Campanha alerta sobre violências contra crianças e adolescentes no litoral paulista

Ação faz parte da iniciativa Crescer com Proteção, desenvolvida em Cananéia, Ilha Comprida, Iguape, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, São Vicente e Praia Grande

Uma campanha com o apoio da Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) pretende alertar para as situações de violência sexual, do trabalho infantil e da violência física sofridas pelas crianças e adolescentes no litoral paulista. Batizada de “A proteção de crianças e adolescentes está em suas mãos”, a ação é em parceria com Ministério Público do Trabalho (MPT), Agenda Pública e Instituto Camará Calunga.  

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A campanha faz parte da iniciativa Crescer com Proteção, desenvolvida em oito municípios do litoral paulista: Cananéia, Ilha Comprida, Iguape, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, São Vicente e Praia Grande a partir deste ano.  

“É preciso que cada adulto perceba que atitudes violentas são as piores formas de se lidar com uma criança, provocando impactos negativos por toda a sua vida. Proteger cada menino e menina é papel de todos”, explica Adriana Alvarenga, coordenadora do UNICEF em São Paulo. “Também devemos aproveitar este momento para lembrar que a prevenção das violências precisa ser uma pauta prioritária para prefeitos e vereadores que assumem os municípios em 2021”, completa.  

A campanha está em diversas plataformas (como rádio, TV, redes sociais e cartazes), chamando atenção sobre a necessidade de se enfrentar essas violências, mudar posturas e denunciar por meio do Disque 100.    

Dados alarmantes 

Nos oito municípios participantes da iniciativa, foram registrados 238 estupros de vulnerável (crianças e adolescentes de 0 a 14 anos) em 2019 – uma média de quatro estupros contra crianças registrados por semana nos oito municípios. No mesmo período, outros três mil casos de agressão física foram registrados; em média, um caso a cada três horas.  

Se somados os casos dos oito municípios de atuação do Crescer com Proteção, são 3179 ocorrências de lesão corporal dolosa, principal classificação legal que cobre as muitas formas de violência física.    

Em relação ao trabalho infantil, os últimos dados disponíveis (2010) indicam cerca de 11 mil crianças e adolescentes trabalhando de forma inadequada ou proibida; mais de 1400 eram crianças de até 13 anos trabalhando fora de casa.  

Havia ainda nesse grupo mais de 8.500 adolescentes com idade entre 14 e 17 anos trabalhando sem ser na forma de aprendiz – o que representa mais de seis vezes o número de adolescentes trabalhando como aprendizes nesse conjunto de municípios, que eram 1.346 em 2017.   

“O trabalho infantil pode trazer grandes prejuízos às pessoas menores de 18 anos, além de ser a porta de entrada para outros tipos de violência e para a criação de um ciclo de pobreza. A conscientização social e os esforços institucionais são importantes ferramentas para a garantia dos direitos de crianças e adolescentes”, afirma Gustavo Rizzo Ricardo, procurador do MPT.  

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