[[legacy_image_18105]] O estilo não é novo. Ao contrário, vem da primeira metade do século passado. Mas mesmo jovens músicos se encantam com o chamado Gypsy Jazz, como o guitarrista Yan Cambiucci, de 25 anos. A devoção já rendeu frutos. Clique e Assine A Tribuna por R\$ 1,90 e ganhe acesso ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em lojas, restaurantes e serviços No começo do ano, quase de forma experimental, tocou em collab com uma amiga de gosto parecido, numa espécie de produção caseira, divulgada nas redes sociais. Um produtor cultural viu, gostou e os convidou para o Rio Santos Jazz Fest. Animado, Yan chamou um amigo baixista para a nova empreitada. Pronto, estava formado o Yan Cambiucci Trio, uma das atrações desta sexta-feira (4), às 19 horas, do festival, que segue até domingo com ampla programação on-line. Também professor da Luiz Oliveira Guitar Team, Yan Cambiucci toca com bandas conhecidas na região, como Erodelia e Carla Mariana Quartet. Por isso, transita com naturalidade em sons que misturam hard rock, heavy metal e blues. Mas havia a necessidade de explorar outros universos musicais, fruto de uma curiosidade que o move desde os 15 anos, como investigar novos sons, na guitarra ou no violão. Esse mergulho na história dos ritmos o levou para o Gypsy, mais precisamente a Jean Django Reinhardt. “Posso dizer que foi um dos marcos mais fortes na minha vida musical, ao lado de nomes como Guns N’ Roses, Jason Becker, Dimebag Darrel, Coltrane, entre outros. Me atrevo a dizer que todo guitarrista deveria obrigatoriamente conhecer sua obra”. Django era um músico franco-belga, nascido em 1910, que pertencia à cultura Manouche, de onde vem o nome do estilo de sua “criação”, o Jazz Manouche, ou Gypsy Jazz, “que surge com a soma da cultura de seu povo e da cultura e música negra norte-americana”. Aos 18 anos, Django sofreu um acidente e teve um lado de seu corpo queimado, o que lhe deixou com o movimento de apenas dois dedos da mão esquerda. Os médicos de então disseram que ele não poderia mais tocar. Porém, ele contrariou o diagnóstico, “obrigando-se a reaprender a tocar. Isso, ironicamente, se tornou um fator primordial e revolucionário para o som do Gypsy Jazz”, lembra Yan. Aliás, muitos anos depois, foi o cara que inspirou Tony Iommi (Black Sabbath), quando o guitarrista havia perdido as pontas de dois dedos e, como Django, teve a conclusão dos médicos: não voltaria mais a dedilhar a guitarra. Ao saber do episódio, Tony fez dedais e retomou as atividades. O resto da história é metal pesado. A formação Realidade dos tempos atuais, um collab, feito com a cantora Gi Carvalho, teve o retorno do produtor cultural Cássio Laranja, que convidou a dupla para participação no Rio Santos Jazz Fest. “Chamei meu amigo e irmão de som Tanauan Nogueira para o baixo, porque, além de ser um músico excelente, é uma pessoa que, como eu, entende e ama o estilo. E assim o Yan Cambiucci Trio foi formado”, conta ele. “Acima de tudo, sou um compositor e acredito que a música autoral é necessária para qualquer músico poder se conhecer verdadeiramente no seu íntimo como artista”, explica o guitarrista. “Nesse festival teremos dois sons autorais, que foi o que a pandemia me permitiu compor, e nos permitiu ensaiar em tão pouco tempo”. Tanauan é músico com atuação em bandas da região e Gi Carvalho é aluna da professora de canto Carla Mariani, da Escola BlackBird. Apaixonada por jazz, Gi é fã de Ella Fitzgerald, Nina Simone, Billie Holiday e MPB. Nos planos de Yan está a gravação, em breve, de um EP só com músicas autorais do trio e, quem sabe, tocar em outros grandes festivais no Brasil e exterior.