Baixada Santista diverge do estado sobre ocupação de leitos de UTI e retomada econômica

Segundo prefeituras, região não deveria ser inclusa na fase 1 de reabertura do comércio prevista pelo governo de São Paulo a partir do dia 1º

A reação dos prefeitos da Baixada Santista foi imediata ao anúncio do Governo do Estado, na tarde desta quarta-feira (27), que colocou a região na fase 1 do plano de retomada econômica e manteve as restrições da quarentena. Os chefes de executivos realizaram reunião e questionaram os dados informados pelo Palácio dos Bandeirantes, sobre taxa de ocupação de UTIs e isolamento, pontos avaliados para a decisão de flexibilização.

Segundo os prefeitos, os municípios estão dentro dos índices estabelecidos para as primeiras flexibilizações, com menos de 60% das UTIs ocupadas e dentro dos 55% estabelecidos como margem segura de isolamento. O Estado, por sua vez, aponta que há algum cálculo errado – a conta deve levar em consideração os leitos municipais, particulares e estaduais. 

A Reportagem apurou junto às cidades, entre terça (26) e quarta-feira, os índices em questão. Excluindo da conta Mongaguá, que não respondeu à demanda, apenas Santos com 64,8% e Praia Grande com 90% apresentaram ocupação acima do limite. O segundo município, porém, informou que dispõe de 20 vagas de UTI em unidade particular, mas não revelou números.

As demais cidades apresentaram a seguinte ocupação de UTI: São Vicente (34,7%) e não tem dados de unidades particulares, Bertioga (10%), Cubatão (40%) e não tem leitos particulares, Itanhaém (50%) e sem leitos privados. Guarujá tem 41% de vagas preenchidas, mas revela que a rede particular está saturada. Peruíbe, por sua vez, não conta com UTIs.

Taxa de isolamento

Afora Peruíbe e Bertioga que têm menos de 100 mil habitantes e, portanto, não são avaliadas pelo Sistema de Monitoramento Inteligente (SimiSP), as demais cidades ficam com a taxa de isolamento entre 53% e 55%. O Ranking segue da seguinte forma: Santos (53%), São Vicente (54%), Guarujá (54%), Praia Grande (54%), Cubatão (55%) e Itanhaém (55%). 

O monitoramento é feito através dos celulares em parceria entre o Governo do Estado e quatro operadoras de telefonia móvel. 

Desastre

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista da Baixada Santista (SinComércioBS), Omar Abdul Assaf disse estar decepcionado com a posição do Governo do Estado. Ele garante que os comércios não vão suportar mais tempo com as portas fechadas. “Melhor decretar a falência de todos. Vai ter um cemitério de lojas, fora o prejuízo das mercadorias, muitas delas perecíveis”.

O sindicalista ainda faz um alerta: “a hora que abrir São Paulo (Capital), as pessoas daqui vão (subir a Serra) comprar em shoppings e lojas. Vai ser um desastre total. Além de não ficarem em isolamento, é dinheiro que deixa a região”.

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