Escorpiões foram encontrados em apartamento de prédio em Bertioga (Arquivo pessoal) Escorpiões de uma das espécies responsáveis pelo maior número de acidentes no Brasil foram encontrados dentro do apartamento de uma família em Bertioga, no litoral de São Paulo. Os três aracnídeos estavam em pontos distintos do imóvel: um escondido em um pano de chão, outro na pia e o terceiro no piso. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo relato da filha de um dos moradores, tudo teve início com uma infestação de baratas. Os escorpiões foram encontrados na segunda-feira passada (15) e, de acordo com a mulher, essa não foi a primeira vez que o problema ocorreu no apartamento. “Eles vêm do sótão, do prédio, pela tubulação. Então, acabam entrando ali pelo ralo”. O biólogo Ricardo Samelo explica que a espécie de escorpião encontrada é a Tityus serrulatus, popularmente conhecida como escorpião-amarelo. Como acrescenta o especialista, esse animal não é considerado venenoso, mas, sim, peçonhento. O Brasil abriga diversas espécies de escorpiões, todas dotadas de peçonha. No entanto, os escorpiões do gênero Tityus são os que apresentam peçonha de maior interesse médico, pois, em caso de acidente, o quadro pode se agravar e, em situações mais graves, levar ao óbito. “Lembrando que classificamos os escorpiões como animais peçonhentos e não venenosos. Animais peçonhentos possuem toxina e aparato para inocular a toxina (dentes, quelíceras, ferrões etc.). Já os animais venenosos possuem toxina, mas não têm aparato para inocular”. Escorpião-amarelo Os demais escorpiões brasileiros também podem picar e inocular toxinas; no entanto, em geral, esses acidentes se limitam a sintomas locais, como dor e inchaço. Já as espécies do gênero Tityus possuem uma peçonha de ação mais ampla, provocando não apenas sintomas locais — como dor intensa, vermelhidão, inchaço e sensação de formigamento — como também manifestações sistêmicas. Entre elas estão náuseas, vômitos, agitação, tremores, sudorese, alterações na frequência cardíaca e na pressão arterial e, em casos mais graves, dificuldade para respirar e insuficiência cardíaca, como destaca o biólogo. “Geralmente os acidentes evoluem para uma condição mais grave em crianças, mas também podem afetar de forma severa idosos e pessoas com saúde frágil. Dos escorpiões do gênero citado, o Tityus serrulatus é o que mais causa acidentes no Brasil, pois é o que se encontra em maior quantidade e maior proximidade das cidades”. O especialista complementa dizendo que o ambiente urbano oferece condições ideais para o aumento populacional da espécie, pois traz abrigo e alimento. Esses animais proliferam em terrenos abandonados, em pilhas de entulho, em depósitos de lixo, entre outros espaços, pois os locais oferecem esconderijo e alimento em abundância. Eles são carnívoros e se alimentam de outros artrópodes, principalmente de baratas. Ainda conforme o biólogo, o escorpião-amarelo tem uma peculiaridade reprodutiva: eles realizam partenogênese, ou seja, quando as fêmeas encontram condições ambientais favoráveis, elas fazem ‘cópias’ delas mesmas, produzindo filhotes a partir de óvulos não fecundados. “Neste caso, não existe a necessidade da presença de um macho para a reprodução, facilitando o processo reprodutivo, aumentando assim consideravelmente a população destes animais, que, em alguns locais, acabam se tornando pragas urbanas”, conclui Samelo.