Santos é uma das cidades da Baixada Santista que tem atraído interesse na hora de alugar um imóvel (Matheus Tagé/Arquivo AT) A casa própria sempre foi o sonho de muitas pessoas, mas os dados mais recentes divulgados pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP) mostram que essa é uma realidade distante nas cidades da Baixada Santista. De acordo com a pesquisa, o número de vendas está em retração, enquanto famílias vêm trocando de endereço para pagar menos e migrar para regiões periféricas. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o levantamento, o número de aluguéis na região disparou em maio, subindo mais de 45% em relação ao mês anterior. Esse avanço contrasta com o cenário das vendas, que caíram 9,97% no mesmo período, ampliando uma retração acumulada de 55,33% no ano de 2025. No mercado de locação, 63,5% dos contratos assinados no mês estavam na faixa de R\$ 1,5 mil a R\$ 2 mil. Além disso, a pesquisa apontou que, entre os inquilinos que encerraram seus contratos em maio, 50,6% mudaram para aluguéis mais baratos, enquanto apenas 14,5% conseguiram a mudança para imóveis com aluguel mais caro. Os demais não informaram o motivo. As garantias exigidas também apontam para soluções mais acessíveis: o depósito caução foi usado em 64,5% dos contratos, enquanto o seguro fiança representou 21,1% e o tradicional fiador apareceu em apenas 2,6%. Casa compacta e fora do centro A pesquisa também revela um padrão bem definido do que o público tem procurado. Casas e apartamentos de 2 dormitórios, com área útil entre 50 m² e 100 m², dominam a preferência tanto entre os imóveis vendidos como entre os alugados. Em termos de localização, as regiões periféricas concentraram 58,8% das locações, seguidas pela região central, com 21,2%. Já as chamadas áreas nobres representaram apenas 20%. O sonho da casa própria Mesmo com parte das vendas ainda acontecendo, o volume segue abaixo do que se via em anos anteriores. Em maio, 65% dos imóveis vendidos foram apartamentos, principalmente de 2 dormitórios, com valores entre R\$ 200 mil e R\$ 300 mil. A forma de pagamento também chama atenção e mostra que as pessoas estão menos dispostas a assumir financiamentos longos. Foram 37,5% das compras feitas à vista, enquanto apenas 13,8% ocorreram via financiamento pela Caixa Econômica Federal, e 26,3% por outros bancos. Por outro lado, 20% das transações foram feitas diretamente com os proprietários. Pesquisa também coloca Praia Grande entre os municípios mais buscados (Nirley Sena/Arquivo/AT) Por trás dos números O presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, afirma que “a Baixada Santista segue como uma das regiões mais dinâmicas do estado de São Paulo, com um mercado imobiliário muito aquecido no setor de locação e com boas oportunidades para compra, especialmente em imóveis bem localizados e de médio padrão”. Projetos como a modernização do Porto de Santos, os avanços na linha verde de mobilidade urbana, além de melhorias no sistema viário, nas praias e nos espaços públicos, foram justificados como forma de valorização dos bairros e meios eficientes de atrair tanto investidores quanto novos moradores, especialmente em cidades como Santos, Praia Grande e Guarujá.