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Sábado

20 de Julho de 2019

Hortas urbanas estimulam o agroflorestamento em Bertioga

Cidade conta com quatro espaços para plantio de espécies nativas

Terrenos desocupados e baldios ganham nova função após passarem por recuperação em Bertioga. Por meio do agroflorestamento, espaços ociosos da cidade vêm se transformando em hortas comunitárias pelas mãos do projeto Coletivo Permacultura.

O projeto foi iniciado em 2016 por um grupo de amigos, após eles observarem a falta de espaços para cultivo e a presença de terrenos ociosos ou com acúmulo de materiais. A cidade conta com quatro hortas urbanas: Centro, Rio da Praia, Vicente de Carvalho II e Guaratuba. As hortas de Rio da Praia e Guaratuba recebem o apoio da Prefeitura de Bertioga e do Sesc da cidade. Já as outras unidades recebem apoio de moradores.

Uma das características do agroflorestamento é a variedade de espécies concentradas em um mesmo lugar, deixando-o semelhante a uma floresta natural. “Optamos por deixar a horta comunitária mais parecida possível com uma floresta, plantando espécies nativas e alimentos comuns”, explica o fundador do projeto, Guilherme Mahtuk.

São plantados nos locais legumes e verduras que já fazem parte da mesa do brasileiro, como tomate, alface, rúcula e mandioca, mas as hortas urbanas também abrigam plantas nativas que não são alimentos convencionais, como pariparoba, taioba e ora-pro-nóbis. De acordo com Mahtuk, a “monocultura [produção de um só alimento] exaure a terra”.

Nas quatro hortas comunitárias, são cultivados alimentos populares e espécies nativas (Foto: Arquivo Pessoal/Guilherme Mahtuk)

A adubação é feita com a decomposição de matéria orgânica, como a poda de árvores que são deixadas no solo, ou por meio da compostagem, que estimula a produção de húmus com restos de alimentos. A manutenção é feita com o apoio da população e de voluntários do projeto que atuam nos cuidados dos terrenos.

O Coletivo Permacultura também trabalha com a produção de uma colmeia com espécies nativas. Outra atividade do projeto é o incentivo à educação socioambiental. “São passos de formiguinha. A própria comunidade vem abrindo os olhos por causa de questões ambientais, como o uso de agrotóxico. Hoje, é mais fácil conscientizar e incentivar o descarte correto de lixo”, conta o fundador.