[[legacy_image_293341]] É hora de parar. Aos 85 anos, assim decidiu um dos mais conceituados pianistas brasileiros, que por mais de 60 anos se apresentou em recitais no Brasil e no mundo: José Eduardo Martins, que se despede do público na noite desta quinta-feira (31), a partir das 20 horas, e escolheu a Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, como cenário desse capítulo especial de sua trajetória musical. A escolha do local não foi por acaso: é uma homenagem ao amigo pessoal e grande inspirador de sua carreira, o músico santista Gilberto Mendes, falecido em 2016, com quem tocou por diversas vezes, inclusive na própria pinacoteca. Os convites para esta noite já estão esgotados. O pianista se despediu do público europeu em concertos realizados no 1º semestre em Gand, na Bélgica, e em Lisboa, em Portugal. Na programação desta noite, diz José Eduardo, serão lembrados dois mestres santistas da composição, Almeida Prado, que neste ano completaria 80 anos, e Gilberto Mendes. “Depois interpretarei criações de Fernando Lopes-Graça, um dos maiores compositores de Portugal, quiçá o mais significativo da sua história. Tive o privilégio de privar da sua amizade. Franz Liszt e Claude Debussy completarão o programa.” TrajetóriaJosé Eduardo Martins nasceu em 1938 na cidade de São Paulo, onde começou seus estudos com o professor russo José Kliass. Mais tarde, trabalhou durante alguns anos em Paris, com Marguerite Long, Jean Doyen e matérias teóricas com Louis Saguer. Ele tem 25 CDs gravados no exterior e lançados pelos selos Labor (Estados Unidos), Portugaler, Portugal Som/Numérica (Portugal), Esolem (França), PKP e, principalmente, De Rode Pomp (Bélgica). É autor de vários livros publicados no Brasil e no exterior, entre os últimos destaque para Impressões sobre a Música Portuguesa (I e II) (Imprensa da Universidade de Coimbra, 2011/2022) e Série Témoignages nº 4 - le pianiste brésilien José Eduardo Martins (Université Paris Sorbonne, 2012). José Eduardo é também professor titular aposentado da Universidade de São Paulo, doutor Honoris Causa pela Universidade Estatal Constantin Brancusi da Romênia e acadêmico honorário da Academia Brasileira de Música. Recebeu, em Bruxelas, a Ordem do Rio Branco do governo brasileiro. É officier de la couronne da Bélgica, condecoração outorgada pelo rei Alberto II. Em maio de 2016, tornou-se membro honorário da Associação Lopes-Graça de Lisboa.