Água, muitas leituras e uma só versão

Edição de A Tribuna desta sexta-feira (22) traz um caderno especial sobre o Dia Mundial da Água

Desde os povos antigos - aqueles que desfilaram pelas aulas de Geografia e História na educação básica -, grandes civilizações se desenvolveram às margens dos rios: os vales do Rio Nilo, no Egito; a Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates; o Rio Indo, no subcontinente indiano; os rios Huang-ho e Yang tsé-kiang, na China, entre tantos outros.

Confira na edição desta sexta-feira (22) de A Tribuna um caderno especial sobre o Dia Mundial da Água. Vá até a banca mais próxima e adquira um exemplar a partir de R$ 3,50.

Aulas de Geografia e História sobre antigas civilizações nem sempre são fáceis quando se tem 8 ou 10 anos. Mas elas começam a fazer todo sentido quando se é adulto, com os problemas contemporâneos batendo à porta através de notícias e fóruns de discussão. O capítulo “Água” das cartilhas infantis passa a ter um significado ímpar. Quer no Gênesis da Bíblia ou na letra do quase-hino de Guilherme Arantes, a água tangencia a história da humanidade em todas as fases de seus mais de dois mil anos.

Hoje, Dia Mundial da Água, este caderno é um convite ao leitor. Mais que falar sobre a necessidade de usar com parcimônia e inteligência, as 24 páginas que se seguem podem servir como um guia de boas práticas, um guia didático que fala de onde vem, para onde vai, como reusá-la, o que tem sido feito pelo mercado para dar conta dos desafios domésticos, como funciona o sistema de tratamento e destinação final dos efluentes, onde as cidades reservam a água. Enfim, uma verdadeira cartilha, como aquelas em que, na infância, aprendemos sobre o ciclo da água desde o momento em que a consumimos até quando evapora e vira nuvem.

Para elaborar este guia, começamos com uma pesquisa de comportamento feita em Santos pelo Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT). Queríamos saber, antes de tudo, alguns hábitos do cidadão comum e quanto ele tem de conhecimento sobre o tema.

Na média, o resultado é bom: 47% disseram reaproveitar água em alguma medida no ambiente doméstico; 75% disseram reutilizar a água da máquina de lavar; 52% se disseram muito preocupados com uma possível escassez de água no futuro; 67% sabem diferenciar a rede de água pluvial da rede de coleta de esgoto.

Mas ainda há, também, muita informação desencontrada: 7% acham que o abastecimento doméstico vem da dessalinização da água do mar; 35% acham que a falta de balneabilidade das praias está relacionada à poluição despejada pelos navios do Porto; 19% pensam que o esgoto produzido em casa vai para os canais.

Fazer pesquisa é sair do achismo, da suposição. É direcionar as campanhas para onde elas precisam atuar, é desmistificar conceitos. É desfazer equívocos de informação.

Na semana em que a Organização das Nações Unidas divulgou o mais novo relatório sobre o desenvolvimento mundial da água, é preciso parar e refletir: mais de 2 bilhões de pessoas carecem de serviços de saneamento básico. De acordo com o relatório, apesar do progresso nos últimos 15 anos, o direito à água potável segura e limpa e ao saneamento é inacessível para grande parte da população mundial.

No quesito água, o Brasil é privilegiado, e a Baixada Santista, bem servida pelo regime de chuvas na Serra do Mar, mais ainda.

É tempo e há tempo para assim nos mantermos. A água é democrática. Limpa e tratada, deve ser igual para todos.

Guarde este guia, leitor. Há nele muita informação útil para que o Dia Mundial da Água se estenda aos outros 364 do ano.

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