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Quarta-feira

20 de Novembro de 2019

Baixada Santista tem seis casos confirmados de dengue todos os dias

Chegam a 1.710 os registros da doença na região no período entre janeiro e setembro; municípios preparam diversas ações

Entre janeiro e setembro deste ano, seis casos de dengue foram confirmados por dia, em média, na Baixada Santista. Isso representa 1.710 pessoas infectadas. Os dados da Secretaria Estadual de Saúde apontam para um crescimento de 14 vezes nos registros da doença na região, em comparação com mesmo período de 2018, quando foram confirmadas 123 ocorrências.

Diante dos números, as prefeituras preparam ou já realizam ações para reverter o quadro, ainda mais com a proximidade do verão. É quando os índices costumam aumentar devido ao clima propício para o desenvolvimento do Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença.

Estão previstas intensificação nas visitas domiciliares, contratação de agentes, investimento na conscientização e medidas especiais. Uma é o controle biológico a ser adotado por Bertioga, onde peixes que comem larvas serão colocados em locais como piscinas abandonadas. A outra é um projeto piloto adotado por Santos, com uma armadilha que infecta e mata mosquitos e larvas.

Mobilização

Ainda em Santos, a Secretaria Municipal de Saúde informa que está prestes a concluir um plano de contingência das arboviroses (dengue, chikungunya, zika vírus e febre amarela) para 2020. Hoje, às 9 horas, ocorrerá uma caminhada de mobilização contra o Aedes aegypti. A concentração será na Igreja do Embaré. 

Outro Município que cita medidas é São Vicente. A Prefeitura informa que os agentes realizam vistorias pela Cidade, em residências, unidades escolares, de saúde, igrejas e pontos como ferros-velhos, borracharias e cemitérios, locais com grande densidade de criadouros. Também diz realizar um trabalho de comunicação com palestras e orientações no setor da saúde.

Em Bertioga, a Administração Municipal informa que a Associação Amigos da Riviera de São Lourenço contratará agentes temporários para a temporada de verão. Além disso, informou que vai intensificar as visitas em pontos estratégicos e visita à imóveis. Também informa que começará um controle biológico, com peixes larvófagos, que são predadores das larvas do Aedes aegypti.

Concurso público

Em Guarujá, já há um estudo em andamento do impacto orçamentário, nos cofres municipais, para a realização de concurso público que possibilite a contratação de mais agentes. 

Após a publicação de chamamento, a expectativa é contratar 15 profissionais. A Prefeitura orienta que população receba aos agentes e eliminem os criadouros dentro de casa.

Por sua vez, Praia Grande intensificará as ações em residências para eliminar criadouros de mosquitos e fará intervenções em pontos estratégicos, como cemitérios, desmanches de veículos e borracharias. 

Litoral Sul

Em Itanhaém, o Controle de Endemias garante realizar diariamente visitas domiciliares, ações educativas e bloqueio de nebulização nos bairros. Além disso, há constantes visitas a imóveis especiais e resolução de denúncias e demandas apontadas pela população e unidades básicas de saúde.

Em Mongaguá, a Prefeitura promete intensificar visitas a imóveis nos bairros com maior índice larvário.

Em Peruíbe, os agentes realizam visitas em residências e comércios buscando criadouros orientando moradores a eliminar objetos que possam acumular água. 

Sem resposta

A Prefeitura de Cubatão não respondeu às questões feitas pela Reportagem até o fechamento desta edição.

Retorno do vírus 2 à Baixada explica boom

O médico infectologista Marcos Caseiro não acredita que a Baixada Santista tenha nova epidemia de dengue, apesar do aumento de casos. Segundo ele, os registros podem ter relação com a maior circulação do mosquito Aedes aegypti com o vírus tipo 2 – há quatro tipos.

Caseiro explica que o vírus 2 não circulava pela região há algum tempo. Isso significa que muitas pessoas não tinham imunidade ao agente. 

“Santos foi muito acometida, desde 1997, por epidemias (de dengue). Tivemos praticamente todos os anos epidêmicos. Com essa circulação e a variedade viral, acho interessante dizer que a gente tem uma imunidade de rebanho (para a maioria dos vírus).” 

O médico alerta, porém, que é importante dar atenção maior às crianças. “Elas vão nascendo e não têm essa imunidade” e, portanto, ficam vulneráveis à doença. Caseiro orienta que a população deve manter a consciência em evitar o acúmulo de água parada. 

“Temos que trabalhar a todo momento pela diminuição do vetor. Os cuidados são superimportantes, porque o Aedes não transmite só a dengue, mas zika, chikungunya e viroses emergentes como o mayaro e o oropouche, que poderão circular no futuro.”

Equipamentos com larvicida estão na área do Hospital dos Estivadores (Divulgação/ Prefeitura de Santos)

Armadilha é nova arma contra mosquito

Cinquenta armadilhas com um larvicida e um fungo para matar as larvas e os mosquitos Aedes aegypti foram instaladas na região do Hospital dos Estivadores, em Santos. O projeto piloto teve início em 18 de outubro e vai valer até 15 de janeiro (90 dias). 

O equipamento, da empresa norte-americana Truly Nolen, que atua no controle de pragas urbanas, trabalha com tecnologias holandesa (armadilha In2Care) e alemã (contadora dos vetores). 

Os dois instrumentos já estão em funcionamento. Segundo Marco Antonio Bertussi, engenheiro-agrônomo e diretor executivo da Truly Nolen no Brasil, a armadilha In2Care foi desenhada para ser o melhor criadouro de mosquitos, “uma maternidade”. 

“A fêmea do Aedes entra na armadilha, pousa em uma tela sobre um flutuador, que está em água com um atraente para o mosquito. A tela joga no inseto dois princípios ativos, um fungo (Beauveria bassiana) e um larvicida (Piriproxifem).” 

Ele explica que o larvicida no mosquito entra em contato com a água, que é contaminada, e vai matar as pupas do Aedes (último estágio). Isso ocorre porque os ovos e larvas também atraem mosquitos. 

Em relação ao fungo, ele vai matar o vírus dentro do mosquito e o vetor, depois de oito a dez dias. “Queremos que ele (o mosquito) continue visitando outros criadouros, porque a fêmea estará com o larvicida no corpo e visitará outros locais que serão contaminados”, explica Bertussi.

Ainda segundo ele, tanto o larvicida quanto o fungo não fazem mal aos animais, só aos mosquitos e larvas.

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