Quem cruza a ponte sobre o Rio Itapanhaú, em Bertioga, talvez não perceba de imediato. Mas basta um pouco de silêncio e sorte para descobrir um dos espetáculos mais coloridos que a natureza tem oferecido por ali: o voo de guarás-vermelhos, a árvore-símbolo de uma outra cidade, Cubatão, mas que agora já começa a se fazer presente em outros céus da região. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nos últimos meses, a presença dessas aves, raras no Sudeste e emblemáticas dos manguezais brasileiros, se tornou mais frequente na região. E esse retorno carrega mais significados do que apenas a beleza das revoadas. A paisagem ajuda a explicar o reencontro. O Itapanhaú, ao desaguar no Canal de Bertioga, costura manguezais, áreas alagadas e fragmentos de Mata Atlântica. É um ambiente que guarda o silêncio e a fertilidade que os guarás procuram. Esses mangues escondem o que eles mais precisam: pequenos crustáceos e invertebrados que tingem suas penas com o vermelho intenso que faz com que suas penas, pretas quando jovens, fiquem vermelhas na fase adulta. Preservação A bióloga Mylene Lyra, diretora de Educação Ambiental da Prefeitura de Bertioga, diz que a presença de guarás nos manguezais de Bertioga começou a ser mais intensa durante a pandemia. Ela acredita que tenha relação direta com a recuperação dos manguezais e a oferta maior de alimentos para essa espécie. Esse retorno, contudo, não elimina as dúvidas. Faltam estudos recentes que mensurem quantos guarás estão de fato usando o Itapanhaú como rota ou abrigo. Não se sabe se os bandos representam um movimento de recolonização duradoura ou apenas visitas sazonais em busca de alimento. O que se sabe é que eles escolheram voltar. Educação ambiental Mylene está à frente do projeto Barco Escola Arca do Saber, uma ação da Prefeitura de Bertioga, que conta com uma chalana com capacidade de transportar 37 pessoas. O roteiro dura duas horas de navegação pelo canal de Bertioga e pela Foz do Rio Itapanhaú. As crianças aprendem sobre a importância do manguezal, da preservação dos habitats naturais e a relação do ambiente com o planeta. “É uma aula ao ar livre em que eles aprendem com atividades lúdicas e com muita observação dos cenários”.