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Quarta-feira

5 de Agosto de 2020

Baixada Santista perde 13,8 mil empregos em cinco meses

Postos de trabalho foram fechados de janeiro a maio deste ano, aumento de 601% em relação a 2019

O número de empregos perdidos na Baixada Santista aumentou 601,4% de janeiro a maio de 2020, em relação ao mesmo período do ano passado. Nos cinco primeiros meses de 2019, 1.969 vagas foram fechadas (45.243 admissões contra 47.212 desligamentos). Este ano já são 13.811 postos de trabalho a menos (33.328 contratações e 47.139 demissões). 

Considerando apenas o mês de maio, a perda de empregos aumentou 146,9% na região. Este ano foram 2.961 postos fechados, contra 1.199 em 2019. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Governo Federal, e considera apenas trabalhos formais, com carteira assinada.  

>> Confira os dados acumulados e o comparativo mensal por cidades

A alta significativa no fechamento de vagas reflete diretamente os efeitos da pandemia no mercado de trabalho. O setor mais impactado de janeiro a maio deste ano foi o de Serviços, com o término de 5.983 colocações (19.765 admissões e 25.748 desligamentos). Na sequência, fica o Comércio, que acabou com 5.618 empregos (8.598 contratações e 14.216 desligamentos).  

Santos foi a cidade que mais perdeu empregos, tanto no acumulado do ano (-4.942), quanto no mês de maio (1.326). Isso porque o município é o mais populoso da região e o que concentra a maior parte dos campos de trabalho. 

O economista e professor universitário Jorge Manuel de Souza Ferreira afirma que a pandemia trouxe um elevado contingente de desempregados, que medidas de ajuda e flexibilização trabalhista implantadas pelo Governo Federal não conseguiram impedir. “A quarentena provocou a falência de algumas empresas. Outras atividades, bem reduzidas, também demitiram parte de seus quadros”, diz o economista.  

Segundo o economista Luciano Nakabashi, da Universidade de São Paulo (USP), a Baixada Santista foi uma região muita afetada pela pandemia. “Na incerteza, muitas empresas fizeram o desligamento dos empregados, principalmente nos setores de serviço e comércio”. 

Para Fábio Sartori, especialista em Recursos Humanos (RH) e mercado de trabalho, a situação era esperada porque houve uma grande queda da demanda. “Pode ser pior nos próximos meses, porque temos muita gente com contrato suspenso. Como será um ano de sobrevivência (de empresas), pode ser que essas pessoas acabem demitidas também”. 

Para Ferreira, as perspectivas não são boas. “Ainda é cedo para projetar tendências. A possibilidade de recuperação pode ser prevista quando houver significativa queda nos casos de coronavírus”. 

Estado e País 

O Estado de São Paulo perdeu 339.554 vagas de emprego com carteira assinada nos cinco primeiros meses de 2020. Foram 1.965.761 admissões e 2.305.315 desligamentos. Somente em maio, foram 103.985 postos fechados (236.123 contratações e 340.108 demissões). 

No Brasil, o acumulado do ano chegou a 1,144 milhão de postos formais de trabalho. No mês passado houve 703.921 admissões e de 1.035.822 desligamentos, retração de 331.901 vagas.  

 

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