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Quarta-feira

26 de Fevereiro de 2020

Bebê de Santos que nasceu sem imunidade receberá medula de norte-americano

Enrico, de 6 meses, fará transplante no começo de fevereiro. Ele é compatível com um norte-americano

O ano começou trazendo o melhor presente que a família do pequeno Enrico Fonseca Rocha, de seis meses, poderia ganhar. Diagnosticado com imunodeficiência combinada grave (SCID), o bebê, que vive em Santos, conseguiu um doador de medula compatível e fará o transplante no começo de fevereiro.

O drama da família foi contado por ATribuna.com.br em novembro do ano passado. A doença é rara e o deixa sem imunidade, fazendo com que um simples resfriado possa ser fatal. “Estamos comemorando muito. Depois de tanta luta, meu filho está na melhor fase, forte e sem infecções. O cenário é ideal para o transplante”, diz o pai, Diogo de Almeida Rocha, de 35 anos.

O anjo que salvará Enrico é norte-americano e está passando por uma bateria de exames. “A medula saudável virá de avião para o Brasil", explica. Após o transplante, ainda serão mais seis meses no hospital. E, se Enrico for reagindo bem, as visitas ao médico passarão para uma vez por semana, uma vez ao mês até chegar a apenas uma vez ao ano. 

Ajuda

Como a família ainda paga do próprio bolso exames e remédios (já que o plano não cobre), além de uma moradia em São Paulo e transporte para a Baixada Santista, eles pede ajuda com qualquer valor. “Tivemos de alugar um espaço perto do hospital, pois ele ficará aqui depois do transplante. Então, as despesas subiram demais”, desabafa Diogo.

Enrico está com seis meses e trava uma batalha pela vida (Divulgação) 

No caso de Enrico, foram meses de incertezas, desespero e muita angústia. A família levou o bebê a diversos hospitais até que o diagnóstico viesse. De Porto Alegre (RS), o menino veio com a família quando tinha quase um mês para conhecer os parentes de Santos. Foi quando seu quadro de saúde piorou.

“Ele parecia resfriado e tinha diarreia, além de vomitar sempre que mamava. Vários médicos disseram que isso era normal”, explica o pai. 

Bronquiolite, sarampo, bactéria no sangue e intolerância ao leite materno foram alguns diagnósticos. “Em Santos, ele recebeu sete diagnósticos. Sempre aparecia algo novo. Até dizerem que a saída seria levá-lo para São Paulo, mas ele também precisou ganhar peso para ser transferido”. 

A doença
Segundo o pediatra especialista em imunologia Pedro Cavalcanti, nas crianças com imunodeficiência combinada grave, o sistema imunológico praticamente não fornece proteção contra bactérias, vírus e fungos. 

“Isso quer dizer que elas terão, na prática, infecções repetidas e persistentes. Algumas mais simples, outras nem tanto. Então, é comum que esses bebês vivam em local seguro e protegido, livre de infecções”.

O maior problema, segundo o médico, é que a doença pode ser fatal se não for cuidada adequadamente. “As crianças não se desenvolvem adequadamente e a pele delas pode parecer que está descascando. Quem não recebe tratamento morre antes de chegar a 1 ano”.

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