Bebê de 6 meses de idade sofre sem tratamento adequado em Guarujá

Há suspeita de que a pequena Elisa, de Vicente de Carvalho, tenha problema cardíaco, mas rede pública não avança no diagnóstico

A vida de Elisa, de 6 meses, não começou fácil: desmaios, vômitos, convulsões e paradas respiratórias são semanais. A mãe, a dona de casa Suzane de Sousa Santos, de 29 anos, moradora do Jardim Esplanada do Castelo, em Vicente de Carvalho, conta que, a cada crise, há uma corrida por socorro. Porém, até agora, a rede pública de saúde só trata o caso de forma paliativa e suspeita-se que a criança tenha problemas no coração.

Menina tem sofrido com desmaios, vômitos e paradas respiratórias (Foto: Arquivo pessoal)

Suzane diz sofrer com a possibilidade de não conseguir chegar a tempo em um pronto-socorro, para onde a criança vai em busca de oxigênio e injeções de adrenalina. As dificuldades já fizeram a mãe aprender a fazer massagem cardíaca.
“Precisam fazer investigação para saber o que minha filha tem. Ela corre risco de morte. A qualquer momento o coração pode parar e isso me dá nervoso. Não sei o que fazer, só dizem que não há médico especialista nisso”, explica a mãe, que crê que a criança tenha problemas cardíacos. 

Histórico

Elisa nasceu prematura em 8 de janeiro, no Hospital Santo Amaro, em Guarujá, onde ficou três dias internada. Segundo Suzane, assim que a bebê teve alta, os sintomas começaram a aparecer. A partir daí, a vida da mãe virou um desespero.
Em muitas ocasiões, ela procurou socorro na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Doutor Matheus Santamaria (antigo PAM da Rodoviária), em Guarujá. No local, sempre foi medicada, mas mandada para casa ao melhorar.

A bebê chegou a ser encaminhada pela Prefeitura de Guarujá para um ecocardiograma no Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Santos, mantido pelo Governo do Estado, mas Suzane afirma que não conseguiu um especialista para verificar o resultado e indicar tratamento. 

Na última crise, na semana passada, Suzane resolveu abandonar Guarujá e trouxe Elisa para a UPA Central de Santos, onde ela recebeu atendimento e ficou em observação. Segundo a mãe, a conclusão dos médicos da UPA foi de que a criança é cardiopata e precisa ser internada para verificar a necessidade de cirurgia do coração. 

Ainda conforme Suzane, os médicos da UPA Central de Santos pediram internação ao Estado via Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), mas não houve resposta positiva, nem mesmo de unidades da Capital. Diante disso, a bebê foi novamente liberada ao melhorar, sem tratar a causa do problema. 

“Precisam descobrir o que ela tem e tratar. Se a minha filha morrer nos meus braços, quem será culpado?”, indaga Suzane, emocionada. 

Elisa foi levada várias vezes pela mãe à UPA Doutor Matheus Santamaria, em Guarujá, para atendimento (Foto: Irandy Ribas/AT)

Autoridades tentam explicar o que trava atendimento para a paciente

A Prefeitura de Guarujá diz que o atendimento de Elisa foi feito conforme o protocolo do Ministério da Saúde, e os exames não indicaram alterações que apontassem para doença cardíaca.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde acrescenta que os exames solicitados à mãe não foram apresentados, o que dificultou a sequência do caso. Informou, ainda, que “será feita busca das informações voltadas ao acompanhamento da mãe e recém-nascida”.

O Hospital Santo Amaro disse que o parto foi cesárea “por indícios de sofrimento fetal (provavelmente pela cardiopatia congênita)”. Sobre a alta, afirma que foi seguido o protocolo.

Já a Prefeitura de Santos e a Fundação do ABC, entidade que cuida da UPA, explicaram que a paciente recebeu alta “graças à melhora do quadro clínico e a família foi orientada a buscar a rede da cidade de origem (Guarujá) para tratar a doença da criança”.

Já o Estado afirma que o caso da paciente está sob responsabilidade da regulação de vagas de Santos. “O Município pediu auxílio para vaga em cirurgia cardíaca, porém a Cross não recebeu informações como o hospital onde a paciente está, que deve ter retaguarda de UTI”.

O Estado diz ainda que Elisa fez ecocardiograma no AME Santos em abril. “O resultado foi entregue à família e, caso necessário, a 2ª via pode ser retirada no ambulatório da unidade”. 

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