Na região, Santos tem a menor taxa de mortalidade no trânsito, com 11,25 óbitos a cada 100 mil habitantes (Vanessa Rodrigues/AT) A Baixada Santista registrou queda de 26,44% nas mortes no trânsito no primeiro quadrimestre do ano em comparação com o mesmo período de 2024. Os dados são do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP). Na soma dos registros nas nove cidades de janeiro a abril, foram 64 óbitos em 2025 e 87 no ano anterior. Em seis cidades, houve redução das mortes: Bertioga, Guarujá, Mongaguá, Praia Grande, Santos e São Vicente. Já em Peruíbe, os dados indicaram estabilidade. Por fim, em Cubatão e Itanhaém, mais mortes este ano em comparação com mesmo período de 2024. Conforme o Detran-SP, Itanhaém mantém a maior taxa de mortalidade no trânsito da Baixada Santista nos últimos 12 meses, chegando a 29,78 vítimas fatais a cada 100 mil habitantes. Por outro lado, Santos registrou a menor da região, marcando 11,25. Quanto ao perfil das vítimas fatais, em sua maioria, são homens e, principalmente, mais jovens: entre 20 e 24 anos. No público feminino, a faixa etária também é com maior número de mortes na Baixada Santista. Dos homens vítimas fatais no trânsito, 60% eram motociclistas. Das mulheres, 8%. Perigo constante Fatores comportamentais costumam estar ligados às taxas de mortalidade no trânsito, em especial excesso de velocidade e o uso de álcool na direção. Isso é o que explica a coordenadora de dados da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, Mariana Novaski. Locais com grandes movimentações de pessoas, como shows e jogos de futebol, onde frequentemente há presença de álcool, precisam ter mais fiscalização viária, explica a especialista. Um maior controle desta situação, segundo ela, se dá pela análise dos números antes de tomar ações preventivas. “Entender o que está acontecendo, observar os padrões, as tendências, identificar principalmente os locais onde esses sinistros estão acontecendo.” Esse levantamento possibilita identificar os pontos mais críticos para que os municípios ajam de forma assertiva, indica. “Os sinistros costumam ter um padrão. A gente observa vias em que sempre acontecem, cruzamentos em que sempre acontecem. E a gente não precisa esperar um óbito acontecer.” Mariana sugere um combo de ações: fiscalização, comunicação e educação. Além disso, também recomenda que as prefeituras vistoriem a infraestrutura viária e identifiquem se há problemas. Mortalidade entre homens O perfil de homens entre 20 e 24 anos tende a ser o com mais vítimas e na Baixada Santista esse padrão não é diferente. Mariana enfatiza que diversos fatores levam a isso. “É uma idade muito produtiva. São pessoas que estudam, se movimentam muito pela cidade, trabalham e estão muito expostas. Há também uma questão de gênero. Isso se deve, em parte, a uma maior presença de homens conduzindo veículos, especialmente motocicletas, que são mais perigosas.” Outros fatores citados por ela são uso de álcool, excesso de velocidade, uso de celular no volante e a autoconfiança do jovem. Esses pontos expõem a faixa etária ao risco. A comunicação é o principal ponto de prevenção e educação no trânsito. “O público precisa estar bem informado. Precisa saber o que é certo, estar convencido dos procedimentos de segurança: uso de capacete, cinto de segurança, respeito aos limites de velocidade. Mas também é essencial ter fiscalização”, comenta. Campanha O Detran-SP informou, em nota, que trabalha para aumentar a segurança viária e reforçou a implementação de campanhas educativas voltadas aos públicos mais vulneráveis do trânsito. No primeiro trimestre deste ano, segundo o Detran-SP, 125 mil pessoas foram impactadas diretamente por iniciativas do tipo nas ruas de mais de 100 municípios do Estado. Ao longo de 2024, foram mais de 1.200 iniciativas, com a abordagem de 400 mil moradores do Estado. Com o objetivo de intensificar o combate à alcoolemia, o departamento destacou que, nos primeiros quatro meses de 2025, houve aumento de 55,8% nas fiscalizações, em comparação ao mesmo período do ano passado, com 173.667 condutores fiscalizados. Mortes no trânsito – Baixada Santista Comparativo entre janeiro e abril de 2024 e 2025 Local 2024 2025 Bertioga 4 1 Cubatão 6 9 Guarujá 10 4 Itanhaém 8 11 Mongaguá 6 3 Peruíbe 4 4 Praia Grande 21 13 Santos 14 11 São Vicente 14 8 Baixada Santista 87 64 Fonte: Detran-SP