Alta da pandemia prejudica turismo de fim de ano na Baixada Santista

Setor hoteleiro viu expectativas frustradas diante do aumento de casos e regressão para a fase amarela

Quando os casos de coronavírus começaram a diminuir, em agosto, os empresários do setor hoteleiro da Baixada Santista ficaram animados com a volta dos turistas.  A passagem para a fase verde do Plano São Paulo, no início de outubro, parecia consolidar o crescimento na procura pelos hotéis e anunciar um dos melhores fins de ano da última década. Mas a contaminação voltou a subir, veio a regressão para a fase amarela no último dia 30, e as melhores expectativas deram lugar a uma enorme frustração.  

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O presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes (SinHoRes) da região, Heitor Gonzalez, era um que estava confiante que turismo de curta distância, em que a pessoa usa o carro, iria trazer um número recorde de turistas para a Baixada e fazer o setor recuperar os meses perdidos. 

“Até o início de novembro estávamos antevendo um final de ano maravilhoso. Os hotéis se prepararam com contratações, reformas, protocolos testados. Vínhamos numa maré muito boa. Mas estamos na metade de dezembro e a situação deu uma reversão muito grande por causa do aumento da covid e das medidas tomadas pelo Estado e prefeituras”. 

Segundo ele, de setembro até novembro, os hotéis ficaram cheios aos fins de semana. “Já não vivemos esse momento. As reservas para Natal e Ano-Novo estão 50% mais baixas em relação ao ano passado. Em alguns lugares as praias vão fechar no fim do ano, em outros não pode colocar guarda-sol e cadeiras. As famílias com crianças e idosos acabaram cancelamento as reservas”.  

O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Turismo (ABIH), Ricardo Roman, que é de Guarujá, diz que é impossível fazer previsões com as mudanças constantes implantadas de acordo com os números da pandemia.  

“Na fase verde, a expectativa era superar o ano passado. Na amarela, é igualar. Mas tudo depende de como estará a pandemia nos próximos dias. Os hotéis estão seguros, tem protocolos, higienização dos quartos, distanciamento e colabores com EPIs (equipamentos de proteção individual)”, diz Roman. 

Ela afirma que os hotéis estão com 60% de ocupação. “Na fase verde a demanda estava em alta, na fase amarela diminuiu. As pessoas não estão indo viajar ao Exterior e o turismo doméstico é o primeiro a voltar na retomada, isso vinha acontecendo e deu uma freada”.  

O secretário de Turismo do Estado, Vinicius Lummertz, afirma que a Secretaria tem monitorado a expectativa de viagens desde outubro. “O que notamos é um movimento mais acentuado no chamado turismo de segunda residência, que é forte em todo o litoral. São moradores da Grande São Paulo que devem ir não apenas para Santos, mas para outros destinos praianos, de Ilha Comprida a Ilhabela” 

Ele lembra que a orientação é os deslocamentos não se traduzam em “aglomeração que coloque em risco as famílias. Comemorar de forma contida e respeitando o distanciamento é melhor decisão no momento”. 

Estradas 

A Ecovias, que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), afirma que precisa estar preparada e planejou sua estrutura de atendimento considerando dados históricos de tráfego, que apontam para movimentação de 380 a 590 mil veículos em direção ao Litoral na semana do Natal (21 a 27/12) e de 420 a 640 mil veículos na semana do Ano Novo (28/12 a 3/1). 

“A Ecovias entende que a pandemia ainda é uma preocupação e, portanto, deveria inibir viagens. Por conta desse contexto totalmente atípico, a previsão para o período de final de ano também traz um certo grau de incertezas. As estimativas não consideram possíveis alterações provocadas pela evolução da Covid-19 nos próximos dias”.  

A concessionária aconselha seus usuários a evitarem aglomerações de qualquer tipo e usarem máscaras sempre que estiverem em locais com mais pessoas, mesmo que seja em ambientes abertos, como praias. 

 

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