Santos solicitou ao Ministério da Saúde a habilitação de mais sete leitos de UTI no Estivadores, em maio (Sílvio Luiz/Arquivo AT) A Baixada Santista deveria ter 1.780 leitos de enfermaria para adultos a mais do que dispõe hoje. Se esse número adicional estivesse disponível, a quantidade de vagas de internação seria quase o dobro da atual — há 1.852, quando deveriam ser 3.632, pelo menos. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os dados são do ano passado e integram um levantamento entregue pela Secretaria Estadual de Saúde a secretários municipais em uma Oficina de Regionalização promovida em 2024 em Registro, no Vale do Ribeira. O cálculo leva em conta uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), pela qual deve haver de três a cinco leitos hospitalares para cada mil habitantes. Do déficit de 1.780 leitos na região, são 1.213 no Sistema Único de Saúde (SUS) e 567 na iniciativa privada. Entre os 1.852 leitos existentes, a maior parte está no SUS, com 1.026; a rede privada fica com 826, informa, em nota, a Secretaria de Saúde de Santos. Em parte, a defasagem explica uma realidade apresentada por A Tribuna em reportagem de 28 de setembro: pacientes que procuram unidades de pronto atendimento (UPAs) santistas acabam retidos por até 72 horas, conforme relatou o secretário municipal de Saúde, Fábio Lopez. De acordo com o secretário, as UPAs de Santos recebem cerca de 1,2 mil pessoas por dia. Na Cidade, há em torno de 600 leitos hospitalares. “É uma questão matemática. Quando há uma procura além do esperado nas UPAs, tanto de moradores de Santos quanto de cidades vizinhas, inevitavelmente há uma espera para o acesso ao leito hospitalar. Dessa forma, pacientes que deveriam permanecer até 24 horas na UPA acabam ficando mais tempo aguardando internação”, explicou. Segundo o titular da pasta, o déficit dificulta tanto o encaminhamento de pacientes das UPAs quanto o fluxo de internações em unidades de terapia intensiva (UTIs) — para as quais não há déficit, com 403 vagas em 2024, ante 360 necessárias. Possíveis soluções Fábio Lopez afirma ter levado o assunto ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em maio. “Solicitei a ele a habilitação de sete novos leitos de UTI no Hospital dos Estivadores”, relata. Ele salienta que o aval do Ministério da Saúde é necessário para que haja um leito habilitado pelo SUS. Também se pediram à Secretaria de Estado da Saúde mais leitos de enfermaria no hospital, gerido em parceria entre Estado e Prefeitura. Mas, de acordo com Lopez, o secretário estadual, Eleuses Paiva, informou que neste ano a ampliação não seria possível, diante de demandas de Bertioga, cujo hospital municipal será ampliado, e Peruíbe, onde um novo será erguido. Bertioga A Prefeitura de Bertioga informou que, com a ampliação do Hospital Municipal Santa Teresinha, haverá dez novos leitos de UTI. O Governo Estadual informou ter investido cerca de R\$ 62 milhões, em um convênio com repasses por 31 meses e no qual serão abertos mais leitos de enfermaria, quatro salas de cirurgia e se comprarão equipamentos. Peruíbe Em Peruíbe, a Administração Municipal comunicou que o novo hospital vai dispor de 72 leitos. Conforme noticiado por A Tribuna no dia 1º, o Hospital de Peruíbe teve obras concluídas deve abrir no próximo trimestre. Uma organização social o administrará. Ministério nega haver solicitação do Estado Em nota, o Ministério da Saúde informou que, apesar da reunião do secretário de Saúde de Santos com o ministro Alexandre Padilha, ainda não há solicitação registrada pelo Estado de São Paulo para novas habilitações de leitos na região. “O único pedido em análise é de reclassificação de dois leitos de UTI Pediátrica em Cubatão, já autorizado pelo Ministério da Saúde e aguardando publicação em portaria”, esclareceu a pasta. Ainda conforme o Ministério, na região, há 3,8 mil leitos gerais cadastrados, dois quais 2,1 mil ofertados pelo SUS, segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (Cnes). A Secretaria Estadual da Saúde não mencionou a abertura de novos leitos na região, mas disse que, desde o início da atual gestão, chegou a 6,4 mil unidades, tanto novas quanto reativadas, em hospitais próprios e filantrópicos paulistas.