[[legacy_image_340019]] “Superfantástico/No Balão Mágico/O mundo fica bem mais divertido”. Um dia, a diversão acaba e é preciso nascer de novo. Vímerson Benedicto Cavanillas, de 53 anos, nasceu de novo algumas vezes. Antes disso, no final da infância, com o apelido de Tob – codinome formado pelo ‘to’ e pelo ‘B’, de Benedicto – fez parte daquele que foi, ao lado de Xuxa, o maior fenômeno do entretenimento infantil dos anos 80: a Turma do Balão Mágico. “Todo o conteúdo que eu tenho hoje, como artista, muito dele veio do Balão Mágico. Você está com as melhores pessoas que trabalham com figurino, com cenário. De uma certa forma, esse é o mundo a que você pertence”, avalia. Quando saiu do grupo, em 1985, aos 14 anos, Tob se viu diante de um mundo imenso de possibilidades – com toda a excitação, desafio e temor que isso implica. Após trilhar vários caminhos, hoje Tob se dedica às artes plásticas. “Sempre fiquei de olho nas artes urbanas de São Paulo, na crítica social, comecei a achar aquilo muito bacana, além de ser bonito, que alimenta a alma e te deixa bem. Comecei a ir atrás”, recorda. “Descobri que havia uma técnica de pintura chamada estêncil, fiz um workshop, comecei a tomar gosto: é isso o que eu quero fazer da minha vida. Depois fiz cursos de xilogravura e pintura clássica”. Tob têm obras expostas em vários locais, entre eles a galeria ZIV, no Beco do Batman, na Capital. Mas não vamos colocar o carro na frente dos bois: há uma longa história para se chegar até aqui. Vamos viajar nesse balão? O começo de tudoA vida artística praticamente se impôs à vida biológica de Tob. Com 3 anos, levado pela mãe, já fazia comerciais. Logo depois, aos 5, já cantava em programas de calouros e se apresentava em um caminhão, com outros artistas, de cidade em cidade, ao melhor estilo saltimbancos. “Cantava Farofa-Fa-Fa, muito pequeno. Sempre fui tímido, mas o palco me dava muito prazer”. O irmão do meio de Tob também se apresentava no caminhão imitando Elvis Presley. Aliás, o irmão foi a ponte que o levaria ao Balão Mágico. Certa vez, nos bastidores do programa Raul Gil, onde se apresentaria, o irmão ouviu que a então gravadora CBS (atual Sony Music) estava à procura de crianças para um grupo infantil. Oito anos mais velho do que Tob, a idade o impedia de participar. Mas o irmão menor... “A gente fez uma fita comigo cantando e foi na CBS, na (Rua) Teodoro Pedroso de Morais, em Pinheiros. Subimos lá, falamos com a secretária”. Veio a decepção: as audições já estavam encerradas. “Mas a moça foi com a minha cara, ou gostou da minha família, pediu pra gente esperar”. Saiu e voltou com um rapaz. Ele ouviu Tob cantar, pegou a fita cassete, as fotos e disse que, qualquer coisa, entraria em contato. Uma semana depois, Tob já era do Balão Mágico. SucessoTob se reuniu aos seus novos colegas: Simony e Mike Biggs (filho de Ronald Biggs, que fugira para o Brasil após participar do assalto a um trem, na Inglaterra, em 1963). Gravaram o primeiro disco. Lançado em 1982, foi um estouro: vendeu mais de 1 milhão de cópias. Começaram os megashows pelo País, programas de tevê, clipes no Fantástico e um fator que eternizaria o grupo de vez: o interesse da Globo em preencher o horário matutino com uma atração infantil. Em 1983, nascia A Turma do Balão Mágico, o programa. Com isso, a agenda do grupo, que logo contaria também com Jairzinho, tornando-se um quarteto, ficaria ainda mais apertada. “Quando você está passando pela situação, você não tem a noção de um adulto: gravação, show, Chacrinha... você é levado, tem que fazer, vai lá e faz”, recorda. O assédio era brutal: fãs queriam abraços, beijos, autógrafos – numa época em que as selfies não eram nem sonhadas. Porém, nada demais para Tob. “Não tinha problema algum, virou uma espécie de rotina. A gente ia vivendo, ia curtindo, não tinha noção do que era”, analisa. “Mas a gente não deixava de brincar: quando chegava nos hotéis, a primeira coisa era ir para a piscina”. Vontade de sairMas a adolescência chegou e cobrou seu preço. Tob deu uma ‘espichada’ – ficou bem maior do que seus colegas – e a voz, em transição, já não era mais a mesma. Então, aos 14 anos, ele saiu do grupo. “Eu estava querendo mesmo sair, não estava mais feliz. Tinha vergonha do meu visual”. A vida mudou – e muito. O agito, a exposição, a fama, de repente, não existiam mais. Por contrato, Tob tinha o direito de gravar um disco solo. Ele o fez, mas nada aconteceu. Uma das músicas era Meu Mel, que logo depois faria sucesso na voz de Markinhos Moura. “Hoje posso responder por aquele adolescente: ele não fazia questão de continuar naquilo, daquele jeito, só por fazer”, reflete. À época, o adolescente Tob só queria enterrar o Balão Mágico, deixá-lo no lugar dele: os anos 80. “Foi maravilhoso, faria tudo de novo, mas eu pensava que, para começar uma nova vida, teria que esquecer que fui o Tob, como se eu estivesse nascendo de novo”. RenascimentoApós voltar ao prumo, o primeiro renascimento: a formação em Rádio e TV. Depois, enveredou pelo teatro, tirou o registro de ator, chegando ao Centro de Pesquisas Teatrais (CPT), de Antunes Filho. Fez questão de não alardear o seu passado e foi selecionado. Lá ficou por três anos, participou de montagens, viajou à Europa para se apresentar. Desde 2016, sua paixão e realização vêm das artes plásticas. “Quero continuar a fazer minhas pinturas e tentar alcançar o máximo de pessoas possível”. Com frequência, está em Santos: sua namorada é daqui. Apesar de entregue às artes plásticas, não descarta um flerte com a música, sua primeira arte. “Se tivesse oportunidade de cantar tudo de novo, se conseguisse um projeto, gostaria de matar a saudade (do Balão), porque as pessoas ainda têm tudo isso muito forte com elas”. Balão MágicoA Turma do Balão Mágico existiu entre 1982 e 1986. Nesse período, lançou cinco álbuns, vendendo quase 5 milhões de cópias. O grupo teve em suas músicas participações de Roberto Carlos, Djavan e Fábio Jr. Além de Simony (que ficou do início ao fim do grupo), Tob, Mike e Jairzinho, o Balão teve Ricardinho, como componente, que substituiu Tob. Em 2018, Tob, Mike e Simony realizaram uma turnê para celebrar os 35 anos do grupo. O programa matutino na Globo durou de 1983 a 1986, revelando o personagem Fofão, interpretado pelo ator Orival Pessini. Após um breve hiato, o programa foi substituído pelo Xou da Xuxa.