor estadual de Proteção e Defesa Civil, tenente coronel Hengue Ricardo Pereira, explica que a Baixada Santista continua nublada, com chuvas em diminuição. “A frente fria já passou e subiu em direção ao Vale do Paraíba, mas a instabilidade vai persistir.  Registramos problemas com alagamentos nas nove cidades da região, mas sem vítimas. A situação pior foi na Região Metropolitana de São Paulo”, afirma.

Apesar da previsão de retorno à rotina, a meteorologista da Ampere Consultoria, Heloísa Ramos Pereira, afirma que a região ainda pode enfrentar um bom volume de chuva nesta terça-feira. “A chuva começa a dar uma trégua a partir de quarta-feira", diz.

Santos monitora locais 

Equipes da Prefeitura de Santos atuam desde sábado (8) em locais afetados pelas chuvas, cujo acumulado das últimas 72 horas (registrado até 18h de segunda) na cidade é de 175,2 mm. Até então, o mês de fevereiro registrou 511,9 mm, índice que já ultrapassa em 75% a média para o mês, de 291,2 mm. O município está em estado de atenção.

Nesta segunda-feira, houve 13 pontos de deslizamento de terra nos morros e queda de um barraco no Morro da Boa Vista. No Morro da Penha, foi necessária a interdição de cinco moradias. Quatro famílias foram para casas de parentes e uma para abrigo da prefeitura. No Bom Retiro, foi necessária a avaliação de uma estrutura. Árvores caíram em ruas do Marapé e dos morros da Nova Cintra e São Bento. Mais de 10 árvores caíram na cidade. Equipes da Defesa Civil fizeram vistoria e monitoramento em vários endereços.

Por causa dos alagamentos, nove escolas municipais na Zona Noroeste, uma no Morro São Bento e uma na Nova Cintra ficaram sem aulas. O Museu Pelé, no Valongo, estará fechado ao público nesta terça-feira porque teve o telhado afetado pelas fortes chuvas e rajadas de vento. 

Outras cidades 

Peruíbe teve 37 pessoas desabrigadas pelas enchentes, que foram acolhidas no Centro Comunitário do Caraminguava. Oito escolas não tiveram aulas. Duas árvores caíram na Estrada do Guaraú, que segue monitorada 24 horas e pode ser interditada conforme chuva forte aconteça, devido ao risco de deslizamentos na serra.

Em São Vicente, onde a água inundou ruas e deixou carros da garagem de um prédio submersos, o total de chuvas do início de fevereiro até às 18h40 desta segunda-feira foi de 564,8 mm, superando o índice de 400 mm esperado para todo o mês.

A Defesa Civil registrou escorregamento no Morro do Japuí, área do Parque Estadual Xixová-Japuí, no Morro dos Barbosas. Os bairros mais afetados por enchentes foram Cidade Náutica, Conjunto Residencial Tancredo Neves, Parque São Vicente, Jóquei Clube, na Área Insular, e Jardim Rio Branco, na Área Continental. No total, 15 pessoas ficaram desalojadas.

Guarujá, até segunda-feira de manhã, registrou 83% da chuva esperada para todo o mês. Houve escorregamento de terra na Vila Edna e na Vila Baiana, com moradias interditadas. Um rolamento de pedras no Jardim Las Palmas ocasionou interdição parcial de uma moradia. Foi detectada, também, uma rachadura em uma casa no bairro Santa Cruz dos Navegantes. Todos sem vítimas. 

Em Itanhaém, houve queda de algumas árvores. Além disso, alagamentos aconteceram nos bairros Cibratel, Gaivota e Umuarama. O município está em estado de alerta. Já em Mongaguá, o bairro em que mais choveu foi Agenor de Campos. Houve pontos de alagamento em vias próximas ao Riacho Barranco Alto, Itaóca e Vila Atlântica. A cidade permanece em estado de atenção 

Em Cubatão, já choveu 22% mais do que o esperado para fevereiro. A Defesa Civil atendeu chamados nos bairros Pilões e Cota 200, áreas muito afetadas pela chuva.  Por outro lado, Praia Grande afirma que não houve ocorrências por causa da chuva.

A Defesa Civil de Bertioga informa que a cidade está em estado de atenção. Não foram registrados chamados por conta de alagamentos, não houve desabrigados e nem desalojados. Foram realizadas vistorias de campo em vários bairros e remoção de árvore caída no Riviera.

Sabesp tem rede prejudicada 

A queda de uma árvore rompeu a linha de alta tensão que fornece energia ao reservatório Cruzeiro, responsável pelo abastecimento de água nos morros santistas da Nova Cintra, Santa Maria, São Bento e Vila Progresso.  A distribuição de água nessa região foi interrompida, mas a Sabesp informou que os reparos foram feitos e que o fornecimento seria restabelecido durante a noite.

As chuvas também danificaram uma válvula instalada na entrada da estação de tratamento de água responsável pelo abastecimento de Guarujá. Os bairros mais afetados foram Morrinhos I, II, III e IV, Jardim Vitória, Jardim Brasil I, II e III e Vicente de Carvalho. A Sabesp informou que também finalizou os reparos no equipamento, mas orienta que as caixas d'água domiciliares sejam dimensionadas para atender aos ocupantes por, no mínimo, 24 horas, conforme normas técnicas para instalações prediais.

* Colaborou Rosana Rife

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