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Segunda-feira

19 de Novembro de 2018

Cirque Du Soleil traz "Ovo", o primeiro espetáculo dirigido por uma mulher

Carioca Deborah Colker é a responsável pelo show, que chega ao Brasil em 2019

Dez anos foram necessários para que o Brasil recebesse o espetáculo mais brasileiro da trajetória da companhia canadense Cirque Du Soleil, uma das mais prestigiadas do mundo. Ovo, que tem a direção da carioca Deborah Colker, terá temporada em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, entre 7 de março e 12 de maio de 2019. 

Nesta segunda-feira (5), durante o lançamento do espetáculo, na Casa Fasano Buffet, em São Paulo, Deborah Colker falou da emoção de, finalmente, estrear sua produção no Brasil e os aprendizados que teve durante o processo de criação.

“Comecei esse projeto em 2006, mas ele nasceu somente em 2009, assim como o meu neto, o Theo. A dança contava uma história, os movimentos não eram apenas abstratos. E o Gilles (Ste-Croix, guia artístico do grupo) queria trazer esse conceito para o Cirque. Ele queria fazer algo na linha de natureza. E eu perguntei se ele pretendia algo panfletário, um manifesto. Mas ele respondeu que só de falar do tema estava bom”, comentou a coreógrafa, fazendo a ligação da estreia do espetáculo com o nascimento de seu neto, três meses depois, que veio ao mundo com uma doença rara, a epidermólise bolhosa.

Primeira mulher a dirigir uma montagem da companhia canadense, Deborah recebeu um suporte de peso do Cirque Du Soleil. São mais de 100 pessoas trabalhando no espetáculo e 23 caminhões para transportar toda a infraestrutura.

“Quando a gente começou, estávamos ensaiando no estúdio, tinham várias línguas. Cada um dos atores tinha um tradutor. É uma babel de culturas, experiências, você entra em contato com as histórias de cada uma daquelas pessoas. É um processo de criação muito rico. Teve um momento que gritei em inglês para fazerem silêncio, não tinha entendido que cada integrante tinha um tradutor. Ninguém estava conversando, era o pessoal traduzindo”, revelou Deborah, aos risos.

De acordo com a coreógrafa, a montagem de Ovo foi uma grande escola. “Queria muito respeitar minha personalidade, mas o Cirque é a maior fábrica de espetáculos do mundo. No começo eu ficava brigando muito, mas passei a ver quais eram as brigas interessantes, as desnecessárias, e seguimos em frente”.

Apesar de todo o suporte, Deborah conta que também teve muita liberdade para criar. O próprio conceito de Ovo foi ideia dela. “Achei que era uma ideia bacana de interagir as técnicas da dança com os insetos. Por exemplo, as três aranhas mostram todo o contorcionismo. Cada um tem o papel importante nesse universo”.

A História

Na história do espetáculo, quando um ovo misterioso aparece em seu habitat, os insetos ficam maravilhados e intensamente curiosos sobre esse objeto icônico que representa o enigma e os ciclos de suas vidas. É amor à primeira vista quando um inseto desajeitado e peculiar chega nessa comunidade movimentada e se depara com uma joaninha fabulosa, a Ladybug. 

O elenco de Ovo é composto por 50 artistas de 14 países, incluindo quatro brasileiros, especializados em diversas acrobacias.

Deborah conta também que um dos desafios encontrados com essa história era criar um espetáculo que fosse atemporal e contemplasse todas as idades, tendo em vista que o Cirque Du Soleil costuma rodar o mundo todo com as suas montagens. No caso de Ovo, mais de 5 milhões de pessoas já acompanharam a produção. “Sabia que estava trazendo teatro, dança, música, dramaturgia dentro do espetáculo como estávamos há tempos fazendo por aqui”.

Acostumada a trabalhar diretamente com bailarinos, Deborah revelou que pediu mais acrobatas dessa vez. “A ideia era um circo mais com a minha maneira de fazer espetáculo. Descobri como o inseto come, cheira, corre, se diverte. A dança estava a serviço de contar uma história”. 

Quando estreou o espetáculo em Montreal, em 2009, Deborah disse ter alcançado o seu objetivo. “O espetáculo me dá muita alegria. Essa é uma palavra muito importante para mim na cultura. E conseguimos isso, explorar, divertir, curtir. É alegria”.

Apesar de frisar que não é um espetáculo brasileiro, Ovo chamará atenção pela trilha sonora. O compositor e produtor musical carioca Berna Ceppas não poupou nas referências brasileiras, com muita bossa nova, samba, xaxado, funk, entre outros ritmos.

Serviço

Em São Paulo, o espetáculo será apresentado no Ginásio do Ibirapuera, entre os dias 19 de abril e 12 de maio. A pré-venda para clientes Bradesco será entre esta sexta-feira (9) e o próximo dia 30. A venda geral tem início no dia 3 de dezembro. Os ingressos ainda não tiveram seus valores revelados pela produção. A venda será pelo site