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Segunda-feira

9 de Dezembro de 2019

Alta da carne já acumula 40% na Baixada Santista

Preço subiu nos últimos dois meses. Festas de fim de ano podem aumentar ainda mais os valores

A fome dos chineses, a redução do número de animais para o abate, o dólar em alta e a especulação no mercado formaram uma combinação explosiva para o preço da carne bovina, que subiu cerca de 40% nos últimos dois meses, segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

Mário Alves, dono de um açougue no Humaitá, em São Vicente, conhece o cenário na prática. Desde outubro, viu os preços dispararem. A cada compra, recebe uma tabela diferente. Só no mês passado, foram quatro reajustes sucessivos. Resultado: uma alta de 62%. E as vendas caíram mais de 50%, segundo ele. “Tive cliente que fez encomenda e, quando viu o valor, deixou a mercadoria no balcão”.

Para reduzir os custos, pecuaristas elevaram o período de confinamento para engorda dos animais, o que representou menos oferta na praça. Daí, a novidade surgida da Ásia surpreendeu o mercado “e criou um descompasso no preço. Afinal, com 1,3 bilhão de habitantes, 1% de aumento nas importações chinesas, que seja, já representa uma montanha de carne”, brinca o professor de Economia da Fatec de Praia Grande, João Carlos Gomes.

Mais 

Nesse cenário, chegam, agora, as festas de fim de ano – outro componente que deve aumentar o valor do bife de cada dia – também devem impulsionar o valor do frango e de cortes suínos.

As exportações brasileiras de carne suína, por exemplo, subiram expressivamente em outubro, segundo o Centro de Pesquisas Econômicas (Cepea). 

No mês passado, venderam-se 67,3 mil toneladas de produtos suínos para o mercado externo, 17,8% a mais do que em setembro.

“Para a China, especificamente, o volume de outubro somou 25,5 mil toneladas, crescimento de 14,7% frente ao mês anterior e de 81% em relação a outubro/18”, informou, em nota, o Cepea.

Apesar de pesar no bolso do brasileiro, a alta no preço da carne não deve representar um impacto no custo de vida como um todo, avalia o diretor da Associação dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira.

“A inflação não deve ter esse impacto grande porque há outros setores que tiveram redução e vão fazer um contraponto na balança”, pondera.  

Respiro 

A mudança nessa rota pode ocorrer devido à retomada da carne de frango norte-americana também destinada à China. Os Estados Unidos anunciaram negócios de R$ 1 bilhão (R$ 4,21 bilhões), o que deve aplacar a voracidade chinesa. A Abrafrigo espera que os preços da carne bovina comecem a cair logo, com equilíbrio a partir de janeiro.

Apetite chinês 

A China aumentou a compra de carne brasileira, principalmente bovina. No mês passado, 13 novos frigoríficos tiveram autorização para isso, aumentando para 102 o número de exportadores. A mudança ocorreu após o país enfrentar redução na oferta interna, principalmente da carne de porco, por causa de um surto de peste suína africana. A doença matou mais de 7,5 milhões de animais na Ásia este ano.

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