Varíola do macaco avança pelo mundo e médicos do litoral de SP não descartam chegada ao Brasil

Segundo a Organização Mundial da Saúde, pelo menos 15 países incomuns à doença possuem casos confirmados

Por: Daniel Gois  -  24/05/22  -  14:57
Atualizado em 25/05/22 - 16:36
Estados Unidos, Austrália e países da Europa têm casos de varíola dos macacos
Estados Unidos, Austrália e países da Europa têm casos de varíola dos macacos   Foto: Divulgação

A confirmação de casos da varíola do macaco (Monkeypox) em países da Europa, Ásia e América do norte acendeu o alerta das autoridades de saúde e dos médicos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 15 países já registram confirmações do vírus. Infectologistas do litoral de São Paulo fazem alerta especial para pessoas de baixa imunidade.


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O infectologista Evaldo Stanislau acredita que o vírus deve chegar ao Brasil em algum momento, devido ao contexto global que o país está inserido, mas que não é possível afirmar se haverá um surto. Ele aponta que o vírus está encontrando uma certa facilidade para se disseminar de um país para o outro.


"O que tem de inusitado nesse caso atual é o número de países que estão comprometidos e a simultaneidade. Considero inevitável que ela chegue no Brasil. É um país inserido no contexto global, recebe viajantes do mundo inteiro e brasileiros retornando do exterior. Isso não significa que a gente vai ter um surto, e nem de longe que vai ser igual a covid-19", afirma Stanislau.


Ele cita mulheres grávidas, crianças pequenas, imunodeprimidos e doentes crônicos como populações de risco. Nesses casos, é possível um tratamento com uma medicação antiviral mantida sob controle das autoridades sanitárias e que não é vendida comercialmente.


Incomuns
A médica Elisabeth Dotti destaca a presença da varíola do macaco em países incomuns, como Bélgica, França, Alemanha, Estados Unidos e Austrália. Entre os sintomas, ela destaca a presença de febre, coriza e principalmente bolhas extensas pelo corpo.


“Talvez o vírus tenha sofrido uma mutação e começado a circular, mas ele tá indo muito além do que a gente esperava. Normalmente, a gente não tem um grande número de óbitos, mas a pessoa pode pegar uma infecção secundária e o óbito vir por conta disso”, comenta.


O médico Ricardo Hayden alerta que a varíola do macaco levar a morte se contaminar pessoas de baixa imunidade, como crianças e imunossuprimidos.


“Ele pode matar na medida em que você pega uma pessoa com grau de imunoimaturidade, que seriam crianças pequenas. Você pode ter uma disseminação interna do vírus, atingindo principalmente pulmão e outros órgãos, e ainda em imunossuprimidos”.


Segundo a OMS, a varíola do macaco é uma zoonose silvestre, um vírus que ataca animais, e em casos raros os humanos. Ainda assim, as contaminações podem acontecer. O contato com o vírus se dá através de gotículas exaladas por alguém infectado, seja humano ou animal, e contato com as lesões na pele causadas pela varíola, ou ainda por materiais contaminados, como roupas e lençóis


Monitoramento
Em nota, o Ministério da Saúde reitera que acompanha um caso suspeito de um brasileiro que está na Alemanha, e que já solicitou informações à OMS e ao Ministério da Saúde da Alemanha. A pasta ressalta que, até o momento, não há casos notificados de varíola do macaco no Brasil.


“O Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) enviou aos estados as informações disponíveis sobre a doença até o momento, buscando orientar os profissionais de saúde. A varíola dos macacos é uma doença viral endêmica no continente africano e que, até o momento, não há notificação de óbitos entre os casos detectados em países não endêmicos”, diz o Ministério da Saúde.


A Secretaria de Saúde de São Paulo ressalta que o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) está atento ao cenário para definir estratégias em casos de suspeita.


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