“Uma boa conversa do CVV é aquela na qual a pessoa que está ligando tenha liberdade, tempo e receba o respeito" (Flávio Hopp) O número de ligações feitas da Baixada Santista para o Centro de Valorização da Vida (CVV) aumentou 34,5% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Há um viés positivo: são mais pessoas procurando ajuda contra problemas relacionados à saúde mental, o que reflete o esforço dos últimos anos em derrubar o tabu relativo, principalmente, à prevenção ao suicídio — o motivo da campanha Setembro Amarelo. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que, em média, 38 pessoas cometem suicídio por dia no Brasil. A campanha “é uma oportunidade para que a gente possa discutir e fazer reflexões com responsabilidade. Falar, simplesmente por falar, pode ser um estímulo à multiplicação (de casos). Mas, falar com responsabilidade funciona como prevenção”, explica Renato Caetano, representante do CVV em Santos. Conversa com responsabilidade consiste, basicamente, em tratar o assunto com seriedade, e escutar com atenção a dor do outro. Isso se relaciona ao tema da campanha neste ano, na região, que é A Atenção Aproxima as Pessoas. Estar atento, às vezes, é fazer silêncio. “Uma boa conversa do CVV é aquela na qual a pessoa que está ligando tenha liberdade, tempo e receba o respeito para poder falar. Eu posso ficar a maior parte do tempo em silêncio, mas é porque estou prestando atenção; estou ouvindo a história”, comenta Caetano. Todos podem Prestar atenção é algo acessível. “O que um voluntário do CVV faz, todo mundo pode fazer”, afirma. Isso não diminui a importância do órgão; é uma forma de destacar que o cuidado tem que ser diário, constante e praticado por todos. “A gente entende que a prevenção não deve ser feita, necessariamente, com alguém que chegou naquele momento extremo. Porque partir para o suicídio é um processo emocionalmente muito doloroso. As pessoas têm que estar sofrendo demais para ter essa ideia”, diz Caetano. As conversas Todas as conversas são anônimas, sigilosas e diversas. “Liga para a gente a filha que não consegue se relacionar com a mãe ou o pai. A esposa que é desprezada pelo marido. O pai ou avô que começa a perceber que ele é mais um móvel que atrapalha dentro da casa onde mora com os filhos. Essas histórias, essas pessoas, precisam de atenção”, finaliza.