Com temperaturas mais altas, clima favorece proliferação do vetor (Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) Com a aproximação da primavera, período marcado por temperaturas mais altas e aumento das chuvas, prefeituras da Baixada Santista reforçam as ações contra o mosquito Aedes aegypti. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O avanço do clima favorece a proliferação do vetor da dengue, chikungunya e zika, e cada cidade prepara estratégias específicas para enfrentar a doença nos próximos meses. Em Santos, a Prefeitura tem mantido ações permanentes de combate ao mosquito, como mutirões, nebulização, uso de drones, visitas a imóveis especiais e fiscalização em áreas com grande circulação de pessoas. Segundo o secretário municipal de Saúde, Fábio Lopez, o foco agora é intensificar ainda mais o trabalho. Só neste ano já foram realizados 34 mutirões, contra 27 em todo o ano passado. “Se houver necessidade, vamos ampliar novamente. É a presença dos agentes nos bairros, porta a porta, orientando e eliminando focos. Isso fez diferença nos resultados”, afirmou. Até agosto de 2025, Santos registrou 4.353 casos de dengue, número inferior aos 5.308 de 2024. Nos dois anos, houve quatro mortes cada, com os óbitos de 2025 concentrados entre abril e junho. O secretário destacou ainda as dificuldades enfrentadas pelos agentes. Mais de mil recusas de entrada foram registradas neste ano. Segundo ele, muitos moradores alegam insegurança ou medo de sanções, mas reforçou que não há caráter punitivo. “As visitas são avisadas previamente, os agentes estão uniformizados e a atuação é educativa”, disse. Outra prioridade do município é ampliar a vacinação. Apenas 28% do público de 10 a 14 anos tomou as duas doses. Para tentar aumentar a cobertura, Santos fará em 20 de setembro um Dia D de vacinação, com postos no Parque Roberto Mário Santini, na Praça Bruno Barbosa e em cinco policlínicas. “É muito mais barato investir em vacina do que em leitos hospitalares”, frisou Lopez. São Vicente Em São Vicente, o trabalho é contínuo, inclusive no inverno. O coordenador da Unidade de Vigilância Epidemiológica, Daniel Lima Sopa, explicou que as equipes estão setorizadas em 24 das 26 Unidades Básicas de Saúde, com visitas a cada dois meses. Além disso, cerca de 100 agentes se dividem entre equipes fixas e móveis para cobrir todo o território. Em outubro, será feito um levantamento rápido para medir a infestação larvária e identificar os bairros mais críticos, o que orientará tanto as ações de campo quanto as educativas, como palestras e atividades teatrais em escolas e comunidades. De janeiro a agosto deste ano, São Vicente confirmou 2.601 casos de dengue e cinco óbitos, contra 1.228 casos e cinco mortes no mesmo período de 2024. A vacinação está disponível em todas as UBSs e no posto do Brisamar Shopping. Assim como em Santos, a recusa dos moradores é um desafio. Estima-se que 30% das residências não permitam a entrada dos agentes. “A gente entende a preocupação com segurança, mas há canais para confirmar a identidade. O que precisamos é da parceria da população, porque não adianta só tecnologia se não houver colaboração dentro das casas”, destacou. Imóveis de temporada fechados ainda são um desafio Em Bertioga, o maior obstáculo é o grande número de imóveis de veraneio fechados. Segundo o diretor de Vigilância em Saúde, Ivan Machado, em três ciclos de visitas foram contabilizadas 73 mil tentativas frustradas de vistoria. “É um número muito alto, que prejudica o trabalho de prevenção”, disse. A cidade registrou 49 casos de dengue e dois óbitos em 2025, contra 2.066 casos e três mortes em todo o ano passado. Para tentar reduzir os riscos, a Prefeitura contratou uma empresa que utiliza drones para identificar criadouros e aplicar larvicida. Além disso, agentes realizam mutirões. O município prepara para os próximos meses novas edições da ação “Catatrecos”, que recolhe móveis e materiais descartados após a orientação dos agentes. Guarujá intensificou as vistorias nas áreas com maior índice larvário (Divulgação/Prefeitura de Guarujá) Outras cidades Em Praia Grande, foram registrados 1.193 casos e três óbitos entre janeiro e agosto de 2025, contra 2.295 casos e seis mortes no mesmo período de 2024. Entre as ações, estão bloqueios de criadouros, nebulização, soltura de peixes barrigudinhos, uso de armadilhas ovitrampas e vacinação. Guarujá registrou 2.962 casos e um óbito neste ano. Em 2024, foram 8.603 casos e seis mortes. A cidade intensificou visitas em áreas com maior índice larvário, promoveu palestras e prepara novos mutirões. Haverá também reforço em cemitérios e hotéis. Em Cubatão, foram confirmados 149 casos em 2025. As ações incluem visitas a residências, comércios, áreas industriais e praças, com bloqueio de casos confirmados. Na cidade de Itanhaém, foram registrados 823 casos e um óbito neste ano, contra 6.277 casos e nove mortes no mesmo período de 2024. A cidade programou ações educativas em escolas, empresas e bairros, além de bloqueios e levantamento de densidade larvária em outubro. Em Mongaguá, entre janeiro e agosto de 2025, foram 508 casos confirmados, sem mortes. No mesmo período de 2024, foram 904 casos e três óbitos. Entre as iniciativas, estão parcerias para vistoriar imóveis de veraneio, instalação de selos em casas desocupadas e o Projeto Citronela nas Escolas. Por fim, em Peruíbe, foram confirmados 413 casos e dois óbitos em 2025, contra 1.987 casos e nove mortes no ano passado. As ações incluem panfletagens, palestras, bloqueio mecânico de criadouros e visitas a imóveis estratégicos.