[[legacy_image_48963]] O aumento no número de casos de coronavírus na região já começou a ter reflexos nas internações e, consequentemente, na ocupação de leitos. O detalhe é que, em algumas cidades, foram fechadas vagas exclusivas para pacientes com sintomas da doença. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Em um mês, houve um aumento de 10% na taxa média de ocupação de leitos covid-19 em Santos ainda que, nesse período, tenha ocorrido uma redução de 3,14% nas vagas ofertadas (de 796 para 771). A Cidade passou de 61% dos leitos ocupados para 71% nos últimos 30 dias. Entre os 408 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a ocupação era de 70% em abril e, dos 399 disponíveis este mês, 75% estavam ocupados. Já no SUS, a taxa era de 56% em abril e, na rede privada, de 87%. Este mês, a taxa era de 61% no SUS e, na rede privada, 92%. Para o secretário de Saúde de Santos, Adriano Catapreta, percebe-se aumento da ocupação de leitos, em especial de UTI da rede privada nas últimas semanas. "A rede particular tem mais flexibilização de abertura e fechamento de leitos conforme a necessidade. Com relação às vagas municipais, estamos com uma taxa que ainda não nos indica urgência de mais leitos". Mesmo assim, segundo ele, os indicadores são acompanhados diariamente. "É muito importante que a população siga tomando todos os cuidados e se conscientize que não basta ter leitos para vencer a covid, pois 60% das pessoas que vão para a UTI, intubam, e 80% das que intubam, morrem”. Peruíbe tem hoje 100% da taxa de ocupação, o que era 21,4% um mês atrás. O detalhe é que havia o dobro de leitos para esses casos. Hoje, a Cidade já pensa em ampliar a oferta de vagas. "Há uma semana notamos que aumentaram os casos consideravelmente e as vagas em nossos hospitais de referência já estão demorando mais a sair. Isso tem nos preocupado muito", explica a secretária de Saúde, Mariana Trazzi. Situação delicada Já em São Vicente, o aumento foi na ocupação de UTI, de 60% para 90% das dez vagas disponíveis no Hospital São José. Na enfermaria, houve queda de 51% para 49%, ou seja, de 19 para 18 pacientes em 37 disponíveis. A secretária de Saúde, Michelle Santos, explica que, apesar das dificuldades, os munícipes que precisam de cuidados tem sido atendidos. "Vivemos uma situação de alerta constante, porém com o monitoramento diário conseguimos acompanhar como o vírus se manifesta na Cidade. Este ano, já chegamos à superlotação dos leitos, mas não estamos com fila de espera para internações agora". Também houve aumento da ocupação nos 22 leitos de enfermaria de Bertioga, de cinco para 12 pessoas no mesmo período. Já nas dez vagas de UTI, a queda foi de seis para uma pessoa. Em Mongaguá, oito dos 22 leitos de enfermaria estão ocupados. Em abril, eram apenas dois pacientes internados com covid-19. As vagas de UTI da Cidade estão em hospitais de referência de outras cidades. Diminuição Por outro lado, Guarujá teve queda de ocupação de 47% para 38% em um mês, ou seja, de 33%. A Cidade reduziu de 90 para 60 internados. Este mês, são 33% em enfermaria e 52% em UTI e, em abril, eram 43% em enfermaria e 60% em UTI. “O Município vive hoje um momento de estabilidade nas internações, que se comparado a segunda quinzena de abril, representa até uma redução. Não queremos ver uma nova onda de casos, por isso a população deve continuar fazendo a sua parte", pede o secretário de Saúde, Vitor Hugo Canasiro. Ele, aliás, garante que não faltará assistência. "Nosso Hospital de Campanha, em Vicente de Carvalho, está com a estrutura montada para, caso haja necessidade, receber pacientes novamente”. Já em Itanhaém, não houve mudança na taxa de ocupação em um mês, assim como em Cubatão. A Prefeitura de Praia Grande não respondeu até o fechamento desta edição. Especialistas O infectologista Evaldo Stanislau explica que, sem dúvida, a situação é um reflexo de mais pessoas estarem circulando nas ruas. “Quem gosta e ganha com isso é o vírus. Abre-se tudo com base na ocupação de leitos, mas deveriam ser levados em consideração a taxa de população vacinada e em taxa de circulação do vírus”. Ele explica que, com o aumento de circulação, aumentam-se os casos, as internações e as mortes. “A menos que a gente dê um passo atrás e adote medidas mais restritivas. Precisamos quase nos afogar para tomar decisão dessas? Ou podemos tomar decisões duras e difíceis antes e evitar tudo isso?”, questiona o especialista. Quem concorda com ele é o infectologista Marcos Caseiro. “Nós já esperávamos aumento na ocupação dos leitos. O Dia das Mães foi determinante para o início desse processo. Na verdade, se abriu tudo. nem temos mais isolamento. Está todo mundo na rua”. Para ele, as pessoas ainda não entenderam a gravidade da situação que vivemos. “Nem 50% da população foi infectada, então não é momento para abrir tudo como está sendo feito. Estamos tendo aumento de casos e teremos muito mais. Será algo assustador. No meu plantão de final de semana vi saltarem de dois pedidos por leitos para 30. Isso claramente se refletirá em mortes lá na frente”. Estado Questionada sobre o hospital de campanha que o governador João Doria (PSDB) anunciou no dia 8 de março para Santos, a Secretaria Estadual de Saúde informou que, devido a alta demanda por gases medicinais na rede de saúde de todo o País, estão em andamento as tratativas para a instalação dos equipamentos para o fornecimento desses insumos com o objetivo de ativar um hospital de campanha no Ambulatório Médico de Especialidades (AME). "A Secretaria tem atuado para salvar vidas e combater a pandemia do novo coronavírus. A pasta estadual já repassou no ano passado cerca de R\$ 1,5 bilhão à Baixada Santista, além de R\$ 1 milhão neste ano, para auxílio no combate à covid-19", informou nota enviada à Redação.