Moradores comentam sobre fumaça tóxica de incêndio na Marina do Forte, em Bertioga

Em chamas, fogo de embarcação se alastrou e atingiu outros barcos

Morador da Rua Francisco Pinto, que fica atrás da Marina do Forte, desde que nasceu, Lucas Pereira, de 24 anos, foi o primeiro da família a ver que a lancha estava pegando fogo. Ele acordou assustado com o cheiro de fumaça e subiu na laje de sua casa para ver o que tinha acontecido.“Subi e vi um dos marinheiros tentando apagar o fogo com um extintor, mas se alastrou muito rápido”, disse o rapaz.

A fumaça preta e tóxica assustouo auxiliar de serviçosgerais,queatésemachucou na hora que desceu para acordar a família. Sua casa tem três quartos e o dele fica justamente mais perto do local das chamas. Sua parede é colada com a Marina.“Esse galpão tem uns três anos.Eles construíram um muro beirando as casas, mas não finalizaram a obra. Minha parede ficou muito quente. Me assustei e corremos de casa”, contou ele.

Medo

Maria Lauraenilde Araújo, de 52anos,morana casahá 35 anos. Mãe de Lucas, ela diz que o medo era que o fogo chegasse à casa. “Meu muro não deveria dar de costas para a Marina.Além do medo do fogo, eu já havia alertado eles sobre isso. Há caixas d’água e, quando chove, causa infiltração na minha casa”,disse. Segundo ela,o escoamento dos canos das caixas da Marina desembocam na sua parede.“Agora, o jeito é ir até a casa da minha irmã para comer, né? Porque nem almoço eu conseguí fazer. Provavelmente só vamos voltar para casa à noite”,arrematou. 

Ao menos cinco embarcações de luxo foram atingidas total ou parcialmente (Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)

Entenda o caso

Um incêndio de grandes proporções atingiu o galpão de estacionamento da Marina do Forte, no Jardim Vicente de Carvalho II, em Bertioga, neste sábado (6). Ao menos cinco embarcações de luxo foram atingidas total ou parcialmente. Não houve feridos e a Defesa Civil da cidade pediu aos moradores vizinhos que não ficassem em casa por causa da fumaça.

O fogo começou por volta das 9 horas, segundo os Bombeiros. “Ainda não é possível afirmar as causas do acidente, mas o provável motivo é que tenha havido um curto-circuito durante uma recarga de bateria, na chamada rabeta (motor) de uma das lanchas”, disse o Capitão dos Bombeiros Rodrigo Carvalho Eulalio. A fumaça pôde ser vista de vários pontos da cidade e também da ponte do Rio Itapanhaú.

Um dos marinheiros que estava no local na hora do acidente disse que é usada uma espécie de extensão da tomada para essas rabetas. “Na hora que começou o fogo nessa lancha 50 pés, um marinheiro pegou o extintor e tentou apagar, mas não conseguiu. Eu cheguei logo após o fogo ter começado e acionamos os Bombeiros. A lancha que eu cuido estava ao lado e já pegou nela”, disse ele, que tem mais de 25 anos de profissão. A lancha que ele cuida é avaliada em R$ 500mil.

O marinheiro está na Marina do Forte há cerca de sete anos. “Foi um incidente mesmo. É difícil entender. Deu curto no barco, provavelmente, mas ele é novo, moderno. O barco que pegou fogo estava aí há mais ou menos dois anos”.

Por volta das 15 horas, o Corpo de Bombeiros ainda combatia o fogo dentro das embarcações (Divulgação/Corpo de Bombeiros)

Um empresário da Capital foi outro dono que teve sua embarcação destruída. A lancha dele é avaliada em R$ 1,5 milhão e estava na Marina há apenas dois meses. “Tenho ela faz bastante tempo, há alguns anos, mas fazia pouco tempo que estava aí. Agora, é ver com a seguradora como será feito”, contou o executivo.

Por volta das 15 horas, o Corpo de Bombeiros ainda combatia o fogo dentro das embarcações e trabalhava no rescaldo do incêndio. A Defesa Civil só permitiu que os moradores voltassem às suas casas após a fumaça ter diminuído. Ao todo, oito viaturas de Santos, Guarujá, Cubatão e Bertioga foram acionadas. Foram 26 homens dos bombeiros atuando no combate às chamas.

O galpão tem aproximadamente 750m2 e havia de 25 a 30 embarcações estacionadas no local. A Cetesb foi acionada para avaliar se houve algum dano ambiental devido aos materiais dispersados pelo fogo das lanchas.

Houve uma avaria na estrutura do galpão, mas ainda não é possível saber se é preciso interditar o local. “Isolamos o quarteirão inteiro nas residências que ficam ao redor da Marina, porque é uma fumaça altamente tóxica, mas, felizmente, não houve atendimentos por inalação da fumaça”, disse o chefe da Defesa Civil da cidade, José Carlos de Souza. Representantes da Marina do Forte não deram declarações até o fechamento desta edição.

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