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Sexta-feira

28 de Fevereiro de 2020

Aposentados vão à luta por aumento no valor das pensões

Entidades buscam caminhos para manter o pagamento integral para viúvas e viúvos do país

No Dia Nacional dos Aposentados, comemorado nesta sexta-feira (24), a categoria promete voltar à luta. A batalha este ano será em busca do pagamento integral para pensionistas. O valor do benefício foi cortado para pouco mais da metade durante a reforma da Previdência, proposta pelo Governo Federal e aprovada pelo Congresso Nacional em 2019.

A redução representa a segunda maior rasteira dada pela União a quem pendurou as chuteiras e deixou a ativa, segundo entidades que representam os aposentados.

“Primeiro, as aposentadorias foram desvinculadas do número de salários mínimos, no Governo FHC. A partir daí, ganhamos menos da metade do que seria devido. Agora, com a nova reforma, querem pagar metade às pensionistas. É uma atrocidade”, diz o presidente da Associação Nacional dos Aposentados (Anapi), Antônio Carlos Domingues da Costa.

O presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, João Batista Inocentini, engrossa o coro. “Essa mudança foi uma grande derrota para os aposentados nos últimos tempos. É muito injusto e prejudica os mais pobres”.

Agora, viúvas e viúvos recebem 60% da aposentadoria do cônjuge falecido. Outros 10% podem ser acrescentados, caso haja filhos menores, até o total de 100%.

“Quem tem filho com até 18 anos depois dos 50 anos ou 60 anos? São casos raros. As viúvas não vão sobreviver com praticamente metade do valor da aposentadoria”, acrescenta o presidente da Confederação Brasileira dos Aposentados (Cobap), Warley Gonçalles.

Se o benefício do companheiro for de R$ 2 mil, por exemplo, a pensão será de R$ 1.200 - uma perda de R$ 800 por mês para o cônjuge. “Essa medida prejudica muito e não é justa, pois contribuímos com uma regra que não previa isso. Agora mudam tudo para quem já estava há muito tempo no sistema”, reclama Antônio Carlos.

Saída

As entidades vão procurar soluções para evitar perdas a viúvas e viúvos do país. Para a Cobap, a saída será o lançamento de um abaixo-assinado para pressionar deputados federais e senadores a criarem uma lei que altere a nova regra. “Vamos nos mobilizar para que os parlamentares revejam essa situação”, avisa Warley.

A Anapi e o Sindicato dos Aposentados analisam caminhos que levem o tema à esfera judicial. “Todo mundo sabe que não é a reforma que vai resolver o problema do Brasil. Vamos ter que ir para a Justiça tentar consertar isso”, avalia Inocentini.

Sem descanso

O valor das aposentadorias também é outro problema que tira o sono dos segurados do INSS no Dia Nacional dos Aposentados. Tanto que continuar a trabalhar, mesmo depois de ter adquirido o direito ao benefício, tem se tornado cada vez mais comum.

É o caso da doméstica Maria Aparecida de Souza. Ela se aposentou há cerca de seis meses, assim que completou 60 anos. Mesmo assim, não está em seus planos parar de trabalhar. “Tenho dois filhos e sempre sustentei a casa. Agora eles são adultos, me ajudam. Mas pago aluguel e tem as outras despesas. Ainda não dá para deixar de trabalhar”.

Mário Gonçalves, de 78 anos, deixou a ativa em 2004 e, desde então, comanda um táxi. “Esse dinheiro serve para eu conseguir ter momentos de lazer e ajuda a passar o tempo também”.

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